segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Cia de Teatro Heliópolis abre inscrições para Oficina de Produção Teatral com Daniel Gaggini

Daniel Gaggini / Divulgação

A Companhia de Teatro Heliópolis está com inscrições abertas para a Oficina de Produção Teatral, ministrada por Daniel Gaggini. Os interessados, maiores de 18 anos, podem se inscrever gratuitamente - até o dia 30 de setembro - pelo formulário disponível no Instagram - @ciadetetroheliopolis.

As aulas ocorrem na Casa de Teatro Mariajosé de Carvalho, sede da Companhia de Teatro Heliópolis, localizada no Ipiranga, em São Paulo, entre os dias 01 e 09 de outubro, às quintas e sextas-feiras, das 14h às 19h.

A oficina aborda, de modo prático e dinâmico, todas as etapas que compõem a criação de uma obra teatral - da ideia à estreia, além de aspectos relacionados a divulgação e promoção. O objetivo é oferecer ferramentas e capacitação para que artistas independentes tenham acesso a todo o processo da montagem de um espetáculo, seus meios de financiamento e promoção.

Daniel Gaggini é produtor cultural, audiovisual e teatral, com mais de duas décadas de experiência na criação, produção e gestão de projetos culturais. É fundador e diretor da MUK, empresa que desde 2011 atua nas áreas de cinema, teatro, formação e difusão cultural, com projetos realizados especialmente em territórios periféricos. Está à frente de iniciativas como Festival Cine Inclusão - 60+ Em Foco e a Mostra de Teatro de Heliópolis, além de trabalhar na produção de obras audiovisuais e em projetos culturais. Seu atuação reúne produção executiva, elaboração e gestão de projetos, formação de equipes e articulação cultural, com foco na democratização do acesso à cultura e no fortalecimento da produção artística periférica.

Esta ação integra o projeto Manutenção e Modernização Casa de Teatro Mariajosé de Carvalho - Sede da Companhia de Teatro Heliópolis, Contemplado no Edital Nº 38/2024 Fomento CULTSP PNAB Módulo I, Nº de Inscrição: 38/2024-1725.0501.7433, cujo objetivo é a manutenção das atividades do espaço pelo período de 18 meses.

Serviço

Oficina de Produção Teatral
Com: Daniel Gaggini
Inscrições gratuitas: Até 30/09/2026.
Formulário: instagram.com/ciadeteatroheliopolis/
Indicação: interessados em produção teatral, maiores de 18 anos.
Quando ocorre: 01 a 09 de outubro - Quintas e sextas, das 14h às 19h
Onde ocorre: Casa de Teatro Mariajosé de Carvalho
Rua Silva Bueno, 1533 - Ipiranga. São Paulo/SP.Telefone: (11) 2060-0318 (WhatsApp).
Transporte público - Metrô e Terminal de Ônibus Sacomã.
Instagram: @ciadeteatroheliopolis | Facebook: @companhiadeteatro.heliopolis 

Informações à imprensa - VERBENA Assessoria
Eliane Verbena
Tel.: (11) 99373-0181 – verbena@verbena.com.br

Cia de Teatro Heliópolis apresenta abertura de processo do Coletivo Ciata e Bará Coletivo



Após abrir sua sede, a Casa de Teatro Mariajosé de Carvalho, para residência artística de dois grupos teatrais, durante quatro meses, Companhia de Teatro Heliópolis apresenta a Abertura de Processo resultante desta residência. Cada coletivo realiza duas apresentações, e as sessões serão abertas ao público, com entrada gratuita.

Nos dias 27 e 28 de setembro, domingo, às 18h, e segunda, às 20h, o Coletivo Ciata entra em cena com o processo de Desenlear Nós, com dramaturgia de Lua Leal e direção de arte de Karen Samyra, que também atuam na encenação. A ficha técnica traz ainda Natalia Rodrigues (luz), Gabi Marques (sopros) Naví Henrique (cordas), Naaya Lelis (percussão) e Jennifer Carmo (percussão).

E nos dias 29 e 30 de setembro, terça e quarta, às 20h, o Bará Coletivo apresenta o resultado de sua residência, Dívida, com dramaturgia de Vinicius Bernardo (também na atuação) e Tenca Silva, que também assina a direção. E Breno Rosa Gomes é responsável pelo dramaturgismo do processo.

Os eventos integram as ações do projeto Manutenção e Modernização Casa de Teatro Mariajosé de Carvalho - Sede da Companhia de Teatro Heliópolis, Contemplado no Edital Nº 38/2024 Fomento CULTSP PNAB Módulo I, Nº de Inscrição: 38/2024-1725.0501.7433, cujo objetivo é a manutenção das atividades do espaço pelo período de 18 meses.

Serviço

Residência Artística - Abertura de Processo

Desenlear Nós - com Coletivo Ciata:  27 e 28 de setembro
Domingo, às 18h, e segunda, às 20h.
Dívida - com Bará Coletivo: 29 e 30 de setembro
Terça e quarta, às 20h. 
Ingressos: Gratuitos - Retirar uma hora antes na bilheteria.
Classificação: 12 anos

Local: Casa de Teatro Mariajosé de Carvalho
Rua Silva Bueno, 1533 - Ipiranga. São Paulo/SP.
Transporte público: Metrô e Terminal de Ônibus Sacomã.
 

