quinta-feira, 17 de outubro de 2024

FLORES DO MANDACARU - As Mulheres no Forró

Cacá Lopes lança livro em cordel que celebra a presença feminina no universo e na estética do forró. 

O artista pernambucano, radicado em São Paulo, Cacá Lopes lança o livro Flores do Mandacaru - As Mulheres no Forró, pela editora independente Areia Dourada, que celebra o papel essencial das mulheres nesse cenário. Ilustrada com xilogravuras de Lucélia Borges, a obra foi escrita na poética do cordel.

No dia 9 de novembro, sábado, às 18h, acontece uma sessão de autógrafos com o autor durante o tradicional Sarau Bodega do Brasil, na FESPSP - Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo.

Outros dois eventos de lançamento - bate-papo com pocket show - estão programados com a presença do autor Cacá Lopes, do mediador Antonio Carlos da Fonseca Barbosa e do sanfoneiro Cicinho Silva. No CEU Jambeiro, no dia 25 de novembro, segunda, às 19h30, o encontro tem ainda Nanda Guedes, Iris de Franco e Juliana Lima como artistas convidadas; e no Centro Cultural Chico Science o evento será abrilhantado por Bernadete França, Isabel Santos e Fatel Barbosa, no dia 8 de dezembro, domingo, às 14h.

Em forma de homenagem, Flores do Mandacaru - As Mulheres no Forró faz um mapeamento histórico e contemporâneo das mulheres que desbravaram e continuam a atuar nesse universo, desde as pioneiras às novas gerações de forrozeiras. O poeta e músico Cacá Lopes buscou elucidar as várias estéticas que se entrelaçam no terreno forrozeiro, desde a tradição aos desdobramentos contemporâneos. A literatura de cordel é o artifício narrativo para contar a história do forró pelo viés feminino e apresentar cantoras, compositoras e instrumentistas - que transitam pelo forró, xaxado e baião - dançarinas, ativistas e profissionais diversas que têm sua trajetória imersa no mundo do forró.

A obra parte de três mulheres que são referências incontestes na tradição: Anastácia (1940), a “rainha do forró”, Marinês (1935-2007), a “rainha do xaxado”, e Carmélia Alves (1923-2012), a “rainha na dinastia do baião”. Cerca de 80 personagens femininas são “cantadas” em seu cordel. São mulheres como: Maria Fulô, cantora e sanfoneira que trabalha levando o forró para as crianças; a sanfoneira e multi-instrumentista Nanda Guedes; Iris De Franco, dançarina e pesquisadora do forró urbano que busca a transformação social por meio do forró; a forrozeira e ativista Dona Joana, grande responsável pelo forró ter sido reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil, pelo Iphan, e, agora, na luta para ser também reconhecido mundialmente pela Unesco; a cantora Fatel Barbosa, que comanda o programa Pintando o Sete ao lado de Luiz Wilson, na Rádio Imprensa; a dançarina Isabel Santos, coordenadora do Fórum do Forró de Raiz de São Paulo; a cantora e multi-instrumentista Neide Nazaré. E tantas outras não menos importantes como a artista plástica e xilogravurista Lucélia Borges, que assina as ilustrações do livro.

Fruto da paixão autor pelo forró e pelo cordel, e inspirado pela força feminina nessa arte que rompeu paradigmas na difusão do forró em um terreno bastante masculino, o projeto é também um esforço para salvaguardar as duas expressões culturais. A ideia nasceu quando Cacá Lopes teve contato com o livro Flores do Mandacaru (escrito em prosa com artigos e entrevistas), do jornalista Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, que mapeia as forrozeiras do Brasil, o qual também lhe serviu como fonte de pesquisa.

A obra, embalada pela poesia de Cacá Lopes, capta a essência das forrozeiras que abriram caminhos para as novas gerações, responsáveis por manter a tradição. A estrutura em septilhas, associada às xilogravuras, confere um caráter autêntico ao projeto, que busca fortalecer a relação entre tradição e contemporaneidade, perpetuando a memória e ecoando o legado dessas mulheres para além das páginas, como um tributo à cultura popular brasileira.

