segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Cia de Teatro Heliópolis abre inscrições gratuitas para oficinas de dança afro e corpo em movimento

Janette Santiago e Ana Flor de Carvalho / Divulgação

A Companhia de Teatro Heliópolis está com inscrições abertas para duas oficinas de formação gratuitas. Artista da dança e do corpo, Janette Santiago ministra a oficina de dança Experimentos Afro Corpóreos - Diálogos com o Tempo, entre os dias 3 de março e 29 de maio, às quartas e sextas, das 19h às 22h. Já a dançarina e cantora Ana Flor de Carvalho conduz a vivência corporal Corpo Caminho - Memória em Movimento, que ocorre no período de 9 de março a 25 de maio, às segundas-feiras, das 19h às 22h.

Os interessados, maiores de 18 anos, devem preencher formulário disponível na Bio da página da companhia no Instagram - @ciadetetroheliópolis. As aulas ocorrem na Casa de Teatro Mariajosé de Carvalho, sede da companhia, no bairro do Ipiranga, em São Paulo.

Estas ações integram o projeto Manutenção e Modernização Casa de Teatro Mariajosé de Carvalho - Sede da Companhia de Teatro Heliópolis, Contemplado no Edital Nº 38/2024 Fomento CULTSP PNAB Módulo I, Nº de Inscrição: 38/2024-1725.0501.7433, cujo objetivo é a manutenção das atividades do espaço pelo período de 18 meses. Toda a programação será divulgada oportunamente, e poderá ser acompanhada pelas redes sociais da Companhia.

Experimentos Afro Corpóreos - Diálogos com o Tempo - com Janette Santiago

A atividade se trata de uma aula de dança negra que parte de abordagens baseadas na investigação das corporeidades afro-diaspóricas para tecer um diálogo sensível entre o que fomos, o que somos e o espaço que ocupamos. A oficina é um convite para quem deseja pausar a pressa e mergulhar em uma escuta profunda de si. Não se trata apenas de aprender movimentos, mas de descobrir, no seu próprio ritmo, caminhos que despertem leveza, presença e curiosidade, construindo, na relação com o coletivo, um terreno seguro de aprendizagem e uma memória positiva do 'fazer dançar'. Na travessia de dois encontros semanais, a dança nasce de um diálogo sensível e continuado entre corpo, memória e espaço. A voz e a escrita surgem como rastros graduais de registro, ajudando a sedimentar uma memória viva do processo.

Janette Santiago habita o entrelaço da dança, do teatro e da educação. Artista da cena e do corpo, é também educadora, manipuladora de bonecos e orientadora corporal. Sua pesquisa nasce das corporeidades afro-diaspóricas, onde pulsa memória, invenção e encontro. Fez parte do corpo docente da Escola de Dança de São Paulo, Escola Livre de Dança de Santo André e Escola Livre de Teatro de Santo André. Como orientadora corporal, colaborou com as companhias Os Crespos, Cia Heliópolis, Cia Livre de Teatro, Cia Quatro Ventos e outras. Sua atuação também se estende ao audiovisual, tendo participado da série Nós Negros (SescTV) e do videodança Sobretudo (exibido na Bienal Sesc de Dança de 2019). Integrou projetos como IC para Crianças (Itaú Cultural), Obìnrin - Corpo e Voz para Resistir e Experiências Negras (Instituto Tomie Ohtake). Ministrou vivências de dança e ações formativas nos espaços Instituto Criar, Fundação Casa, Sesc’s e Bloco Afro Ilú Obá de Min.

