terça-feira, 18 de setembro de 2018

Circulação - Residência do Buraco d’Oráculo começa no território do grupo Rosas Periféricas


Circulação - Residência é uma iniciativa do grupo O Buraco d’Oráculo que promove a circulação de teatro de rua, a partir de seu próprio repertório, em territórios de companhias parceiras. Juntos, os dois grupos comandam um mês de programação local.

O Grupo Rosas Periféricas é o primeiro a receber a programação da Circulação – Residência, em outubro, cuja região de atuação é o Parque São Rafael, no bairro São Mateus, que fica na zona leste paulistana. O ‘palco’ escolhido para as apresentações de ambas as companhias é a Praça Oswaldo Luis da Silveira.

A programação de outubro é formada por três espetáculos do O Buraco d’Oráculo - O Cuscuz Fedegoso (6/10), O Encantamento da Rabeca (7/10) e Pelas Ordens do Rei Que Pede Socorro!! (20/10)– e uma montagem do Rosas Periféricas -  Radio Popular da Criança (21/10).

Esta Circulação - Residência é parte do projeto Buraco 20 Anos: da (R)existência na Rua à Poesia em Cena, contemplado pela 32ª Edição do Programa de Fomento ao Teatro Para a Cidade de São Paulo.

Programação / Outubro

6 de outubro. Sábado, às 16h
Espetáculo: O Cuscuz Fedegoso
Com: O Buraco d’Oráculo

Sinopse: Entre os quitutes vendidos por Dona Maria está o cuscuz feito com fedegoso, um matinho cheiroso, que não faz lá muito sucesso. Um belo dia, ela oferece a iguaria a um pedinte que, para não pagar, finge passar mal.

Ficha técnica - Direção: Elizete Gomes. Texto: Edson Paulo. Elenco: Lu Coelho, Mizael Alves, Nataly Oliveira e Edson Paulo.
Duração: 50 min. Classificação: 14 anos.


7 de outubro. Domingo, às 19h
Espetáculo: O Encantamento da Rabeca
Com: O Buraco d’Oráculo

O Encantamento da rabeca conta histórias de transformações vividas por mulheres brincantes - que cantam, tocam, dançam, “botam” bonecos e mascaras, com intuito de revelar o protagonismo, a fragilidade, a força e a resistência dessas mulheres em terreno originalmente masculino.

Ficha técnica - Direção: Lu Coelho. Texto: Lu Coelho com colaboração de Pablo Dantas e Cleydson Catarina. Elenco: Lu Coelho e Nataly Oliveira.
Duração: 50 min. Classificação: Livre.

20 de outubro. Sábado, às 16h
Espetáculo: Rádio Popular da Criança
Com: Grupo Rosas Periféricas

Quatro palhaços apresentadores fazem provocações ao público por meio das cenas e, juntos, dialogam abertamente sobre nossa responsabilidade quanto ao lugar em que vivemos. Vidrilho, Metálicio e as repórteres Papelúcia e Plastiqueta comandam um programa recheado de diversão e conhecimento. Quadros sobre ecologia, reciclagem e consumo consciente desfilam pela programação da rádio, que inclui ainda música ao vivo, radionovela, previsão do tempo e entrevistas.

Ficha técnica - Texto: Gabriela Cerqueira. Com: Grupo Rosas Periféricas. Elenco: Gabriela Cerqueira, Michele Araujo, Paulo Reis e Rogerio Nascimento.
Duração: 40 min. Classificação: Livre.

21 de outubro. Domingo, às 16h
Espetáculo: Pelas Ordens do Rei Que Pede Socorro!
Com: O Buraco d’Oráculo

Pelas Ordens do Rei Que Pede Socorro! é uma intervenção teatral que utiliza a poesia como forma dramatúrgica. Baseando nos princípios da “cenopoesia”, em que imagens, gestos, canções e palavras se misturam para completar um todo. O Buraco d’Oráculo leva à cena um recorte de poemas por meio de cenas fragmentadas que transitam entre o cômico e o dramático com leveza poética, mas também de forma contundente, tocando em temas do nosso cotidiano e de nossa sociedade.

Ficha técnica - Texto: Ray Lima. Direção: Elizete Gomes. Elenco: Luiza Galavotti,  Lu Coelho, Mizael Alves, Nataly Oliveira e Edson Paulo.
Duração: 50 min. Classificação: 14 anos.

Serviço

Teatro de rua: Circulação - Residência
6 e 7 de outubro. Sábado (16h) e domingo (19h)
20 e 21 de outubro. Sábado e domingo (16h)

Local: Praça Oswaldo Luis da Silveira
Parque São Rafael – São Mateus. SP/SP
Informações: (11) 98152-4483. Grátis. Livre.

Os grupos

O Buraco d’Oráculo - O grupo nasceu, em 1998, resultado do trabalho do Núcleo de Teatro de Rua, da Oficina Cultural Amacio Mazzaropi, que, hoje, se encontra com as portas fechadas, deixando uma lacuna nas ações de fomento à cultura por parte do poder público. O trabalho do grupo é calcado em três pontos estético/políticos: a rua, local fundamental para promover o encontro direto com o publico; a cultura popular, fonte inspiradora; e o cômico, destacando-se a farsa e as relações com o denominado “realismo grotesco”. O Buraco d’Oráculo optou pelo popular e pela rua como determinação e alvo de crítica. Com seus trabalhos o grupo encontrou um público diferente daquele que frequenta as tradicionais salas de espetáculos, e começou a desenvolver projetos de forma descentralizada, buscando democratizar o acesso ao fazer teatral, e promover uma reflexão sobre o mesmo. Por isso, desde 2002, atua na zona leste da cidade de São Paulo, sobretudo na região de São Miguel Paulista, sendo a Praça do Casarão seu principal ponto de atuação, desde 2004. O Buraco d’Oráculo já produziu 11 espetáculos que são protagonizados por pessoas comuns e que estão à margem da sociedade. Dessa forma busca discutir o homem urbano e seus problemas.