Com coordenação geral de Daniela Bontempi e produção executiva de Elielma Carvalho, o projeto Flores do Mandacaru - As Mulheres no Forró foi contemplado pela 4ª Edição do Fomento ao Forró, da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo. Além da impressão de mil exemplares do livro, prevê eventos de lançamento com tradução em Libras e oficinas de cordel gratuitas.

O autor

Natural de Araripina, PE, Cacá Lopes celebra 40 anos de carreira em 2024. É cantor, compositor e poeta cordelista. O artista desenvolve, há mais de duas décadas, o projeto cultural Cordel nas Escolas, que permite a inclusão do gênero literário como ferramenta pedagógica em instituições de ensino. Como cordelista, é autor de três dezenas de cordéis, entre eles: Hino Nacional Brasileiro em Cordel, A Invasão do Estrangeirismo, Cordel do Trava Língua, Provérbios Engraçados, O Semeador de Livros, O Que é o Forró? e cordéis sobre os bairros de São Paulo. Também possui três livros publicados: Cinderela em Cordel (Ed. Claridade); Araripina em Cordel (Educon); Vida e Obra de Gonzagão (Ensinamento / Imeph). Flores do Mandacaru - As Mulheres no Forró (Areia Dourada) é sua quarta obra. Cacá é um dos fundadores do SP Cordel e do Coletivo SP Forró e integra o Fórum Estadual do Forró. Atua como curador do Festival Estética das Periferias pelo Território de Guaianases (SP) e coordena, desde 2009, o Sarau Bodega do Brasil. No dia 14 de outubro de 2024, foi contemplado com a Salva de Prata (uma das maiores honrarias do Legislativo Paulista) pelo primeiro lugar, na categoria Música, na terceira edição do Prêmio Anastácia do Forró.

Serviço

Livro: Flores do Mandacaru - As Mulheres no Forró
Autor: Cacá Lopes
Editora: Areia Dourada. Nº de páginas: 40. Ano: 2024.
Custo: R$ 30,00.
Contatos/autor: Instagram - @poeta.cacalopes | www.cacalopes.com.br 

Eventos de lançamento 

9 de novembro. Sábado, às 18h
Sessão de autógrafos - Sarau Bodega do Brasil
Local: FESPSP - Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo
Rua General Jardim, 522 - Vila Buarque. São Paulo/ SP.
Entrada gratuita. 

25 de novembro. Segunda, às 19h30
Bate-papo com o autor e pocket show
Mediação: Antonio Carlos da Fonseca Barbosa
Acordeon: Cicinho Silva
Artistas convidadas: Nanda Guedes, Iris de Franco e Juliana Lima
Local: CEU Jambeiro
Av. José Pinheiro Borges, 60 - Guaianases. SP/SP.
Entrada gratuita. Evento com intérprete de Libras. 

8 de dezembro. Domingo, às 14h
Bate-papo com o autor e pocket show
Mediação: Antonio Carlos da Fonseca Barbosa
Acordeon: Cicinho Silva
Artistas convidadas: Bernadete França, Isabel Santos e Fatel Barbosa
Local: Centro Cultural Chico Science
Rua Abagiba, 20 - Moinho Velho, Ipiranga. SP/SP.
Entrada gratuita. Evento com intérprete de Libras. 

Eventos restritos aos espaços

21 de outubro. Segunda, às 10h
Bate-papo com o autor e pocket show
Mediação: Antonio Carlos da Fonseca Barbosa
Acordeon: Cicinho Silva
Artistas convidadas: Neide Nazaré, Cacá Molgora e Maria Fulô.
Local: CEU Lajeado
Rua Manuel da Mota Coutinho, 293 - Guianases. SP/SP.
Evento fechado, com intérprete de Libras. 

4 de novembro. Segunda, a partir das 10h
Oficinas (duas): Oficina de Cordel
Ministrante: Cacá Lopes
Local: Centro Cultural Chico Science
Rua Abagiba, 20 - Moinho Velho, Ipiranga. São Paulo/SP.
Evento fechado, com intérprete de Libras. 