Corpo Caminho - Memória em Movimento - com Ana Flor de Carvalho

Esta vivência de corpo nasce da experiência de Ana Flor de Carvalho junto às comunidades tradicionais, em diálogo com a Análise do Movimento de Laban, e dos saberes compartilhados no fazer coletivo. A partir de brincadeiras cantadas, da capoeira, do bumba-meu-boi, do cacuriá e da dança do caroço, propõe uma escuta sensível do corpo em movimento, reconhecendo gestos que emergem do cotidiano, do trabalho, da festa e da relação com a terra. O percurso atravessa as movimentações naturais, investigando como o corpo se organiza, se adapta e se expressa quando cruza a natureza, o ritmo e a oralidade. A vivência articula princípios do Laban - esforço, espaço, tempo e fluência - com práticas tradicionais, ampliando a percepção do movimento como linguagem viva. Mais do que aprender formas, convida à experiência do corpo como território de memória, ancestralidade e criação, onde tradição e invenção se encontram em fluxo contínuo.

Formada em Letras pela USP, e pós-graduada em Culturas Populares e Tradicionais, poeta, compositora e intérprete, Ana Flor de Carvalho é filha da pesquisadora Daraína Pregnolatto e do mestre Tião Carvalho. Vivenciou diversas expressões e matrizes da cultura popular brasileira nos grupos Cupuaçu (SP) e Flor de Pequi (GO), assim tendo desde cedo atuação como educadora e hoje é formadora na área. Integrou, como cantora, a banda Zafenate, que tem projetos paralelos na educação de jovens da periferia e na agroecologia. Participou de shows e gravações de álbuns de artistas da MPB - Coco Raízes de Arcoverde, Zeca Baleiro, Tião Carvalho, Ana Maria Carvalho, Lia de Itamaracá, Vitoru e outros. Integra o coletivo Poesia Maloqueirista (que visa o diálogo popular, com identidade mambembe, com ações e publicações) e a banda Forró do Assaré (criada por mulheres, atuando na difusão de músicas e compositores do universo do forró). É capoeirista no Grupo Nzinga de Capoeira Angola e atriz no Grupo Xingó. Atuou no filme O Tronco (de João Batista de Andrade) e no espetáculo Territórios de Resistência, Narrativas em Disputa - Florestanias, Sertanias, Ribeirias (de Maria Thais). Depois do projeto solo Ana Flor em seu Jardim (músicas da América Latina e autorais), veio Pranto Terra (álbum lançado em 2025 com suas próprias canções e de amigos).

O projeto

Durante a execução do projeto Manutenção e Modernização Casa de Teatro Mariajosé de Carvalho serão desenvolvidas diversas atividades de formação, difusão e intercâmbios, todas oferecidas ao público de forma gratuita. O projeto também prevê a modernização do espaço com de aquisição de equipamentos de luz, som e vídeo e móveis, o que vai proporcionar melhorias nas condições técnicas assim como na acolhida do público.

As Oficinas de Formação - teatro, voz, produção teatral, corpo e dança afro - foram elaboradas com o propósito de oferecer aos participantes uma ampliação de seus repertórios e experiências artísticas. Também será realizada uma Oficina Formação Teatral em Escola Pública para alunos na EMEF Campos Salles, em Heliópolis.

A programação prevê ainda apresentação de espetáculos convidados conjugados a workshop ministrados por integrantes dos grupos, rodas de conversa para debater temas contemporâneos como as questões da negritude brasileira, a causa LGBTQI+ e o feminismo, entre outros, residência artística para grupos de teatro, uma publicação virtual com registros textuais e imagéticos dos participantes do projeto e uma curta temporada do espetáculo Cárcere ou Porque As Mulheres Viram Búfalos (texto de Dione Carlos e encenação de Miguel Rocha) com Desmontagem comentada sobre o percurso criativo que originou a obra, além de expor as provocações éticas e escolhas estéticas feitas no processo.

Serviço

Oficinas de formação
Inscrições gratuitas - Formulário: instagram.com/ciadeteatroheliopolis/
Indicação: interessados em artes cênicas, maiores de 18 anos.