Informações à imprensa: VERBENA Assessoria
Eliane Verbena
Tel.:(11) 99373-0181 -
verbena@verbena.com.br

quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Gira Perifa, projeto sobre cultura nordestina, leva o Forró Didático a escola municipal no Grajaú

Fiona da Rabeca / Divulgação
Evento tem participação de Fatel Barbosa, Fiona da Rabeca e Caio Coiote.

No dia 15 de setembro, terça-feira, a EMEF Cleane Cavalcante Gomes, no Jardim Sipramar (Grajaú), recebe o Forró Didático, sétima ação do projeto Gira Perifa em escolas, contemplando alunos do Ensino Fundamental 1 e 2.

O Gira Perifa vem promovendo ações e eventos em territórios no Grajaú e Parelheiros para celebrar e fortalecer expressões culturais populares (algumas reconhecidas como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil) que moldaram a identidade dessas periferias da Zona Sul de São Paulo.

A atividade - com show da cantora Fatel Barbosa e da instrumentista Fiona da Rabeca - promove uma imersão no universo da música nordestina pelas interpretações e releituras de clássicos do forró pé de serra, valorizando repertórios que expressam histórias, vivências e afetos. Além de roda de conversa, o evento conta com intervenção de dança com Caio Coiote e sua boneca de pano Carmelita.

Os artistas apresentam os principais ritmos e instrumentos do forró e compartilham curiosidades sobre artistas e contextos históricos das músicas interpretadas. O formato dialogado convida os(as) alunos(as) à participação ativa, estimulando momentos de interação, escuta e experimentação, tornando a experiência educativa e lúdica. Esta iniciativa busca aproximar as crianças dessa tradição cultural, estimulando conexões com suas próprias origens familiares, muitas vezes ligadas ao Nordeste e aos sertões brasileiros.

Realizado pela Associação Construindo Consciência, em parceria com o Instituto Cordel Sem Fronteiras e o coletivo Sertão Perifa, o projeto integra formação, arte, memória e pertencimento ao longo de 10 meses de ações. Este projeto foi realizado com recursos do Ministério da Cultura, por meio da Secretaria de Cidadania e Diversidade Cultural.

Fatel Barbosa - Maria de Fátima, a Fatel Barbosa, é cantora e produtora cultural radicada em São Paulo desde 1989. Ganhou destaque nos anos 1990 com os álbuns Forró PlicPlá e Pra Fazer Chamego, produzidos por Téo Azevedo, e integrou o projeto Asa Branca, coordenado por Dominguinhos. Com trajetória marcada pela valorização da cultura nordestina, já dividiu momentos importantes com nomes como Luiz Gonzaga e participou do álbum Gonzagão 100 Anos (Grammy Latino em 2012). Segue atuando na difusão da música popular como produtora e colaboradora de iniciativas culturais. 

Fiona da Rabeca - Fiona é artista multi-instrumentista, produtora cultural e musical, além de arquiteta e urbanista. Desde criança, teve uma vivência musical intensa e diversa que contribuiu para sua sensibilidade e visão ampla sobre arte, cultura e música. Criada em um bairro periférico e rural de São Paulo, teve vivências próximas com famílias nordestinas e sempre foi apreciadora da cultura tradicional popular brasileira. Em 2019, mergulhou na pesquisa de culturas tradicionais e passou a tocar instrumentos como a rabeca, o pífano e o pandeiro. Atualmente, é uma artista pesquisadora que desponta no cenário do forró com seu trabalho autoral focado na rabeca, atuando em São Paulo. É idealizadora e produtora do evento Forró de Rabecas SP.

Caio Coiote e Boneca Carmelita - Caio Coiote, natural de Limoeiro na zona da mata norte pernambucana, é artesão poeta e brincante. Integra agremiações como o Boi Carinhoso e o Urso da Última Hora, folguedos populares de sua cidade natal. É poeta andarilho e artesão, tendo como inspiração as andanças pelo sul e norte do Brasil com seus artesanatos, poesias e canções pelas cidades e aldeias por onde passa. Foi o idealizador do Sarau de Cordas, projeto que abordava temáticas da cultura nordestina nas margens da cidade de São Paulo. No universo da cultura popular, interpreta a Lá Ursa, um folguedo pernambucano.

Serviço

Projeto: Gira Perifa - Forró Didático
Dia 15 de setembro - Terça, a partir da 8h30
Atividade: Shows, intervenção de dança e roda de conversa
Artistas: Fatel Barbosa, Fiona da Rabeca e Caio Coiote & Carmelita
Onde ocorre: EMEF Cleane Cavalcante Gomes
Rua Júlio Gadda, 157 - Jardim Sipramar. São Paulo/SP. 04851-360.
Evento restrito à escola.
Gira Perifa na rede: @gira.perifa 

Informações à imprensa: VERBENA Assessoria
Eliane Verbena
Tel.: (11) 99373-0181 - verbena@verbena.com.br

quinta-feira, 3 de setembro de 2026

V Festival SP Choro in Jazz reúne instrumentistas em concertos, masterclass e sound talks

Quinta edição ocorre em programação presencial e online, dedicada a encontros entre choro, jazz e música instrumental com participação do quarteto gaucho Yangos e do francês Jean-Luc Thomas.