Assessoria de imprensa: VERBENA COMUNICAÇÃO
Eliane Verbena
Tel: (11) 99373-0181 - verbena@verbena.com.br

segunda-feira, 14 de outubro de 2024

Belic Arte.Cultura participa da Womex, na Inglaterra, pelo programa CreativeSP do Governo de São Paulo

Adriana Belic (fotos de Ana Rodrigues)

A Belic Arte.Cultura – agência e produtora fundada e dirigida por Adriana Belic - está entre as 10 empresas selecionadas para representar o estado de São Paulo na Womex - Worldwide Music Expo, uma das maiores feiras do mundo da indústria musical, que acontece entre 23 e 27 de outubro de 2024, em Manchester, na Inglaterra.

 

Esta é uma missão empresarial do Governo de São Paulo, realizada pelo CreativeSP, programa da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado e da InvestSP, agência de promoção de investimentos vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado, que visa incentivar a troca de conhecimentos, promover novos negócios, atrair investimentos estrangeiros e potencializar a geração de emprego e renda na indústria cultural. As empresas selecionadas podem trocar conhecimentos técnicos e fazer negócios com representantes de cerca de 100 países. O programa ainda promove eventos de networking durante as missões e oferece ações de consultoria, monitoramento de resultados e acompanhamento pós-evento. Conheça o programa CreativeSP.

 

Adriana Belic ressalta a importância de levar a música produzida no estado de São Paulo para um evento como a Womex: “Estaremos presentes com o selo Belic Music e a música instrumental, apresentando trabalhos dos brasileiros Filó Machado e Fabio Bergamini, além de trabalhos do baixista americano Billy Cox, da banda holandesa The Trail of Mistery; também com canção brasileira feminina que vai representada por Consuelo de Paula e Cida Moreira. Outro projeto agenciado pela Belic Arte.Cultura, o VerDe Perto, O Musical Ecológico, criado por Renata Pizi, que une música e artes cênicas para o público infantil, soma-se nessa bagagem sonora, direto de São Paulo para a Inglaterra”, declara. Festivais realizados pela agência também terão explanações/exibições na Womex, são eles: Festival das Marias - Festival Internacional das Artes no Feminino; Festival Allegria, Festival Infantojuvenil de Artes Cênicas e Música; Festival SP Roots Music e Festival SP Choro in Jazz.


A Belic Arte.Cultura é uma agência e produtora paulista que atua na criação e representação de espetáculos de música e de artes cênicas, representando artistas nacionais e internacionais, realizando curadorias para festivais e consultoria para propositura de projetos para editais e leis de incentivo, contribuindo para a execução de projetos e programas de instituições públicas e privadas. A agência tem o selo Belic Music e lançará obras de Filó Machado e Fabio Bergamini, ainda em 2024. A agencia faz a curadoria internacional para o ONFITA (desde 2020), que acontece em paralelo ao FITA - Festival Internacional de Teatro do Alentejo (Portugal), para o Festival das Marias - Festival Internacional das Artes no Feminino, edições Brasil (desde 2020) e Portugal (desde 2019), entre outros. Produziu as turnês internacionais do violonista Filó Machado (Portugal, 2024), do Beba Trio (Portugal e Alemanha, 2022), da baixista cubana Yusa (Brasil, 2015) e do baixista americano Billy Cox (Brasil, 2013), entre outras, além de inúmeras circulações nacionais de artistas brasileiros.

 


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sexta-feira, 11 de outubro de 2024

Cia. de Teatro Heliópolis faz curta temporada de Quando o Discurso Autoriza a Barbárie em sua sede

A montagem - indicada aos prêmios APCA (Direção - Miguel Rocha) e Shell (Música - Peri Pane) - discute as barbáries praticadas pelo Estado, desde a colonização.

Dalma Régia (foto de Tiggaz)
A Companhia de Teatro Heliópolis apresenta o espetáculo Quando o Discurso Autoriza a Barbárie na Casa de Teatro Mariajosé de Carvalho (sede do grupo), entre os dias 09 de novembro e 01 de dezembro de 2024. As sessões são gratuitas, aos sábados, às 20h, e domingos, às 19h. Reservas devem ser feitas pela plataforma Sympla.