Grupo Rosas Periféricas - Rosas Periféricas é um grupo de teatro de artistas e educadores que desenvolve suas pesquisas em São Paulo, desde 2008, investigando linguagens cênicas em processos de criação coletiva. Sua sede é no Parque São Rafael e os temas trabalhados em seus espetáculos vêm da realidade das periferias: Vênus de Aluguel (2009), A Mais Forte (2010), Fêmea (ato performativo, 2012), Rádio Popular da Criança (2013), este sendo seu primeiro espetáculo infantil, que foi apresentado, inclusive em 10 estações de trem com apoio do ProAC-ICMS Em 2014, realizou o cortejo Narrativas Submersas - primeira parte da trilogia Parque São Rafael, projeto  fomentado pelo Programa VAI da Prefeitura de São Paulo, que teve seu segundo capítulo realizado no ano seguinte: Lembranças do Quase Agora. Em 2016, pelo ProAC Primeiras Obras, apresentou Narrativas Submersas no bairro e em Mogi das Cruzes e Rubineia. A trilogia se completou com Labirinto Selvático (Programa VAI II), apresentado em unidades do Sesc,na I Mostra da Casa (Casa de Cultura de São Rafael, apoio do ProAC e organização do Rosas Periféricas). O grupo participou da Ocupação Decolonialidade: Poéticas da Resistência, no Teatro de Arena Eugênio Kusnet. 

Assessoria de imprensa: VERBENA COMUNICAÇÃO
Eliane Verbena e João Pedro
Tel: (11) 2738-3209 / 9373-0181- verbena@verbena.com.br

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Val Macambira lança álbum Catharina no Brazileria (20/9) e Tendal da Lapa (21/9)

Val Macambira (fotos de Daniela Agostini)

Paraibano, residente em Salvador, Val Macambira faz dois shows de lançamento de seu novo álbum autoral Catharina, em São Paulo. No dia 20 de setembro (quinta), a apresentação acontece no Brazileria, às 21h. E no dia 21 de setembro (sexta), o artista e sua banda tocam Tendal da Lapa, às 19 horas, este com entrada franca.

Com mais de 40 anos de carreira, 400 músicas gravadas por artistas e bandas do cenário nacional e seis discos no mercado fonográfico, o renomado músico regional decide, oito anos após a gravação, trazer a público o CD Catharina. Val Macambira revela que foi ‘parto’ dolorido a produção do álbum, gravado em homenagem à sua filha Catharina, que faleceu de dengue hemorrágica, aos 17 anos. “Entre flagelos, sofrimentos e muita saudade renasci das músicas e senti que estava pronto para registrar esse trabalho musical”, confessa.

O show Catharina constrói um curioso contraste ao transpor o sertão e seu universo peculiar, rural, árido e silencioso, para um espaço urbano. São 10 músicas, compostas exclusivamente para o álbum, cujos arranjos trazem traços do lírico e do barroco compondo com as raízes do rock rural, sem perder o foco no sertão. A cultura popular e o erudito se entrelaçam em harmonia nesse trabalho fazendo uma união ímpar do violino e violoncelo com a estética musical de gêneros como maracatu, repente, embolada, xote, xaxado e baião, que resulta em um ritmo cheio de originalidade. As letras e melodias do disco traduzem o cotidiano do povo brasileiro e dos personagens da cultura popular, onde o folclore se torna lúdico e vivo.

O repertório de Catharina é formado por “Barriga do Céu”, “Quarador”, “Xenofobia”, “Calma”, “Catharina”, “Catador de Lixo”, “Devez”, “Azougue”, “Minha História” e “Xaxado” (parceria com Maracujá e Lula Sibemol). Val Macambira divide os arranjos das canções com os músicos convidados Luciano Calazans, Thiago Ribeiro, Zito Moura e Júlio Caldas. O CD foi produzido por Nestor Madrid e Thiago Ribeiro, e masterizado por Martin Buffer - WR Bahia. Macambira mostra no show Catharina toda a versatilidade e criatividade das suas composições, além de interpretar músicas de outros compositores como Lenine, Elomar, Xangai e Vital Farias.

Val macambira canta acompanhado por uma banda de peso, formada por Zito Moura (piano), Thiago Ribeiro (guitarra e violão), Alexandre Souza (baixo), Jorginho Brasil (bateria), Vitor Oliveira (percussão), Altair Leonardo (violas) e Marcelo Fonseca (violino). A ficha técnica tem ainda Djah Vicente na técnica, Bruna Moitinho na direção de palco, Irma Vidal na iluminação, Cica Brito no figurino, Nestor Madrid na direção geral e Adriana Belic na produção executiva (em São Paulo).