Oficina:
Experimentos Afro Corpóreos - Diálogos com o Tempo
Com Janette Santiago
Inscrições: Até 20/02/2026
Quando ocorre: 03 de março a 29 de maio - Quartas e sextas - 19h às 22h

Oficina: Corpo Caminho - Memória em Movimento
Com Ana Flor de Carvalho
Inscrições: Até 03/03/2026
Quando ocorre: 09 de março a 25 de maio - Segundas - 19h às 22h 

Onde ocorre: Casa de Teatro Mariajosé de Carvalho
Rua Silva Bueno, 1.533 - Ipiranga. São Paulo/SP
Telefone: (11) 2060-0318 (WhatsApp)
Transporte público - Metrô e Terminal de Ônibus Sacomã.

Instagram: @ciadeteatroheliopolis | Facebook: @companhiadeteatro.heliopolis 

Informações à imprensa - VERBENA Assessoria
Eliane Verbena
Tel.: (11) 99373-0181 – verbena@verbena.com.br

Videoinstalação de Ruy Bento Vidal leva imersão, reflexo e reflexão ao Centro de Referência da Dança

Imagem da videoinstalação (foto/Lilica)
No dia 28 de fevereiro de 2026, sábado, às 14h, o artista visual Ruy Bento Vidal inaugura a videoinstalação imersiva Dança Comigo Essa Noite? no Centro de Referência da Dança, em São Paulo. Em curta temporada, a instalação segue aberta à visitação gratuita até o dia 16 de março, de segunda a sexta, das 10h às 21h, e aos sábados, das 14h às 21h.

A obra - que propicia uma imersão sensorial na poética do ser e estar em movimentos, sons e ilusões - apresenta a reflexão de um Ser Presente e de um Ser Virtual com a possibilidade de se conectarem em tempos e espaços etéreos. A ilusão virtual e o real colocam os espectadores em movimento, levando-os por uma trajetória na qual a experiência sensorial é vivenciada pela visão de diferentes ângulos e espacialidade.

Ruy Bento Vidal afirma que “Dança Comigo Essa Noite? busca difundir a arte como um meio de transformação e percepção sensorial, além de impactar o público nos possíveis planos de ser e de estar. Por meio do estímulo física-mental-sensorial, numa ação lúdica, a proposta é levar a arte a um papel de experimentação artística na qual o ‘ser’ proporciona sensações para além da sua existência”.

O espaço cenográfico é composto por faixas de voal (tecido leve, fino e transparente) suspensas onde ocorrem projeções de imagens da natureza, entremeadas por painéis verticais de acetato espelhado, criando um espaço de interação. As imagens em vídeo refletem nas telas de tecido ao mesmo tempo em que as imagens dos visitantes são multi-refletidas nos painéis espelhados em um sedutor jogo de imagens que lhes convida: “Dança Comigo Essa Noite?”.

O espectador vai interagir, e refletir, com a imagem de um indígena que surge em expressão corporal análoga à letra Y, com pernas juntas e braços levantados (o corpo coberto por grafismo indígenas). O indígena “pagão” masculino inicia sua dança enquanto se contamina com a evangelização cristã. Os grafismos pagãos vão se apagando até ele se tornar um “civilizado sagrado”, sem nenhum registro de sua ancestralidade. Um raio provoca nele um choque de consciência. Recebe uma veste civilizada, um short. Outro raio! E, apesar da vestimenta, fecunda-se de sua ancestralidade, mesmo no ambiente “civilizado”. Começa, então, a receber novamente no corpo os seus signos ancestrais. Agora aparece renascido indígena ancestral com o corpo recoberto de sua identidade original. 

Realizado com o apoio da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativa e Governo do Estado de São Paulo, o projeto Dança Comigo Essa Noite? propõe acentuar a espacialidade e transcendência do público para exaltar e alertar sobre os direitos dos povos indígenas, sobretudo no reconhecimento à sua ancestralidade.

Serviço

Vídeoinstalação: Dança Comigo Essa Noite?