Com encenação de Miguel Rocha (indicado ao Prêmio APCA 2023), a montagem coloca em cena fragmentos de períodos históricos do Brasil que elucidam as barbáries praticadas pelo Estado, “justificadas” e naturalizadas pelo discurso político nas mais diferentes esferas públicas e que continuam sendo direcionadas aos mesmos corpos.

O espetáculo é resultado de pesquisa da Companhia sobre como o Estado brasileiro, há mais de cinco séculos, desde o início da colonização portuguesa até o atual cenário político-social, vem autorizando a barbárie e seus atravessamentos, justificando privilégios, hierarquias e opressões. A Companhia compreende que investigar as origens da violência social implica compreender como a história se repete: primeiro, como tragédia; depois, como farsa, conforme Karl Marx já assinalara.

Quando o discurso autoriza a barbárie desvela muito desse conjunto de visualidades e enunciados que sustenta a violência estatal e institucional no Brasil contemporâneo. Ao radicalizar a pesquisa ético-estética desenvolvida nos últimos anos, a Companhia de Teatro Heliópolis aposta numa encenação híbrida, apoiada no desdobramento de imagens-síntese, em que os corpos das atrizes e dos atores, em diálogo com o próprio espaço cênico e suas materialidades, compõem o eixo dramatúrgico principal. E assim põe em xeque a organização lógica de eventos que compõem a história oficial do Brasil. 

O desafio de construir uma dramaturgia sem o texto, propriamente dito, traz uma abordagem nova para essa reflexão. Enquanto criadores, os integrantes da companhia aprofundam na linguagem do corpo, constroem partituras com ações corporais e jogo relacional que potencializa a simbologia da violência, considerando que apenas a palavra pode já não ser elemento suficiente para expor o discurso de forma contundente.

A construção poética das cenas, em narrativa não linear, surpreende pela concretude, pela força e sutileza ao conjugar ações físicas, atitudes, gestos e sequências corográficas, onde a iluminação (Guilherme Bonfanti) em perfeita harmonia com a música e o canto (trilha sonora original de Peri Pane e Otávio Ortega) têm papel fundamental. A encenação lança mão também de artifícios como vídeos e áudios gravados para compor a dramaturgia.

“A investigação do espetáculo constata que a barbárie e a violência sempre foram patrocinada pelo Estado, desde a exploração e dizimação dos indígenas, do uso de mão escrava, da exploração das riquezas naturais a qualquer custo e da repressão na ditadura militar. Para discutirmos estas e outras questões sociais, culturais e políticas contemporâneas, precisamos voltar o olhar para o passado, para a origem, pois elas sempre estiveram presentes”, comenta o encenador Miguel Rocha.

FICHA TÉCNICA - Concepção e encenação: Miguel Rocha. Provocação dramatúrgica: Alexandre Mate. Provocação cênica e texto para programa: Maria Fernanda Vomero. Elenco: Álex Mendes, Anderson Sales, Dalma Régia, Davi Guimarães, Fernanda Faran e Walmir Bess. Direção de movimento e estudo da Ideokinesis: Érika Moura. Direção musical: Peri Pane. Trilha sonora: Peri Pane e Otávio Ortega. Músicos (ao vivo): Alisson Amador e Denise Oliveira. Iluminação: Guilherme Bonfanti. Assistência de iluminação: Giorgia Tolaini. Cenografia: Eliseu Weide. Figurino: Samara Costa. Assistência de figurino: Paula Knop. Preparação vocal: Bel Borges e Edileuza Ribeiro. Provocação em dança: Sayô Pereira e Flávia Scheye. Organização de roteiro e edição de vídeo: Gabriel Fausztino. Animação: Teidy Nakao. Sonoplastia e operação de som: Lucas Bressanin. Operação de luz: Nicholas Matheus. Operação de vídeo: Allysson do Nascimento. Cenotecnia: Wanderley silva. Canções originais: “Invento” (Eunice Arruda e Peri Pane), “Canto da Partida” (Lucina e Peri Pane), “Liquidação Total” (Peri Pane), “Coro” (Edileuza Ribeiro). Participações: Catarina Nimbopy’rua, Edileuza Ribeiro e Tata Orokzala. Estúdio / gravação de trilha: Estúdio 100 Grilos, por Otávio Ortega. Assessoria de imprensa: Verbena Comunicação. Design gráfico: Rick Barneschi. Fotos: Rick Barneschi. Produção executiva: Leidi Araújo. Direção de produção: Dalma Régia. Idealização e produção: Companhia de Teatro Heliópolis. Realização: CULTSP - Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Governo do Estado de São Paulo. Estreia oficial: 01/09/2023.