Entre os dias 26 e 30 de setembro de 2026, acontece o V Festival SP Choro in Jazz, iniciativa que promove encontros entre o choro, o jazz e diferentes vertentes da música instrumental brasileira. A programação será realizada em formato presencial e online, sob o conceito Choro. Jazz. Encontros. Novos Diálogos.

No 26 de setembro (sábado), as atividades presenciais acontecem em dois espaços de São Paulo. A Escola de Choro de São Paulo recebe, às 14h, a masterclass Pulso e Ritmo nos Gêneros Musicais Sul-Americanos, conduzida por Tomás Savaris. Os interessados devem se inscrever gratuitamente por meio de formulário disponível na página do Festival no Instagram - @festivalspchoroinjazz.

Já o Estúdio Gugastro, no Alto de Pinheiros e que tem capacidade para 60 pessoas apenas, recebe duas atrações. O concerto Reencontro, às 19h, o reúne o harmonicista Vitor Lopes e o violonista Daniel Murray, com participação especial do flautista francês Jean-Luc Thomas e da pandeirista Roberta Valente. Harmônica, violão, flauta e pandeiro se encontram em uma apresentação que celebra a amizade, a criação e o diálogo entre diferentes universos musicais. Referência da música instrumental sul-brasileira, o quarteto YANGOS - formado por César Casara, Rafael Scopel, Tomás Savaris e Cristiano Klein - sobe ao palco às 20h30. O YANGOS combina elementos da música de raiz latino-americana com influências jazzísticas, e chega ao Festival no ano em que prepara o lançamento de seu novo álbum, VIDA.

De 27 a 30 de setembro, a programação continua de forma online com os Sound Talks, transmitidos pelo canal @FestivalSPChoroinJazz no YouTube, tendo como convidados César Casara, Rafael Scopel, Tomás Savaris e Cristiano Klein, respectivamente. Os músicos, integrantes do YANGOS, abordarão seus instrumentos e experiências no universo da música instrumental.

Idealizado e dirigido por Adriana Belic, o Festival SP Choro in Jazz tem direção musical de Fabio Bergamini, direção artística de Guga Stroeter e curadoria para o choro de Roberta Valente. A inciativa busca evidenciar criações da música instrumental brasileira, do choro e do jazz, promovendo aproximações entre artistas, repertórios, gerações e diferentes linguagens musicais - proposta que acompanha o Festival desde suas edições anteriores. Em 2026, essa proposta é ampliada sob o conceito Choro. Jazz. Encontros. Novos Diálogos, fortalecendo o Festival como espaço de conexão entre tradição e contemporaneidade, criação brasileira e intercâmbio internacional. A participação do quarteto YANGOS foi viabilizada pelo Fundo de Apoio à Cultura - FAC/RS, da Secretaria de Estado da Cultura e do Governo do Estado do Rio Grande do Sul.

Serviço

V Festival SP Choro in Jazz
Quando: 26 a 30 de setembro de 2026 - Presencial e online
Informações e programação na rede: @festivalspchoroinjazz 

FORMAÇÃO
26/09 - Sábado, às 14h
Masterclass: Pulso e Ritmo nos Gêneros Musicais Sul-Americanos, com Tomás Savaris
Público-alvo: músicos, estudantes de música e interessados em música sul-americana.
Duração: 1 hora. Vagas: 30 pessoas.
Inscrições gratuitas: formulário disponível no Linktree do Instagram/festivalspchoroinjazz.
Local: Escola de Choro de São Paulo (R. Belmiro Braga, 164 - Pinheiros. SP/SP. 05432-020). 

CONCERTOS
26/09 - Sábado
19h: Duo Vitor Lopes e Daniel Murray - Convidados: Jean-Luc Thomas e Roberta Valente
20h30: YANGOS - César Casara, Rafael Scopel, Tomás Savaris e Cristiano Klein
Ingressos: R$ 50,00 (para os dois shows).
Vendas: Sympla, exclusivamente - https://www.sympla.com.br/evento/5-festival-sp-choro-in-jazz/3561011
Capacidade: 60 lugres. Classificação: Livre. Duração:  60 minutos cada.
Local: Estúdio Gugastro (após conclusão da compra, será enviado um e-mail de confirmação com o endereço). 

SOUND TALKS / ONLINE
27 a 30/09 - Domingo a quarta, às 19h
27/09: Teclas - com César Casara
28/09: Fole - com Rafael Scopel
29/09: Cordas - com Tomás Savaris
30/09: Pulso - com Cristiano Klein
Onde: Youtube.com/@FestivalSPChoroinJazz
Acesso gratuito.

Sobre as atrações

Masterclass (26/09, 14h): Pulso e Ritmo nos Gêneros Musicais Sul-Americanos
Com Tomás Savaris
Formato: exposição, demonstração e prática coletiva.

A atividade, conduzida pelo violonista Tomás Savaris, apresenta as principais características de pulso, subdivisão rítmica, acentuação e padrões de acompanhamento, presentes em quatro importantes gêneros da música sul-americana: milonga, chamamé, zamba e chacarera. Com caráter essencialmente prático, a masterclass busca desenvolver não apenas a compreensão dos padrões rítmicos, mas principalmente sua percepção e execução corporal e instrumental.