Artista: Ruy Bento Vidal
Abertura: 28 de fevereiro - Sábado, às 14h
Temporada: 28 de fevereiro à 16 de março de 2026
Horários: Segunda a sexta, das 10h às 21h, e sábado, das 14h às 21h
Visitação gratuita. Classificação: Livre.
Siga a vídeoinstalação: Instagram.com/ruybentovidal 

Centro de Referência da Dança

Galeria Formosa - Baixos do Viaduto do Chá.
Praça Ramos de Azevedo, S/N - Centro Histórico. SP/SP. CEP: 01037-000.
Tel.: (11) 3214-3249. Na rede: @crdancasp.

FICHA TÉCNICA (videoinstalação) - Dança Comigo Essa Noite? - Autor: Ruy Bento Vidal. Direção fotográfica: Alex Ribeiro. Edição / 1ª câmera: Eduardo Acevedo. Trilha sonora: Fernando Dias Martins Netto. Ator performer: Aury Porto. Coreógrafo indígena: Jandé Nhandu Potyguara. Grafismo indígena: Mbondjapé. Coordenação geral: Corpo Rastreado. Administração: Tatiane Aragão de Andrade. Som: Studio Sonora Indoor. Vídeo: Salinas Audiovisual. Making of: Lilica. Assessoria de imprensa: Verbena Comunicação. Apoio / projeto: Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativa e Governo do Estado de São Paulo.

Ruy Bento Vidal

Paulistano, Ruy Bento Vidal é artista visual e diretor e produtor de cinema, graduado em Arquitetura e Urbanismo pela FAU-USP (1978). Foi sócio-diretor da Construtora Rizzano (1979 - 1986), da Nave Mater Indústria e Comércio (1989 - 2000) e do Studio RBV Criações Artísticas (desde 2000).

Sua trajetória de mais de 50 anos de atuação tem destaque em trabalhos de cenografia urbana e de palco, em vídeoarte e em vídeoinstalações. Entre as instalações de arte, destaque para Seres em Arame (Memorial da América Latina), Mulheres de 68 (Osasco) e Natal Praça do Obelisco (Parque do Ibirapuera). Já em vídeoinstalações, Almas Aflitas (Memorial América Latina), Mar de Lágrimas (Museu Paulo Setúbal, Tatuí), Amores Possíveis (Clube Paineiras do Morumby) e Vídeo Instalação Holográfica (Alameda Janiah, SP).

Para unidades do Sesc São Paulo, criou as cenografias Mar de Águas Vivas (Ipiranga - Virada Cultural), Tendas de Luz, De Buriquioca a Bertioga e Copa 2014 (Bertioga). Também criou cenografias para prefeituras de São Paulo, Osasco, Carapicuíba e São Bernardo do Campo. Assinou cenografias de palco para shows de Maga Lieri (Centro Cultural São Paulo), Marcos Murimbau (Teatro Guaralhufa e Livraria da Vila), Fredi Jon / Irmãs Galvão (Itaú Cultural), Movimento Elefantes (Teatro da Vila), Grupo Araticum (Teatro da Vila) e para o espetáculo Ensaio Sobre a Orgia (Espaço Pinho de Riga), além das criações XIX Olimpíadas (Ginásio São Paulo Futebol Clube) e Saravá Ogum (Ginásio Municipal de Osasco).

Ruy atua também na direção e produção de filmes de curta-metragem, entre os quais O All Star e o Sax (2015 - Melhor Filme Experimental no Festival Internacional de Curtas-metragens de Villavicenzo - FICVI, Colômbia), Boxed in (2017), Asas de Encontro (2019), Almas Aflitas (2019) e Camélias (2023), além de Anno Domini e Fênix Astral, ambos em fase de finalização. Publicou os livros Receita de Prazeres (2012), que traz receitas em forma de poesia erótica, e a trilogia Explícito 1, Explícito 2 e Explícito 3 (2020), livros de poesias e crônicas que resultaram em roteiros para seus filmes. 

Informações à imprensa - VERBENA Assessoria
Eliane Verbena
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