A turnê de lançamento, que teve início em Salvador (BA), passando pelo Itaú Cultural (SP), segue para o Mimo Festival, em Paraty/RJ (dia 28/9), e deve chegar às cidades de Belo Horizonte (MG), Recife (PE) e João Pessoa (PA).
                                                    
O artista

Val Macambira - músico, compositor e cantor paraibano – iniciou a carreira na adolescência e logo foi para o Rio de Janeiro, onde conheceu músicos como Xangai, Elomar, Luiz Caldas, Lenine, Marinês e Sua Gente, Jorge de Altinho e Augusto Jatobá. Daí em diante, tornou-se presença constante no carnaval da Bahia e no forró do Brasil. Os ritmos nordestinos são base para a alquimia musical de letras e melodias de Val Macambira, que ganhou da crítica o título de ‘mago do forró’. Tem suas músicas gravadas, desde 1982, por cantores e bandas como Marinês e Sua Gente, Jorge de Altinho, Chiclete com Banana, Timbalada, Margareth Menezes, Asa de Águia, Netinho, Ricardo Chaves, Luiz Caldas, Sarajane, Estakazero, Colher de Pau, Luzia Santana, Márcia Short, Bando Virado no Moi de Coentro e outros. Em 1990, fez a primeira de quatro turnês pela Europa, tocando inclusive no Festival de Montreux, na Suíça. Sua música invadiu palcos da Itália, Espanha, Alemanha e França.

Em 1998, concebeu, dirigiu e atuou no musical Lampião - Uma Ópera Nordestina (Prêmio Melhor Musical Regional de Teatro), que resultou em seu primeiro CD. Em 2000, gravou o segundo CD, O Mago do Forró, e em 2009, veio terceiro álbum Forró-Forrado com o qual fez turnê pela Europa (intercâmbio Oiapoque ao Chuí, pelo Fundo de Cultura do Estado da Bahia). Em 2010, gravou o autoral Catharina, que está sendo lançado agora; e o CD Quarador chegou ao mercado três anos depois. Em 2016, acompanhado pela Orquestra Sinfônica Santo Antônio, gravou Forró Sinfônico e também Recebeu Carta de Reconhecimento do Ministério da Cultura como Movimentador e Disseminador da Cultura Popular. Em 2017, lançou o novo disco autoral Folia de Reis, que ganhou videoclipe para a faixa “Jacira", e o Troféu Melhor Forrozeiro Internet, São João da Bahia. Já em 2018, foi homenageado com o Troféu de Honra ao Mérito pelos 35 anos de forró.

Artista atuante e representativo no carnaval baiano com o seu trio elétrico Forró-Foliar, Val Macambira criou também a Banda Maracatu Bizoro Avoador. Assinou direção artística do primeiro DVD de Wil Carvalho, criou o Projeto Cultura na Praça e o Espaço Cultural Val Macambira. Entre os prêmios que ganhou estão: Troféu de Melhor Cantor Forrozeiro pela Bahiatursa; Melhor Musical Regional do Teatro por Lampião - Uma Ópera Nordestina; Coletânea de Forró (ABC do Prazer, “Pra Brincar de Vida” – gravação: Chiclete com Banana); Disco de Ouro e Platina (música “U-Maracá” – gravação: Timbalada); Disco de Ouro e Platina (música “Fazer Amor” – gravação: Chiclete com Banana); e Disco de Ouro e Platina (música “Nouai” – gravação: Luís Caldas).

Serviço

Shows / São Paulo: Val Macambira & Banda

20 de setembro. Quinta, às 21h
Brazileria
R. Clélia, 285 – Perdizes. SP/SP. Tel: (11) 2628-4211
Couvert: R$ 20,00
 Ar condicionado. Wi-fi. Não possui acessibilidade (no espaço do show) nem estacionamento.

21 de setembro. Sexta, às 19h
Tendal da Lapa
Rua Guaicurus, 1100 – Lapa. SP/SP. Tel: (11) 3862-1837
Grátis. Não haverá distribuição de ingressos. Acessibilidade.

O Julgamento Secreto de Joana D'Arc encerra temporada com duas sessões extras no Teatro Oficina


Fotos de Bob Sousa
O espetáculo O Julgamento Secreto de Joana D’Arc encerra sua temporada no Teatro Oficina com duas apresentações extras. Nos dias 19 e 20 de setembro, além das sessões normais, às 20 horas, o elenco volta ao palco para uma segunda jornada, às 22 horas.

Com direção artística Fernando Nitsch e musical Miguel Briamonte na direção, o texto de Aimar Labaki foi escrito por encomenda da atriz Silmara Deon. Silmara vive a heroína francesa num trajetória épica que inspira coragem, há mais de 500 anos, onde o verdadeiro embate está entre a ameaça que o feminino pode provocar nas instituições estruturadas a partir do poder masculino.

De forma lúdica, a peça reproduz o ambiente de seu julgamento inquisitório e apresenta a ‘virgem de Orleans’ como uma mulher de estética comum, derrubando padrões e estereótipos impostos pela Igreja, reforçados pela maioria dos filmes e documentários que contam sua história. A peça condensa os últimos quatro meses de vida da heroína, a partir de sua captura e do confronto com o inquisidor Pierre Cauchon, interpretado por Rubens Caribé.

Aimar Labaki explica que não é exatamente a história de Joana D'Arc que a peça apresenta, mas a forma como é espelhada por outros olhos, principalmente os de seu inquisidor. “Esse é um processo político, mas também um julgamento íntimo que deflagra uma crise íntima; a crise de fé de Cauchon. E se tornou metáfora do processo de mediação de cada um de nós para viver o cotidiano, acreditando em algo superior para resolver as questões”, comenta o autor.