Concerto (26/09, 19h): Duo Vitor Lopes e Daniel Murray
Participação especial: Jean-Luc Thomas e Roberta Valente 

Harmônica, violão, flauta e pandeiro se encontram em um concerto que celebra a amizade, a criação e o diálogo entre diferentes universos musicais. O espetáculo Reencontro reúne o harmonicista Vitor Lopes e o violonista Daniel Murray com os convidados especiais Jean-Luc Thomas, flautista francês, e a pandeirista Roberta Valente em uma apresentação marcada pela liberdade da improvisação, pela riqueza da música brasileira e pelo diálogo entre diferentes tradições musicais. Os quatro músicos possuem uma trajetória de encontros e colaborações que atravessa diferentes projetos e experiências musicais. Agora, retornam ao palco juntos para revisitar essa parceria e explorar novas possibilidades a partir de seus instrumentos e de suas linguagens particulares. O repertório reúne composições autorais e obras de importantes nomes da música brasileira, como Pixinguinha, Jacob do Bandolim, Egberto Gismonti e Victor Assis Brasil, entre outras referências que fazem parte do universo musical dos intérpretes. A formação - harmônica, violão, flauta e pandeiro - cria uma sonoridade ao mesmo tempo delicada, vibrante e aberta à improvisação. Entre melodias, ritmos, contrapontos e momentos de criação espontânea, o concerto transita por diferentes vertentes da música brasileira e por influências que aproximam o Brasil de outras tradições musicais. Mais do que uma reunião de músicos, Reencontro é a celebração de uma história construída através da música e da amizade, agora em um novo momento, com espaço para o inesperado e para a criação compartilhada. Formação: Vitor Lopes (harmônica), Daniel Murray (violão), Jean-Luc Thomas ( flauta) e Roberta Valente (pandeiro).

Concerto (26/09, 20h30): YANGOS
Formação: César Casara (piano/teclados), Rafael Scopel (acordeom), Tomás Savaris (violão) e Cristiano Klein (percussão). 

Formado em 2005, YANGOS é um dos grupos de referência da música instrumental sul-brasileira. O quarteto toca ritmos latinos da América do Sul e desenvolveu uma linguagem própria dentro da música de raiz, reconhecida tanto por sua musicalidade quanto pela performance ao vivo. YANGOS faz da união de piano/teclados, percussão, acordeom e violão um encontro potente, adicionando elementos jazzísticos a milongas, chamamés e chacareras. Com origem na Serra Gaúcha, a banda soma seis álbuns e um DVD, uma premiação e três indicações ao Prêmio Açorianos de Música, uma premiação no Festival Audiovisual da Serra Gaúcha (2017) e uma nomeação ao Latin Grammy Awards® (2017). O grupo já se apresentou e conquistou público e crítica em diferentes regiões do Brasil e em mais de uma dezena de países nas Américas e na Euro-Ásia. Em 2026, prepara o lançamento de seu novo álbum, VIDA.

Informações à imprensa: VERBENA Assessoria
Eliane Verbena
Tel.: (11) 99373-0181 |
verbena@verbena.com.br

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Cordelteca Sebastião Marinho será inaugurada na Associação Construindo Consciência

No dia 5 de setembro de 2026, sábado, a partir das 15h, será inaugurada a Cordelteca Sebastião Marinho, na sede da Associação Construindo Consciência (ACC), na Zona Sul de São Paulo.

Integrando as ações do projeto Gira Perifa, esta é a segunda unidade instalada na cidade, dedicada à promoção e difusão da literatura de cordel, arte popular reconhecida pelo IPHAN como Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro. A primeira foi a Cordelteca Téo Azevedo, inaugurada em 21 de agosto, na Casa de Cultura de Parelheiros.

Após a cerimônia de inauguração (15h), várias atrações prometem agitar o espaço com poesia de cordel, forró, repente e embolada: tem sarau lítero-musical (16h) com participação da cantadeira Mari Ananias e dos poetas  Paulo Dantas e Costa Sena; apresentação da dupla Antônio Costa e Manoel Soares (17h30); show do Luarada Brasileira (18h30) com participação da cantora Fatel Barbosa; e show da dupla Caju & Castanha (19h30) encerrando o evento. A programação será conduzida pelo mestre de cerimônia Luiz Wilson, também cantor-compositor, locutor-animador e poeta popular.

Sob coordenação de implementação de Lucélia Borges, a Cordelteca Sebastião Marinho vai disponibilizar cerca de 1.000 folhetos de cordéis, entre tradicionais e contemporâneos, com temáticas variadas. No acervo das cordeltecas estão obras como Proezas de João Grilo, O Pavão Misterioso, A Donzela Teodora e João de Calais, entre os clássicos. E, reforçando a importância da diversidade, traz títulos de autores e autoras da atualidades, que englobam a literatura infantil, a cultura popular e o uso do cordel como suporte pedagógico. “Enfatizando nossa missão de valorizar todos os processos de produção dos folhetos, fizemos uma seleção criteriosa, contemplando apenas aqueles que não recorreram, em nenhuma etapa, à ‘inteligência’ artificial, reconhecendo o valor de cada artista, autor e ilustrador ou designer, e a importância do pleno respeito aos direitos autorais e intelectuais”, afirma o curador Marco Haurélio.

O homenageado Sebastião Marinho (1948-2024) - paraibano que radicou-se em São Paulo -  foi um importante artista com ampla atuação na cultura popular. Destacou-se como escritor, poeta cordelista, violeiro e repentista, tendo lançado mais de 10 discos. Na literatura de cordel criou títulos fundamentais, adaptando obras clássicas, entre elas Romeu e Julieta, de Willian Shakespeare. Foi presidente-fundador da UCRAN - União dos Cantadores, Repentistas e Apologistas do Nordeste.