Serviço

Espetáculo: Quando o Discurso Autoriza a Barbárie
Com: Companhia de Teatro Heliópolis
Temporada: 09 de novembro a 01 de dezembro de 2024
Horários: Sábados, às 20h, e domingos, às 19h.
Ingressos: Gratuitos - Retirar 1h antes das sessões.
Reservas online: www.sympla.com.br
Duração: 75 min. Classificação: 14 anos. Gênero: Experimental. 

Casa de Teatro Mariajosé de Carvalho
Rua Silva Bueno, 1.533 – Ipiranga. São Paulo/SP.
Telefone: (11) 2060-0318 (WhatsApp). Capacidade: 50 lugares.
Transporte público - Metro Sacomã / Terminal de Ônibus Sacomã 

Instagram: @ciadeteatroheliopolis | Facebook: @companhiadeteatro.heliopolis

Informações à imprensa: VERBENA ASSESSORIA
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quinta-feira, 10 de outubro de 2024

Memórias Póstumas de Brás Cubas, dirigido e adaptado por Regina Galdino, faz apresentações gratuitas em São Paulo

Adaptação da obra homônima de Machado de Assis rendeu ao intérprete Marcos Damigo indicações aos prêmios APCA e Aplauso Brasil.

Foto de Alex Silva Jr.

O clássico de Machado de Assis que originou o espetáculo voltou ao centro das atenções após a influenciadora americana Courtney Henning Novak viralizar um vídeo que alcançou mais de um milhão de visualizações: "O que eu vou fazer com o resto da minha vida?", declarou. 

 

A comédia musical Memórias Póstumas de Brás Cubas, interpretada por Marcos Damigo, volta ao cartaz em São Paulo em circulação por seis teatros municipais: Teatro Arthur Azevedo (6/11, às 21h), Teatro Paulo Eiró (13/11, às 21h), Centro Cultural Olido (16/11, às 19h), Teatro Alfredo Mesquita (20/11, às 21h), Teatro Cacilda Becker (27/11, às 21h) e Teatro Flávio Império (30/11, às 20h). Os ingressos são gratuitos.

 

Adaptado pela diretora Regina Galdino, o texto destaca a trajetória do anti-herói Brás Cubas, símbolo do homem burguês, sem escrúpulos e sem ética, que nos revela a continuidade de um comportamento oportunista que persiste no Brasil, desde o século XIX.

 

Brás Cubas, o "defunto autor", se assume como tendo sido um aristocrata medíocre em vida, mas mesmo assim consegue, através do riso e da sedução, conquistar a empatia do público. Ele pertence a uma elite aventureira, dividida entre o desejo liberal e a prática escravocrata. A montagem traz uma visão moderna do romance baseada na carnavalização, salientando seu aspecto cômico-fantástico. A encenação realiza uma “conversa” entre quatro artes: o teatro, a literatura, a dança e a música.

 

Em um solo vibrante, Marcos Damigo vive um Brás Cubas bem-humorado, irreverente, egoísta e amoral. Com uma narrativa não linear e fiel à obra original, o personagem dialoga com a plateia, canta, dança, discorre sobre seus envolvimentos amorosos e episódios de sua vida enquanto passeia pelas agruras da sociedade de seu tempo. “A recepção do público sempre foi ótima: uma plateia muito jovem, evidentemente interessada pela obra por causa do vestibular, misturou-se a espectadores maduros, admiradores de Machado de Assis, e foi unânime o impacto causado pelo trabalho de Damigo, ator que está na plenitude do uso de seus recursos vocais e corporais para interpretar o imprevisível Brás Cubas, em cenas ora sérias, ora cômicas, ora fantásticas, ora musicais. Tanto na adaptação quanto na direção, minha concepção brechtiana - com destaque para os aspectos filosóficos da obra - exige do ator experiência, inteligência, despojamento e versatilidade, e Marcos Damigo está impressionante no papel do irônico defunto”, afirma Regina Galdino.