A encenação não realista é carregada de força e sensações ao expor o medo do feminino deflagrado por Joana D’Arc. O enredo aborda desde o momento em que ela é capturada pelos borgonheses numa emboscada - quando ia para a batalha em Paris - até sua morte.  “Esta é uma história aberta. Existem muitas versões de um mesmo fato, portanto temos liberdade de apresentar ‘nossa Joana’ com reflexos nos dias de hoje, representando todas as mulheres, seja ela da época da inquisição ou do mundo atual. Para isso, temos um recurso épico, além do fato da condução deste julgamento ser, por natureza, um grande circo de horrores”, argumenta o diretor Fernando Nitsch.

As personagens de O Julgamento Secreto de Joana D’Arc mantêm seus nomes reais, mas ganharam personalidades inventadas, subjetivas, abrindo uma licença poética para o inquisidor que, na encenação, faz visitas à prisioneira na cela, cheio de dúvidas e curiosidades, demonstrando fascínio pela sua determinação. E, vislumbrando a possibilidade de projeção no seu primeiro julgamento importante, Cauchon não percebe que também é uma peça de manipulação no jogo, onde somente um veredito seria possível.

Joana reunia atributos que incomodavam. Era mulher, analfabeta e uma guerreira com um carisma arrebatador, cuja liderança ganhava fama. Carregava armadura, espada e estandarte (em cima de um cavalo), comandava soldados, lutava nas batalhas e conquistava propósitos absolutamente masculinos numa época em que para a mulher não era permitida nenhuma expressão. Segundo Fernando Nitsch, a peça revela essa mulher determinada, que buscava a verdade, acima de tudo, e acreditava ter a missão de libertar a França.

E o diretor argumenta: “Em nenhum momento deram à Joana a possibilidade de se defender. Um acordo entre França e Inglaterra entra em ação para tirar de cena aquela mulher que subvertia as regras, com tudo que ela representava; e a igreja também se aproveita daquele momento. Os dois grandes poderes – a política e a igreja - se unem para condená-la como bruxa e, posteriormente, transformá-la em santa francesa. O espetáculo busca ressignificar essa história pautada pelo capital, onde a condenação de Joana D’Arc serviu a ele, e sua redenção como padroeira, também”.

“Como seria essa mulher?”, questiona Silmara. “O fato de ela ser uma santa da igreja católica, além de não haver nada que comprove sua aparência real, fez com que a sua imagem fosse sempre comparada à de uma jovem angelical, frágil e ingênua, cujos feitos seriam ordens divinas, desconsiderando sua determinação, inteligência e ações. Sua história é muito próxima dos clássicos da dramaturgia mundial. A personagem Joana D'Arc, de 19 anos, transcende todos os padrões de biótipo e idade, possibilitando uma grande liberdade de interpretação”, comenta.

Segundo a atriz, a proposta de seu projeto é estimular um diálogo sobre a condição da mulher nos dias de hoje, sem julgamentos ou críticas, para fortalecer nas pessoas o sentido de equidade. “Ao apresentar Joana quando as relações de poder serviam somente aos homens e suas instituições, a peça expõe a importância da aceitação e do entendimento das questões sobre gêneros e suas evolutivas sociais”, comenta. Para se proteger de possíveis retaliações inglesas, não sofrer abusos e pela praticidade na função de soldado, a heroína cortou os cabelos e se vestia com roupas masculinas, contrariando as regras estabelecidas e sua natureza feminina quando, pelas normas da Igreja (detentora do saber das “leis de Deus”), as mulheres serviam unicamente para casar, cuidar dos afazeres domésticos e ter filhos. “Olhando para esse passado distante, transportamos-nos para os dias de hoje ao ver os acontecimentos mundiais de intolerância e violência contra a mulher”, finaliza Silmara Deon.

A encenação

O elenco é formado por 16 integrantes, entre atores, coro de seis atrizes cantoras e dois músicos. As músicas foram compostas especialmente para a peça, com exceção de uma canção de origem francesa. O maestro Briamonte criou arranjos e melodias para letras de Aimar Labaki, Bruna Alimonda, Ricardo Severo e Isabel Oliveira. “Seguindo a estética da montagem, a trilha é contemporânea, mas traz referências sonoras de séculos passados, contextualizando as cenas sem datá-las”, explica. Além do coro, as personagens Joana e Cauchon também cantam ao vivo (em conjunto ou solos) acompanhadas por piano e guitarra. Em alguns momentos, timbres percussivos tirados do próprio cenário completam a sonoridade explorada pelo maestro.

As intervenções musicais propiciam leveza e trazem o respiro necessário à plateia, bem como potencializam a atmosfera lúdica do espetáculo. No coro de ‘joanas’, as atrizes representam todas as diferentes mulheres que foram para a fogueira. Enquanto a protagonista representa força, determinação e resistência, o coro traz uma camuflada e, ao mesmo tempo, evidente feminilidade em diferentes tipos e personalidades.

Sobre o palco da montagem, o diretor comenta: “É um desafio delicioso montar o espetáculo no Teatro Oficina, não só pelo espaço, mas também pelo atual momento político-social que está vivendo; e evocar Joana D’Arc dentro do Oficina faz todo o sentido”. Silmara Deon completa dizendo que “a estrutura inusitada do espaço é muito propícia ao contexto da peça e às batalhas coreografadas”.