Esta iniciativa - que integra o projeto Gira Perifa - foi idealizada e acolhida pela Associação Construindo Consciência (ACC) em parceria com o Instituto Cordel Sem Fronteiras - ICSF, apoiado pela Casa di Fatel. O Gira Perifa é realizado com recursos do Ministério da Cultura, por meio da Secretaria de Cidadania e Diversidade Cultural do Governo Federal.

Serviço

Inauguração: Cordelteca Sebastião Marinho
Data: 5 de setembro - Sábado, das 15h às 20h30
15h - Abertura e intervenções
16h - Sarau lítero-musical: Mari Ananias, Paulo Dantas e Costa Sena.
17h30 - Show: Antônio Costa e Manoel Soares
18h30 - Show: Luarada Brasileira & Fatel Barbosa
19h30 - Show: Caju & Castanha.
Mestre de cerimônia: Luiz Wilson.
Entrada gratuita. Classificação: Livre.
Evento conta com interprete de Libras.

Local: Associação Construindo Consciência (ACC)
Rua Professor Enéas de Siqueira Neto, 997 - Jardim das Imbuias.
Cidade Dutra. São Paulo/SP. 04829-300 

Informações à imprensa: VERBENA Assessoria
Eliane Verbena
Tel.: (11) 99373-0181 - verbena@verbena.com.br
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quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Sesc Ipiranga apresenta Nossa Conquista, espetáculo inédito do Núcleo Negro de Pesquisa e Criação (NNPC)

Deni Marquez, Maria Gabi (foto de Jerê Nunes)
O Sesc Ipiranga apresenta Nossa Conquista, o novo espetáculo do Núcleo Negro de Pesquisa e Criação (NNPC), coletivo que completa 10 anos em 2026. Com dramaturgia e direção de Gabriel Cândido, a montagem estreia no dia 28 de agosto, sexta-feira, às 20h, e segue em temporada até o dia 3 de outubro, às sextas e aos sábados, às 20h, e aos domingos, às 18h. Duas sessões ocorrem também às quintas, 24/9 e 1/10, às 20h.

A história que o NNPC encena tem como personagem um rio encantado, que dá nome ao espetáculo. Ele possui mistérios que fazem qualquer contato com suas águas ser contraindicado. As regiões das margens desse rio são formadas por fronteiras onde convivem pessoas de diversas diásporas, interessadas em atravessar para as Grandes Capitais do Mundo. O desejo dessa travessia não é visto com bons olhos pelas autoridades das metrópoles, por isso a região é monitorada por Soldados da Paz, implicados na contenção de um fluxo migratório cada vez mais inevitável. Disputando contra os soldados, está um bando de atravessadores, conhecidos como Bixos da Fronteira, sempre prontos para atravessar ilegalmente quem tiver coragem de arriscar tudo para conseguir uma oportunidade de vida melhor, em troca de um bom negócio.

Nesse contexto, acompanhamos a trama de três outras personagens, os órfãos Machépé e Zizú, gêmeos separados na infância, e de Neydí, a responsável por cuidar dos irmãos quando eram crianças. Quando viram adultos, Machepé se torna um Bixo da Fronteira, enquanto Zizú vira um Soldado da Paz. Neydí, por sua vez, vai de um extremo a outro quando transita de Bixo da Fronteira para Primeira-Ministra da Grande Capital do Norte, numa ascensão surpreendente. Através dessas trajetórias, o público é apresentado a um universo fabular que ilustra, seja por meio de metáforas, seja construindo imagens que se confundem com o real, as relações entre o colonialismo, a diáspora negra e o capitalismo, cuja exploração predatória das Grandes Capitais impõe ao meio ambiente um destino fatal para a própria humanidade. Impactados pelo contato acidental com o rio Nossa Conquista, Machépé, Zizú e Neydí, cada a um a seu modo, terão suas histórias cruzadas por complexos encontros e desencontros em diferentes tempos e espaços para escaparem da tragédia prevista em seus caminhos.    

A encenação de Nossa Conquista tem como fundamento a narratividade como expressão poética, ética, estética e política para contar uma história dialógica com a contemporaneidade. No palco, não há divisão formal entre ator/atrizes e músicos/musicistas como é comum em peças de teatro com banda em cena, conforme afirma Gabriel Cândido: “Isso ocorre para prevalecer em cena a presença da coletividade como um dos elementos narrativos, tendo a intenção de brincar de ser e não ser personagem, se misturar e às vezes se separar e perder dessa massa de gentes que a dramaturgia fala. Tudo isso, seja por meio da música e toque de instrumentos ou dizendo um texto ou na execução de qualquer outra ação cênica. Esse brincar
é um ato importante para nós, porque é o que constitui a integridade das cenas e a relação de cumplicidade com o público.”.