 

O monólogo traz à tona toda a atualidade deste livro genial de Machado de Assis, oferecendo ao público um olhar agudo sobre a sociedade brasileira do século XIX. A equipe conta com profissionais já conhecidos da cena paulistana: além de Damigo, que tem mais de 30 anos de experiência nos palcos, o diretor musical e arranjador Pedro Paulo Bogossian, que trabalhou as músicas originais da peça criadas por Mário Manga, do antológico Premeditando o Breque, e Fábio Namatame no figurino. Regina Galdino assinou e dirigiu, em 1998, uma montagem desta mesma adaptação, interpretada por Cássio Scapin, quando o espetáculo recebeu vários prêmios e elogios da crítica.

 

FICHA TÉCNICA - Direção e adaptação de texto: Regina Galdino. Elenco: Marcos Damigo. Música original: Mário Manga. Direção musical, arranjos e trilha sonora: Pedro Paulo Bogossian. Figurino: Fábio Namatame. Coreografia: Marcos Damigo. Consultoria de movimento: Roberto Alencar. Iluminação e cenografia: Regina Galdino. Execução cenográfica: Luis Rossi. Fotos: Alex Silva Jr.. Assessoria de imprensa: Verbena Comunicação. Realização: Oasis Empreendimentos Artísticos. Estreia oficial: 20/07/2017 (Teatro Eva Herz, SP).

 

Críticas

 

Dirceu Alves Jr., jornalista e crítico de teatro da Veja São Paulo, 21/07/2017

“O espetáculo respeita e valoriza ao extremo as palavras de Machado, e Marcos Damigo reafirma talento. Surpreende como um bom interlocutor para a mensagem da obra-prima, publicada em 1881, e a confirma como assustadoramente atual. (...) O desafio superado por Damigo só se tornou ainda maior e, em uma composição que apresenta Brás Cubas como misto de clown e fantasma, o intérprete valoriza o trabalho corporal em uma linha cínica que conversa plenamente com os tipos da sociedade dos nossos tempos.”

 

Edgar Olímpio de Souza, crítico da Revista Stravaganza e membro do Prêmio APCA, 08/08/2017

“A potência e o viço dessa releitura teatral residem justamente na sua capacidade de traduzir com perspicácia o universo abordado pelo romancista. No caso, as entranhas da sociedade carioca daqueles tempos, povoada por uma elite liberal na aparência e predadora em suas atitudes, afeita ao acúmulo de riquezas e tenaz defensora de seus privilégios de classe. O público acompanha uma representação bem humorada, um afiado retrato do comportamento amoral da alta-roda, entrecortada por canções sofisticadamente desabusadas, compostas pelo músico Mário Manga, ex-Premeditando o Breque. Um repertório que passeia por gêneros musicais diversos – a música Virgília, por exemplo, é deliciosamente interpretada no estilo canto-falado da bossa nova. (...) Envergando um figurino desenhado à base de retalhos, que simboliza um corpo marcado por tripas expostas, Marcos Damigo desempenha com desembaraço, descontração e meticulosa composição corporal. Na pele dessa criatura farsesca, meio clownesca, que nunca se deixa retrair, ele conquista a audiência desde o início da apresentação. É um ator mergulhado na criação, que canta, dança, equilibra-se de cabeça para baixo. Capaz de, num olhar, mudar a expressão e gerar nuances variadas, transitando da paixão descontrolada ao egoísmo, da razão à sandice.”  