Quanto à cenografia e figurinos, O Julgamento Secreto de Joana D’Arc parte da estética medieval e rústica para uma leitura contemporânea. A ambientação, em sintonia com o espaço, traz cenários sobre grandes objetos, possibilitando o jogo cênico, onde estão presentes também elementos naturais como terra, madeira e lama. Nas roupas, tecidos desgastados, couro e cores terrosas.

Ficha técnica

Texto: Aimar Labaki. Direção: Fernando Nitsch. Direção musical: Miguel Briamonte. Elenco: Silmara Deon, Rubens Caribé, Ricardo Arantes, Rafael Costa, Yorran Furtado, Jerônimo Martins, Decio Pinto Medeiros e Mario Luiz. Coro: Bruna Alimonda, Carol Cavesso, Giovana Cirne, Jamile Godoy, Maísa Lacerda e Priscila Esteves. Músicos: Bruno Monteiro (piano) e Leandro Goulart (guitarra). Assistente de direção: Isabel Oliveira. Assistente de direção musical: Carol Weingrill. Cenografia: Marisa Bentivegna. Iluminação: Wagner Pinto. Figurinos: Daniel Infantini. Coreografia de lutas e preparação corporal: Mario Luiz. Preparação e coreografias do coro: Katia Naiane. Fotos: Bob Sousa. Identidade gráfica visual: Rosane Andrade / Inquieto Art Studio. Assessoria de imprensa: Verbena Comunicação. Produção executiva: Paloma Rocha e Regilson Feliciano. Direção de produção: Silmara Deon. Realização: Nossa Senhora da Produção

Serviço

Espetáculo: O Julgamento Secreto de Joana D’Arc
Temporada: 26/7 a 20/9 - quartas e quintas, às 20h
Sessões extras: 19 e 20 de setembro, às 22h
Ingressos: R$ 50,00 e R$ 25,00 (meia). Moradores da Bela Vista (c/ comprovante de residência): R$ 20,00. Bilheteria: 1h antes da sessão. Aceita cartões de débito/dinheiro.
Vendas antecipadas: www.compreingressos.com.br (tel: 2122-4070).
Duração: 100 min. Classificação: 16 anos. Gênero: Drama musical.

Teatro Oficina (350 lugares)
Rua Jaceguai, 520 - Bela Vista, SP/SP.
Tel: (11) 3106-2818. http://teatroficina.com.br/

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Sesc Belenzinho promove bate-papo musical com Ikaro Kadoshi, ícone do cenário LGBTQI


Ikaro Kadoshi - foto por Andre Diaz
No dia 19 de setembro, quarta, o projeto Transversando do Sesc Belenzinho recebe o performer de carreira internacional Ikaro Kadoshi. O encontro, que tem ainda participação da cantora e compositora Karin Martins, acontece na Comedoria da unidade, às 20 horas, com entrada grátis.

O bate-papo musical convida personalidades do mundo LGBTQI que falam sobre suas trajetórias como ícones de resistência, inseridxs na cultura contemporânea, alternando os depoimentos e conversas com músicas de artistas que acompanham estas experiências, tocadas ao vivo.

Ricardo Gamba é responsável pela curadoria e mediação do bate-papo, cuja ficha técnica tem ainda Vinícius Requena na iluminação, Rico Malta produção e Bruno Lemos nos registros de foto e no vídeo. A idealização é da RG Produções Artísticas.

Esta segunda edição do Transversando continua nos meses de outubro, com participação de Renata Carvalho e Rodrigo Fernando, e novembro, com Candy Mel e Jéssica Areias.

Perfis

Ikaro Kadoshi (convidado) - Nasceu Tiago Liberato, na cidade de São José dos Campos, SP. Aos 19 anos descobriu a arte de se maquiar, personificar personagens de cinema, descobriu o mundo da androginia. No ano 2000, nasceu Ikaro Kadoshi: Ikaro vem do seu amor pela mitologia grega; Kadoshi em hebraico quer dizer "o santo". Criando shows e personagens originais, ao longo dos últimos 16 anos, tornou-se ícone no mundo andrógino. Graças a este estilo, consolidou sua fama por todo o Brasil e por vários outros países,
Karin Martins - foto por Patricia Saraiva
sendo um dos poucos artistas brasileiros do cenário LGBT a ter carreira internacional consolidada.


Karin Martins (voz e violão) - Dona de uma voz suave, a cantora despertou para a música aos três anos, no violão de seu avô. Aos 11 ganhou seu primeiro instrumento; aos 12 entrou para o conservatório musical, onde estudou violão e canto; aos 14 escreveu Castelo de Cartas, sua primeira composição que ainda mantém em seu repertório. Com 15 anos iniciou sua carreira profissional numa pizzaria e logo conquistou bares e casas por toda a cidade de São Paulo.
Ricardo Gamba - foto por Bruno Lemos


Ricardo Gamba (curadoria e mediação) - É ator, escritor, roteirista, dramaturgo, produtor de elenco e diretor residente. Entre as principais produções em que atuou estão: De Mentira, direção de Rosi Campos e Sérgio Milagre; Se Casamento Fosse Bom, direção de Rosi Campos; e O Reizinho Mandão, direção de Roberto Lage, do qual também assina a dramaturgia. No espetáculo Cartola - O Mundo é um Moinho, é produtor de elenco e diretor residente. Atua em arte-educação há 18 anos, tendo atuado em projetos socioeducativos como professor e formador de educadores pela PUC-SP. Formou-se na Universidade Bandeirante em Rádio e TV.