O elenco é composto por Ana Cruse (musicista), Deni Marquez (ator), Júlio Dreads Oliveira (músico), Jokaro (músico), Loiá Fernandes (atriz), Marina Aferes (musicista) e Maria Gabi (atriz), além de Tamires Santino (contrarregra), que faz algumas intervenções em cena para manejar cenários e objetos cênicos. Juntos, sob a direção musical de André Papi, executam ao vivo uma trilha sonora autoral com mais de 10 canções concebidas em sala de ensaio a partir de gêneros musicais da cultura negra brasileira e diaspórica. A dimensão estética do espetáculo, que tem como objetivo criar uma experiência imersiva para contar a história, possui o desenho de luz de Juliana Jesus, o cenário de Calu Batista e os figurinos feitos pelas Cangaceiras Futuristas, Heleonora Pinheiro e Iasmine Carvalho.

O espetáculo Nossa Conquista (Editora Entremares/2022) é a Parte II do projeto Escombros, uma trilogia que tem por objetivo a elaboração cênica e dramatúrgica de peças de teatro que falem, de forma ficcional, sobre as relações entre fome, terra, colonialismo, identidade e capitalismo em intersecção com a ancestralidade, as memórias e a história da população negra-diaspórica. A parte I, Fala das Profundezas (Editora Javali/2018), estreou em 2022.

Sobre o NNPC

O Núcleo Negro de Pesquisa e Criação (NNPC), fundado por Deni Marquez, Gabriel Cândido, Jerê Nunes, Maria Gabi e Thais Namai, existe desde 2016 em São Paulo. O coletivo tem como fundamento ético, poético, estético e político as relações complexas entre imaginação, memória e ficção a partir da história da população negra-diaspórica, lançando mão das artes das cenas e do audiovisual para as suas concepções artísticas. O NNPC fez a sua primeira apresentação pública na 18ª edição do Festival de Cenas Curtas do Galpão Cine Horto, em Belo Horizonte (MG), com o experimento Boa Aparência (2017); realizou no Festival Satyrianas (SP) o experimento cênico Ouça o Canto do Amor Dentro de Ti (2019); estreou o curta-metragem Jardim Peri Alto em Cena (2019) na mostra oficial do 30º Festival Internacional de Curtas de São Paulo; concebeu a peça Fala das Profundezas (2022), dramaturgia também apresentada ao público nos anos anteriores nos formatos de leituras encenadas (2018-2019) e peça radiofônica acompanhada de um podcast sobre o processo de criação (2020); Em 2025, o NNPC realizou a 1ª edição do Laboratório de Poéticas Cênicas (LAB NNPC), atividade artística-pedagógica gratuita aberta ao público; em 2026 estreou o espetáculo Nossa Conquista e a publicação do fotolivro Memórias de Ficção - Núcleo Negro de Pesquisa e Criação (NNPC) 10 anos.

FICHA TÉCNICA - Concepção geral: Núcleo Negro de Pesquisa e Criação (NNPC) - Maria Gabi, Thais Namai, Deni Marquez, Gabriel Cândido e Jerê Nunes. Coordenação de produção: Thais Namai. Dramaturgia e direção: Gabriel Cândido. Direção musical e desenho de som: André Papi. Atuação: Deni Marquez, Loiá Fernandes e Maria Gabi. Músicos: Ana Cruse, Jokaro, Júlio Dreads Oliveira e Marina Afares.  Produção executiva e visagismo: Kauanda Rosa. Desenho de luz: Juliana Jesus. Assistência de iluminação: Rafael Oliveira. Cenário: Calu Batista. Figurino: Cangaceiras Futuristas - Iasmine Carvalho e Heleonora Pinheiro. Máscaras e bonecos: Claydson Catarina. Vídeos e fotografias: Jerê Nunes. Técnica e operação de som: Nick Guaraná. Assistência de cenografia: Anisio Serafim. Cenotecnia: José Dahora, Wanderley Silva. Aderecista: Legina Leandro. Contrarregragem: Tamires Santino. Preparação vocal: Marina Afares. Social media: Gabriela Coniutti. Design gráfico: Well Tadeu. Assessoria de imprensa: Eliane Verbena. Artista provocadora: Maria Thais. Pesquisa e produção de figurino: Carla Stela. Assistência de produção: Dandara Kuntê. Produção: Imaginária Criações e Aquariane Produções Artísticas e Culturais. Realização: Sesc São Paulo.

Sinopse: Em Nossa Conquista acompanhamos os gêmeos órfãos Machépé e Zizú, além de Neydí, a responsável por cuidar dos irmãos quando eram crianças. Em seus encontros e desencontros em diferentes tempos e espaços conduzidos por um rio encantado, apresentam-se as relações intrínsecas entre o colonialismo, a diáspora negra e o destino fatal de todo um ecossistema cuja exploração capitalista aponta para o fim da humanidade.

Serviço

Espetáculo: Nossa Conquista
Com: Núcleo Negro de Pesquisa e Criação (NNPC)
Estreia: Dia 28 de agosto de 2026 - Sexta-feira, às 20h
Temporada: Até 3 de outubro de 2026
Horários: Sextas e sábados, às 20h. Domingos, às 18h. Quintas (24/9 e 1/10), às 20h.
Sessão com intérprete de Libras: 18/9 - Sexta, às 20h.
Valores: R$ 60,00 (inteira), R$ 30,00 (estudante, servidor de escola pública, idosos, aposentados e pessoas com deficiência), R$ 18,00 (credencial plena). Grátis: Crianças até 12 anos.
Vendas on-line: a partir de 18/8 (terça), às 17h, e presencialmente nas unidades do Sesc, a partir de 19/8 (quarta), às 17h.
Duração: 100 min. Classificação: 12 anos. Gênero: Drama.
Teatro/capacidade: 200 lugares. Acessibilidade: Sim. 