 

Michel Fernandes, do blog Aplauso Brasil, 20/09/2017

“(...) o ator, ao dar vida ao narrador-defunto, utiliza-se de poucos objetos de cena e muito de seu domínio corporal e vocal para narrar a obra. (...) Regina Galdino assina a direção da montagem que celebra 20 anos da encenação anterior, a qual também dirigiu, e não faz concessões para o riso fácil e “truques” facilitadores que dariam efeito certeiro, antes trilha o caminho de “montadora” dos recursos que o ator oferece. A bossa nova escolhida como tema em um determinado momento, além de um inteligente recurso cômico ao momento, também o é uma ironia ao próprio gênero musical. Por essas e outras, recomendo que os amantes do bom teatro não percam o espetáculo.”

 

Depoimento - Amir Labaki, diretor de cinema, jornalista e escritor, fundador e diretor do É Tudo Verdade, Festival Internacional de Documentários, 21/7/2017

“Machado + Tim Burton + Assis Valente. Dá vontade de voltar a cada performance com amigos diferentes.”

 

Serviço

 

Espetáculo: Memórias Póstumas de Brás Cubas

Circulação: 6 a 30 de novembro de 2024

Duração: 85 min. Gênero: Comédia musical. Classificação: 14 anos.

Ingressos: Gratuito – Bilheterias: 1 hora antes do início das sessões.

Teatros com acessibilidade.

Teasers: https://youtu.be/eBWT_NO0ems | https://youtu.be/8ETqIhvs2RI

Facebook - @memoriaspostumasmusical | Instagram - @marcosnauta

 

6/11 - Quarta, às 21h - Teatro Arthur Azevedo

Av. Paes de Barros, 955 - Alto da Mooca. SP/SP. 03115-020.

Tel.: (11) 2604-5558. Capacidade: 349 lugares. @teatroarthurazevedosp.

 

13/11 - Quarta, às 21h - Teatro Paulo Eiró

Av. Adolfo Pinheiro, 765 - Santo Amaro. SP/SP. 04733-100.

Tel.: (11) 5546-0449. Capacidade: 467 lugares. @teatropauloeirosp.

 

16/11 - Sábado, às 19h - Centro Cultural Olido

Av. São João, 473 - Centro Histórico. SP/SP. 01035-000.

Tel.: (11) 2899-7370. Capacidade: 236 lugares. @ccolido.

 

20/11 - Quarta (feriado), às 21h - Teatro Alfredo Mesquita

Av. Santos Dumont, 1770 - Santana. SP/SP. 02012-010.

Tel.: (11) 2221-3657. Capacidade: 198 lugares. @teatroalfredomesquita.

 

27/11 - Quarta, às 21h - Teatro Cacilda Becker

R. Tito, 295 - Lapa. SP/SP. 05051-000.

Tel.: (11) 3864-4513. Capacidade: 198 lugares. @teatrocacildabeckersp.

 

30/11 - Sábado, às 20h - Teatro Flávio Império

R. Prof. Alves Pedroso, 600 - Cangaíba. SP/SP. 03721-010.

Tel.: (11) 098397-4515. Capacidade: 206 lugares. @teatroflavioimperio.

 

PERFIS

 

Marcos Damigo (ator) - Estudou na Escola de Arte Dramática (ECA/USP), protagonizou clássicos como Hamlet (Francisco Medeiros) e O Retrato de Dorian Gray (Débora Dubois), onde também assinou a adaptação do romance de Oscar Wilde, ambos no Teatro Popular do SESI SP. Escreveu e dirigiu Leopoldina, Independência e Morte e Babilônia Tropical, que circularam pelos CCBBs, recentemente. Idealizou e protagonizou o espetáculo Deus é um DJ (Marcelo Rubens Paiva), do alemão Falk Richter, e atuou em outras obras como Dueto Para Um (Mika Lins) e Lampião e Lancelote (Débora Dubois) - prêmio Bibi Ferreira de Melhor Musical Brasileiro. Na televisão, estreou no SBT como protagonista da novela Fascinação (Walcyr Carrasco). Na Rede Globo, atuou em Joia Rara (Thelma Guedes e Duca Rachid), ganhadora do prêmio Emmy Internacional de melhor novela, e Insensato Coração (Gilberto Braga e Ricardo Linhares). Recentemente, atuou nos espetáculos O Pai, de Strindberg, direção de Regina Galdino, Os Um e Os Outros, adaptação de Horácios e Curiácios de Brecht, e Dostoiévski Trip, do russo Vladimir Sorókin, ambos com direção de Cibele Forjaz, Caros Ouvintes (Otávio Martins) e atuou no elogiado monólogo As Sombras de Dom Casmurro, baseado no romance de Machado de Assis (Débora Dubois), onde iniciou sua pesquisa com o universo deste autor.