Serviço

Bate-papo: Transversando
Com: Ikaro Kadoshi. Participação: Karin Martins. Mediação: Ricardo Gamba.
Data: 19 de setembro. Quarta, às 20h
Local: Comedoria (500 lugares)
Grátis. Retirada de ingressos com 1 hora de antecedência. Livre. Duração: 1h30.

Sesc Belenzinho
Endereço: Rua Padre Adelino, 1000
Belenzinho – São Paulo (SP). Telefone: (11) 2076-9700

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

Fim de semana tem rock'n'roll e grunge-metal no Sesc Belenzinho com as bandas IRA! e RALO



Banda IRA! toca músicas do álbum Psicoacústica 

O projeto Álbum do Sesc Belenzinho apresenta a banda paulistana IRA! em show do disco Psicoacústica (1988), que completou 30 anos em 2018. São duas apresentações, dias 14 e 15 de setembro, sexta e sábado, na Comedoria da unidade, às 21h30.

Com a mesma formação desde a volta do grupo, em 2014, IRA! é Nasi (vocal), Edgard Scandurra (guitarra e vocais), Evaristo Pádua (bateria), Johnny Boy (teclados e violão) e Daniel Rocha (baixo).

Os dois primeiros álbuns da banda, Mudança de Comportamento (1985) e Vivendo e Não Aprendendo (1986), trazem riffs de guitarras e influência de sons da década de 60; estão mais ligados ao universo hard e pop. Psicoacústica apresenta um som mais experimental e lisérgico com músicas sem refrão, solos longos, momentos instrumentais e uma atmosfera meio sombria. Com oito faixas e pouco mais de 30 minutos de duração, o disco entrou para a história do rock brasileiro, reconhecido como um dos mais ousados da época.  Atualmente, figura na lista dos 100 maiores discos da música brasileira pela revista Rolling Stone, em 81º lugar.

As faixas de Psicoacústica são: Rubro Zorro (E. Scandurra, André Jung, R. Gaspa e Nasi), Manhãs de Domingo (E. Scandurra), Poder, Sorriso, Fama (E. Scandurra), Receita Para se Fazer um Herói (E. Scandurra, Nasi, André Jung, R. Gaspa, e Reinaldo E. Ferreira), Pegue Essa Arma (E. Scandurra), Farto do Rock 'n' Roll (E. Scandurra, R. Gaspa), Advogado do Diabo (Nasi e André Jung), Mesmo Distante (Edgard Scandurra) e a faixa-bônus (versão K7) Não Pague Pra Ver (Edgard Scandurra).

Além das músicas do álbum, a banda também toca clássicos como Flores em Você, Dias de Luta, Núcleo Base, Envelheço na Cidade, Eu Quero Sempre Mais, Tarde Vazia e Girassol.

Para a banda Psicoacústica é um divisor na discografia do IRA!. “Era chegado o momento de apresentar algo conceitual”, lembram os músicos. No ano do lançamento, em 1988, os integrantes da banda ousaram assumir a mixagem e produção do disco, deixando de lado os produtores da gravadora. O resultado foi um trabalho experimental que, no primeiro momento, não foi compreendido pela crítica musical da época e impactou a gravadora. Com o passar do tempo foi possível observar a metamorfose no conceito do álbum e, de renegado logo após o lançamento, passou a ser uma obra com inserção obrigatória nas listas da discografia nacional.

Álbum é um projeto do Sesc Belenzinho que remonta a memória da música brasileira por meio de registros fonográficos.

Show: IRA!
Dias: 14 e 15 de setembro. Sexta e sábado, às 21h30
Local: Comedoria (500 lugares)
Não recomendado para menores de 18. Duração: 1h30.
Ingressos: R$ 30,00 (inteira); 15,00 (meia) e R$ 9,00 (credencial plena do Sesc).


Power trio de grunge-metal RALO toca Hell is Real 

O Sesc Belenzinho apresenta show da banda Ralo que toca músicas de seu mais recente álbum, Hell is Real (2017), além de composições do disco anterior. A apresentação acontece no dia 15 de setembro, sábado, no Teatro da unidade, às 21 horas.

Formado por Zema Athayde na guitarra, Rodrigo Paciência no baixo e Tiago Gadioli na bateria, Ralo é uma banda paulistana de grunge-metal instrumental que, segundo os próprios integrantes, busca ‘entortar’ ideias, ‘descer a mão’ nos instrumentos e não ‘facilitar’ em nada para o ouvinte.

Com riffs intrincados, ritmos quebrados e muito peso, Hell is Real (2017) traz uma sequência de faixas viscerais que unificam as influências vindas dos anos 90 - a saber, o grunge de Nirvana e Melvins e o metal de Helmet, Deftones e Down. Mas o grupo aposta na ausência de vocais, dando ainda mais ênfase à clássica instrumentação power trio (guitarra, baixo e bateria). Estas são também as características observadas em seu LP de estreia Horse Music, lançado em 2014.

O show reproduz as nove faixas do disco em seu estilo denso e pesado, com melodias em sincronismo com projeções ao fundo do palco (imagens escolhidas para cada música) e reprodução dos samplers originais da gravação. As composições são: Untitled, Dundel, Volta, Ossos, Mais, Masck, Grunho, Tão Longe do Lado e Hell is Real. Na sequência, executam as músicas do primeiro LP: Slot, Sombra, The Shark Attack, Carpaccio, Soro e Fdp.