FOTOSNossa Conquista – Aqui!

Sesc Ipiranga
Rua Bom Pastor, 822 - Ipiranga. São Paulo/SP. 04203-001.

www.sescsp.org.br/ipiranga.
Na rede: @sescipiranga. 

Instagram - Núcleo Negro de Pesquisa e Criação (NNPC): @nnpc.sp 

Informações à imprensa: VERBENA Assessoria
Eliane Verbena
Tel.: (11) 99373-0181 - verbena@verbena.com.br

terça-feira, 4 de agosto de 2026

Baal - O Mito da Carne volta à cena para comemorar 30 anos do Teatro do Incêndio

Primeira montagem da Companhia, em 1996, faz agora releitura dialética para os dias correntes com direção de Marcelo Marcus Fonseca. 

Marcelo M Fonseca, Daniel Ortega (foto: Kym Kobayashi)
O Teatro do Incêndio comemora 30 anos de atividades ininterruptas em 2026 e volta ao palco com a releitura de sua primeira montagem, Baal - O Mito da Carne, de Bertolt Brecht, com direção de Marcelo Marcus Fonseca, fundador da companhia. Com estreia no dia 29 de agosto, sábado, às 20h, a peça, foi produzida com apoio da sociedade civil, sem verba institucional, e apoiada em sua bilheteria.

A primeira produção foi um dos maiores sucessos do grupo, permanecendo por dois anos em cartaz com temporadas no Teatro Oficina e apresentações em 10 unidades do Sesc São Paulo - interior e Vila Mariana.

A montagem atual se deu pela recusa do Teatro do Incêndio em fechar suas portas para o público diante da falta de subsídio. “Não aceitamos a paralização, essa situação imposta pela precariedade das políticas públicas para a Cultura em São Paulo”, diz Marcelo Marcus Fonseca, 55, diretor artístico do grupo. “É uma questão urgente, que precisa ser enfrentada, e a montagem tem como objetivo manter o Teatro do Incêndio em atividade, reabri-lo exercendo sua vocação: fazer Teatro, Anarquia e Repertório”, conclui.

Baal é inspirado no deus fenício da fertilidade e fecundação. Na peça, ele representa o retorno do homem à sua essência mais primitiva e selvagem. Rejeitando as regras da sociedade, Baal explora seus desejos sem culpa, cruzando limites entre o encantamento e a destruição, amoral, mas em um mundo amoral. Baal - O Mito da Carne conta a história do amor dilacerado entre Baal (Fonseca) e Ekart (Daniel Ortega), com referências ao tórrido romance vivido entre Rimbaud e Verlaine. Juntos, eles caminham pelo mundo deixando corpos e poesias por onde passam, ao mesmo tempo em que são consumidos por esse mundo. Formando um triângulo amoroso com Sophie (Stella Rocha), estendem ao público uma conturbada discussão dialética sobre empatia. “Baal e Ekart não se encaixam em nenhuma definição de gênero e para eles pouco importa. Isso quer dizer que não é possível rotula-los, defini-los”, comenta o diretor. O espetáculo sugere que, numa sociedade controlada pelo capital, onde as atitudes se tornam mecânicas e insossas, só uma força transgressora pode despertar as pessoas para a vida.

A montagem coloca em discussão temas como a misoginia, falsa moralidade, a imposição religiosa, a castração sexual e a valorização do dinheiro acima da vida. Encenada com toques surrealistas, característica do Teatro do Incêndio, em cena pode-se ver uma fusão de linguagens diversas de outras vanguardas históricas como expressionismo e realismo. Dessa obra primeira de Brecht, escrita pelo autor em sua juventude, e reescrita mais tarde, cinco vezes, o Incêndio cria uma dramaturgia composta entre todas as versões, sem perder a espinha dorsal proposta pelo autor.

Em cena, 12 artistas com música ao vivo traduzem o humor cínico e niilista de Brecht (em consonância com os dias atuais) em clima de cabaret ou em cenas grotescas também humoradas, perante o horror.

Esquenta Baal - Aos domingos acontece o Esquenta Baal, a partir das 18h, para quem tiver ingresso comprado. Esse público é convidado a entrar antes no teatro, levar seu vinho e beber em convívio com o elenco na preparação para a sessão.

FICHA TÉCNICA - Texto: Bertolt Brecht. Dramaturgia e direção geral: Marcelo Marcus Fonseca. Direção musical: Dedéco. Elenco: Daniel Ortega, Marcelo Marcus Fonseca, Josemir Kowalick, Anna Bia Viana, Stella Rocha, Cristiano Sales, Isabella Imparato, Lucas Costa, Rafaella Thomé e Leonardo Chagas. Assistência de direção: Stella Rocha. Iluminação: Rodrigo Sawl e Isabella Imparato. Música ao vivo: Dedéco e Xantilee Jesus. Trilha mecânica: Marcelo Marcus Fonseca e Dedéco (edições). Versão das músicas: Wanderley Martins. Versão das canções “A Moça Afogada” e “Canção da Privada”: Marcelo Marcus Fonseca. Figurinos e adereços: Olivia Albergaria e Stella Rocha. Costureira: Tereza Valério. Fotos: Kym Kobayashi. Assessoria de imprensa: Eliane Verbena. Produção: Vanda Dantas e Marcelo Marcus Fonseca. Realização: Teatro do Incêndio.