 

Regina Galdino (direção e adaptação do texto) - Formada pela EAD, dirigiu: Intimidade Indecente, com Irene Ravache e Marcos Caruso; As Pontes de Madison, com Denise Del Vecchio e Marcos Caruso; As Turca, com Cláudia Melo e Andréa Bassitt. Em 1998, dirigiu e adaptou o premiado musical Memórias Póstumas de Brás Cubas (Machado de Assis), com Cássio Scapin. Dirigiu e é co-autora de As Favoritas do Rádio, premiado na Jornada SESC/1994 - O Teatro Musical. É diretora dos musicais infantis: Operilda na Orquestra Amazônica, de Andréa Bassitt, ganhador dos prêmios APCA de Melhor Musical para Crianças e FEMSA na categoria Especial pela divulgação da música erudita e folclórica; Operilda Cai no Choro (2023); e O Jovem Príncipe e a Verdade, de Jean-Claude Carrière. É uma das criadoras, junto com o Maestro João Maurício Galindo, da série Aprendiz de Maestro, dirigindo espetáculos de autoria de Andréa Bassitt para a série erudita infantil TUCCA, na Sala São Paulo.

 

Pedro Paulo Bogossian (arranjos e direção musical) - Formado em piano erudito pelo Instituto Musical Isaías Sávio (São Paulo), é compositor, arranjador e pianista. Reconhecido diretor musical do teatro paulista, é um dos fundadores do Grupo Circo Grafitti: Alô, Alô, Terezinha; Você Vai Ver o Que Você Vai Ver; Almanaque Brasil; e Ifigônia. Recebeu os prêmios: APCA 2013 - Melhor Espetáculo de Rua para Crianças, por Mário e as Marias; Prêmio Contigo 2010 – Melhor Musical, por Nara; SHELL/SP 2000 - Melhor Música, por Filhos do Brasil; APCA 1993 - Direção Musical por Almanaque Brasil; APETESP 1993 – Composição, por Ifigônia e Almanaque Brasil; APETESP 1989 - Composição, por Você Vai Ver o Que Você Vai Ver.

 

Fábio Namatame (figurino) - Formado em Comunicação e Artes pela FAAP (São Paulo), é figurinista, cenógrafo, visagista e diretor teatral. Criou, entre outros, os figurinos para os espetáculos, como Priscila - O musical, dirigido por Mariano Detry, My Fair Lady e Evita, dirigidos por Jorge Takla; Cabaret, Evangelho Segundo Jesus Cristo e Romeu e Julieta, dirigidos por José Possi Neto; Trilogia O Paraíso Perdido e Apocalipse 1.11, dirigidos por Antonio Araújo; Além da Linha d’Água e Mãe Gentil, dirigidos por Ivaldo Bertazzo, entre outros. Recebeu diversos prêmios Shell, APETESP, APCA, SESC de Teatro SP, Cultura Inglesa de Teatro, Carlos Gomes de Ópera, Festival de Cinema de Paulínia e SESC de Dança de Belo Horizonte.

 

Mário Manga (música original) - Guitarrista de grupos como Música Ligeira e Premeditando o Breque. Este último, mais conhecido como Premê, destacou-se tanto pelas letras irreverentes e divertidas quanto pela qualidade musical, baseada em arranjos sofisticados, fundindo MPB, choro, rock e até mesmo música erudita. Mário Manga é produtor musical paulistano com mais de 25 anos de carreira, além de estudioso da célebre banda de rock britânica The Beatles. 

 

 

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