Show: RALO
Dia: 15 de setembro. Sábado, às 21h
Local: Teatro (392 lugares).
Duração: 1h30. Não recomendado para menores de 12.
Ingressos: R$ 20,00 (inteira); 10,00 (meia) e R$ 6,00 (credencial plena do Sesc).

SESC BELENZINHO
Endereço: Rua Padre Adelino, 1000
Belenzinho – São Paulo (SP). Telefone: (11) 2076-9700
Estacionamento: Para espetáculos com venda de ingressos após as 17h: R$ 15,00 (não matriculado); R$ 7,50 (credencial plena no SESC - trabalhador no comércio de bens, serviços e turismo/ usuário).




Clara Moreno e Amilton Godoy fazem show inédito no Sesc Belenzinho


Um panorama de sambalanço, jazz brasileiro, bossa nova e canções contemporâneas moldam o show inédito da cantora Clara Moreno e do pianista e compositor Amilton Godoy. O duo se apresenta no dia 14 de setembro, sexta, às 21h, no Teatro do Sesc Belenzinho.

O espetáculo tem participação do trombonista Paulo Malheiros, do baterista Paulinho Vicente, do baixista Thiago Alves e da pianista Marcelle Barreto. Produzido por Alessandro Soares, o show é dividido em três momentos.

Na primeira parte, Amilton Godoy, sozinho ao piano, interpreta temas autorais - Notas Que Falam, Tudo Bem, Choro e O Batráquio – e mostra arranjos próprios para composições que marcaram os discos do Zimbo Trio. Amilton foi um dos fundadores do grupo com o qual gravou mais de 50 discos. Em seguida, Clara Moreno divide o palco com o pianista em alguns números musicais. No roteiro, Balanço Zona Sul, standard da bossa nova composta por Tito Madi, e Tim Dom Dom, samba do violonista Codó, imortalizada por Jorge Bem Jor.

No terceiro momento, Clara, acompanhada por sua banda, apresenta músicas de seu mais recente álbum Samba Esquema Novo, De Novo, uma regravação contemporânea e acústica do LP de Jorge Bem Jor (1963). Entre as canções estão: Rosa, Menina Rosa, Balança Pema, É Só Sambar e Quero Esquecer Você. A cantora também interpreta clássicos do sambalanço como Bruxaria (lançada por Wilson Simonal, em 1965), Que Besteira (de João Donato e Gilberto Gil) e Bebete Vãobora, do CD Miss Balanço. O final do show ainda promete números de muito balanço com todos juntos no palco.

Amilton Godoy - Vencedor de importantes concursos de piano a longo da carreira, Amilton Godoy criou, em 1964, o grupo Zimbo Trio com o baterista Rubens Barsotti e o baixista Luiz Chaves, que gravou 51 discos, incluindo antológicos LPs com Elis Regina, Jacob do Bandolim e Elizeth Cardoso. Com o Amilton Godoy Trio, gravou, em 2013, os CDs Autoral 1 e Autoral 2, que serão lançados em breve. Em 2012, gravou ao lado do gaitista Gabriel Grossi o disco Villa Lobos Popular. Ao lado da flautista Lea Freire, lançou Amilton Godoy e a Música de Lea Freire (2013) e A Mil Tons (2017). Como maestro e arranjador, produziu diversos álbuns, entre eles dos da coleção Piano Solo: Compositores Brasileiros; atuou como convidado de orquestras regidas por maestros como Júlio Medaglia, Chiquinho de Moraes e Simon Bleche. Em 1973, com Barsotti e Chaves e o baterista João Ariza, fundou o CLAM (Centro Livre de Aprendizagem Musical) do qual é diretor.

Clara Moreno - Cantora brasileira ligada ao universo do samba-jazz e do sambalanço, com uma bem sucedida passagem pela música eletrônica, Clara Moreno gravou o primeiro disco, homônimo, em 1996, também lançado no Japão. Em 1998, lançou os CDs Mutante e Clara Claridade. Em 2002, Morena Bossa Nova foi lançado simultaneamente no Brasil e Japão. Em 2007, veio Meu Samba Torto e, três anos depois, lançou Miss Balanço, uma releitura do sambalanço com participação de João Donato e Orlandivo, dois ícones do gênero. Participou ainda, em 2011, do projeto Red, Hot + Rio, dividindo com Aloe Blacc a faixa Nascimento. Seu mais recente projeto é o CD Samba Esquema Novo, de Novo.

Serviço

Show: Clara Moreno e Amilton Godoy
Dia: 14 de setembro. Sexta, às 21h
Local: Teatro (392 pessoas).
Duração: 1h15. Não recomendado para menores de 12.
Ingressos: R$ 20,00 (inteira); 10,00 (aposentado, pessoa com mais de 60 anos, pessoa com deficiência, estudante e servidor da escola pública com comprovante) e R$ 6,00 (credencial plena do Sesc: trabalhador do comércio de bens, serviços e turismo credenciado no Sesc e dependentes).
Venda pelo Portal e unidades do Sesc. Limite de venda de 4 ingressos por pessoa.