Serviço

Espetáculo: Baal - O Mito da Carne
Estreia: 29 de agosto de 2026 – Sábado, às 20h
Temporada: Até 4 de outubro - Sábados e domingos, às 20h
Duração: 105 min. Classificação: 18 anos. Gênero: Drama musical.
Ingressos: R$ 60,00 e R$ 30,00 (meia-entrada).
Vendas online: www.sympla.com.br/produtor/teatrodoincendioteatroaostragos
Bilheteria: 1h antes das sessões.
Esquenta Baal: Somente para quem adquirir ingressos antecipados pela plataforma.
Acessibilidade: sim. Ar condicionado: sim.
Local: Teatro do Incêndio
Rua Treze de Maio, 48 - Bela Vista/Bixiga. São Paulo/SP.
Contato: (11) 97592-4743 (Vanda Dantas).
Instagram: @teatrodoincendiooficial.
Estacionamento conveniado com desconto: Rua Treze de Maio, 113. 

Teatro do Incêndio – Espetáculos / Cronologia

Baal - O Mito da Carne, por Zé Celso (programa da estreia, em 1996)

“Baal deus adorado pelos seminatas como a deusa do dia de hoje: Iansã, deusa do furacão. Os profetas judeus que anunciavam o deus Mona, de concepção “elevada”, detestavam este deus que renascia incessantemente sagrando a vida orgânica, as forças elementares do sangue, da sexualidade e da fecundidade. Baal é a tendência de toda civilização que se torna rígida, ao eterno transtorno de tornar a exaltar as forças instintivas incorretas, mas responsáveis pela continuidade da vida.

No início do século foi xamado pelo poeta cantor de 21 anos, vindo com Lulu, do espírito da terra, do ventre das florestas negras para Munich, capital de capitais que fabricam a linha mecânica da civilização industrial do nosso século. Baal morreu só, na lama, olhando as estrelas e fazendo descaso. Brecht renasceu de novo & real na luta contra o capital. Mas, o cogumelo de Baal ficou na bosta fundamental de toda a sua dramaturgia, até na gula de Galileu. Deu vida de carne a todas as criaturas que mesmo no distanciamento estavam sempre como Baal cagando, olhando as estrelas e debochando.

Mas B.B. não queria a solidão. Buscou a cia, a ágora, o todo mundo em companhia de muitos baals, buscando e fracassando na conquista na condição de todos os poderes aos gulosos da vida. Seus personagens, comida e comidos, heróis comi-trágicos das altas curvas de subida e descida do capital redentora do Deus único inatingível. Bertolt Brecht não matou Baal, o que morreu olhando as estrelas, ficou no ventre de B.B. e como um guia, para que não se perdesse o seu poeta, e a carne viva de suas entidades. Até o comunismo de BB. tinha graça orgástica de Baal, a do primeiro fruto do pecado, que é de onde vem toda a árvore da vida.

Hoje, em São Pã, fim de século e milênio, Marcelo, o Fonseca xama Baal. No elevado mundo dos juros altos, das sublimações messiânicas, das florestas de arrasadas, em que até atores viram censores das elevações consensuais, compassivas dos que estão editando o globo politicamente correto, monoteísta, seco, asséptico.

Dos oasys respiração da terra, num teatro, esse Baal retorna no Brasil como o cogumelo, como muda, plantação de outra floresta e desta vez não vai morrer de solidão, nem vai ter que se esconder nos poucos vícios de seus personagens. Vai ter o luxo de todos.

Este Exu que fez nascer, Brecht, como poeta pro mundo, é invocado hoje, no domínio total da economia, da buro e tecnocratia das altas esferas que em nome do Deus único, seu Jeová $real, jogam a multidão cortada na lama. Mas da lama vem o espírito da terra, do seu inferno renascem seus exus, Baal, Dionizios, Lulus, suas fomes e suas comidas. Há um renascimento, mais que político, social, religioso, de classe ou econômico, há um renascimento vital, erótico, das forças bárbaras, guerreiras, humanas que vão montar sobre estes cavalos da tecnologia de ponta e tomarem o phoder.

No eterno transtorno das forças do espírito da terra estão de volta anunciando a humanidade ligada a sua bestialidade à sua origem vegetal, lembrando que não tem somente 2000 anos e que não nasceu para amar um só Jesus. Jesus tomou cogumelo com os Tahahumaras como conta Artaud que vem revindo com seu centenário.

Jesus é um exu como Baal que não mais vai ser crucificado, mas explodido dos quatro cantos da cruz para ser comido por toda a humanidade na lama que ressuscita neo arcaica e tecnizada, nos primeiros sinais de suas primeiras plantinhas replantadas, nos canteiros quase invisíveis dos teatros. Seus heróis renegados pelas religiões cifilizadoras chegam. Rito do Deus humano ao vivo do poeta traz Baal.

Que seja bem comido por Marcelo Fonseca para se dar de comer em banquete como um grande acontecimento social desta obra primeira, desta primeira comunhão de Bertolt Brecht, que, mesmo que morra Baal renasça com Bertolt Brecht, Marcelo Fonseca e nós todos.

(José Celso Martinez Corrêa | Paraíso, 4 de Dezembro de 1995) 

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