Sesc Belenzinho
Endereço: Rua Padre Adelino, 1000
Belenzinho – São Paulo (SP). Telefone: (11) 2076-9700

Um Povo Omitido, montagem surrealista do Teatro do Incêndio, encerra temporada no dia 24 de setembro

Rebelião e revolta são as tônicas da montagem sobre a luta contra o apagamento da identidade. O valor dos ingressos é contribuição espontânea.

Com texto e direção de Marcelo Marcus Fonseca, Um Povo Omitido, espetáculo inédito da Cia. Teatro do Incêndio, faz sua última apresentação no dia 24 de setembro, segunda-feira, às 21h. As sessões acontecem sempre de sábado a segunda.

A peça é uma leitura surrealista – ainda que transite por outras linguagens – do massacre final sofrido pela cultura brasileira em nome de toda forma de lucro, apoiado por uma falsa religiosidade de políticos pastores e ruralistas sem quaisquer resquícios de valores que não o dinheiro e uma moral falida.

No enredo, Caboclos e Índios Gamela ressuscitam o espírito da rebelião por meio da resistência da ancestralidade, compreendendo a formação do brasileiro como um fato político e retornando ao estado animalesco toda relação de negociação sobre direitos.

Uma “parteira de encantados” (Gabriela Morato) busca, ao lado dos Caboclos Darcy (Marcelo Marcus Fonseca) e Arlinda Rosa (Lia Benacon) e do Guerreiro Gamela (Francisco Silva), o parto dos espíritos da cultura popular que estão mortos dentro das pessoas, transformando o movimento em insurreição após um violento ataque a aldeias e sentimentos indígenas. Sem se importarem se é vingança ou justiça, revidam a pele arrancada sem piedade dos seus inimigos, doutrinadores de profissão.

O cenário idealizado por Gabriela Morato e Marcelo Marcus Fonseca coloca em cena a memória recente dos três últimos espetáculos da companhia (O Santo Dialético, A Gente Submersa e Rebelião – O Coro de Todos os Santos) sobre a formação do povo brasileiro, sobre a cultura tradicional popular e a luta pelo não apagamento da memória brasileira.

A cenografia de Um Povo Omitido remete à mata que, segundo Marcelo Marcus Fonseca, “é uma grande religião”. Ele argumenta que “de forma simbólica, folclórica ou mítica, tudo nela é composto por elementos vivos, visíveis ou não. E a peça denuncia sua invasão pelos ‘novos catequizadores’: os políticos, traficantes ou cristãos”. A ambientação é carregada de simbolismos que não se restringem à área de encenação, o público também é envolvido por esta atmosfera.

Marcelo Fonseca conta que o mundo dos “encantados” permeia todo o espetáculo. “São elementos surreais e fantásticos que serão ‘lidos’ pelo espectador, cada um à sua própria maneira”. As referências da mata e das tradições da cultura popular estão expressas também no figurino, de Gabriela Morato. A música ao vivo é conduzida pelo diretor musical do grupo Bisdré Santos, acompanhado de atores músicos no meio do público, criando clima para a interação proposta pelo espetáculo.

O espectador pode escolher se quer ser participante ativo ou passivo (com vagas limitadas para ambas as opções). De toda forma ele será participante. Durante o espetáculo será preparado um prato de comida típica brasileira (ou seja, com carne) que os espectadores serão convidados a comer. Este é um ato muito simbólico da encenação e dela faz parte. “O teatro, tanto para o ator quanto para o público, é um ato de celebração da vida. A política social vem matar a ‘vida’, cortar os laços de raiz para criar uma falsa impressão de que o mundo é sério e perigoso. É isso que queremos mostrar na encenação. A celebração final é com a comida. O homem existe não para trabalhar, mas para celebrar a experiência de passar pelo mundo, pela vida”, finaliza do diretor e autor de Um Povo Omitido.
 
Ficha técnica

Texto e direção: Marcelo Marcus Fonseca
Elenco: Gabriela Morato, Francisco Silva, Marcelo Marcus Fonseca, Elena Vago, Lia Benacon, André Souza, Thays Ferreira, Ana Beatriz do Araújo Borges e Yago Medeiros.
Figurino: Gabriela Morato
Cenário: Gabriela Morato e Marcelo Marcus Fonseca
Iluminação: Rodrigo Alves e Marcelo Marcus Fonseca
Direção musical: Bisdré Santos e Marcelo Marcus Fonseca
Música ao vivo: Bisdré Santos, Thiago Molfi, Yago Medeiros e elenco
Assistência de direção: Daniel Klaussner e Cristiane de Almeida
Preparação corporal e coreografias: Gabriela Morato
Música ao vivo: Bisdré Santos, Yago Medeiros e elenco.
Operação de luz: Valcrez Siqueira
Operação de som: Julia Azzan
Fotos: Giulia Martins
Designer gráfico: Gustavo Oliveira
Assessoria de imprensa: Verbena Comunicação
Produção e realização: Teatro do Incêndio

Serviço

Espetáculo: Um Povo Omitido
Temporada: 4 de agosto  a 24 de setembro
Horários: sábado (às 21h), domingo (às 19h) e segunda (às 21h)
Duração: 60 min. Gênero: Drama/teatro épico/surrealismo. Classificação: 16 anos.
Ingressos: Pague quanto puder
Capacidade: 45 lugares. Acessibilidade.

Teatro do Incêndio
Rua Treze de Maio, 48 – Bela Vista – SP/SP
Tel: (11) 2609-3730 / 2609-8561