![]() |
Crédito/foto: TIGGAZ |
Em 2022, CÁRCERE ou Porque as Mulheres Viram Búfalos ganhou o Prêmio APCA (Dramaturgia; indicado em Direção), Prêmio SHELL de Teatro (Dramaturgia e Música; indicado em Direção) e VI Prêmio Leda Maria Martins (Ancestralidade). Também foi relacionado entre os Melhores Espetáculos do Ano pela Folha de S.Paulo.
Com
encenação de Miguel Rocha e
texto de Dione Carlos, a montagem aborda a forte presença feminina no contexto do cárcere. O
enredo parte da história de duas irmãs gêmeas - Maria dos Prazeres e Maria das
Dores - com vidas marcadas pelo encarceramento dos homens da família para
apresentar as estratégias de sobrevivência, sobretudo, das mulheres em suas
comunidades. Quanto ao título, a
dramaturga explica que “faz referência às mulheres que transmutam as energias
de violência e morte e reinventam realidades”.
O espetáculo tem as mulheres - mães, esposas, companheiras, irmãs - no centro da abordagem. “São elas que carregam o fardo, que são acometidas pelos desdobramentos do encarceramento de seus parceiros ou familiares, tendo a vida emocional, a segurança física e a situação financeira abalada. A mulher se torna a força e o sustentáculo da família, e também daquele que está em situação de cárcere”, argumenta o encenador.
A história das irmãs é um disparador no enredo de CÁRCERE ou Porque as Mulheres Viram Búfalos para revelar o quanto é difícil se desvincular de uma estrutura tão complexa quanto o encarceramento. Enquanto a mãe enfrenta o sistema jurídico na tentativa de libertar o filho preso injustamente, lutando pela subsistência da família e do filho, sua irmã é refém do ex-companheiro, também encarcerado, a quem deve garantir suporte no presídio, sem ter direito a uma nova vida conjugal. Presas a um histórico circular, pois também tiveram o pai preso, elas lutam para quebrar o ciclo em um percurso espinhoso.
A ancestralidade está presente na dramaturgia e permeia a encenação de forma arquetípica. O coro aparece como uma representação da coletividade e um exercício da voz ancestral, cujos saberes resistiram à barbárie e atravessaram séculos nos corpos, nas memórias e nas crenças do(a)s africano(a)s que, escravizado(a)s, fizeram a travessia do Atlântico. “Nosso propósito é apresentar uma obra que trace o percurso dessas mulheres pretas e pobres, cujo destino é atrelado ao cárcere, e refletir sobre a situação limite em que o condenado se insere, além de mostrar que o modelo prisional vigente é cruel, discriminatório e não presta à ressocialização”, argumenta o encenador.
Como é característico nas encenações da Companhia, o espetáculo explora as ações físicas para construir um discurso poético e expressionista das relações de poder e da situação de cárcere. A música ao vivo (violino, viola, cello e percussão) potencializa esse discurso nas cenas coreografadas que denunciam e evidenciam o cotidiano em questão. O futebol, a comida, as humilhações e a disciplina imposta são passagens que elucidam a ambiguidade da proposta do sistema para a reabilitação daquele que infringiu as regras da sociedade. O encenador explica que “a música e a coreografia têm a força de expor a concretude, a precariedade e a desestrutura do espaço onde o enredo se desenvolve”.
Esta temporada de CÁRCERE ou Porque as Mulheres Viram Búfalos conta com apoio da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas, do Governo do Estado de São Paulo.
FICHA TÉCNICA - Encenação: Miguel Rocha. Assistência de direção: Davi Guimarães. Texto: Dione Carlos. Elenco: Antônio Valdevino, Dalma Régia, Davi Guimarães, Jefferson Matias, Jucimara Canteiro, Priscila Modesto, Vitor Pires e Walmir Bess. Direção musical: Renato Navarro. Assistência de direção musical: César Martini. Musicistas: Alisson Amador (percussão), Amanda Abá (violoncelo), Denise Oliveira (violino) e Jennifer Cardoso (viola). Cenografia: Eliseu Weide. Iluminação: Miguel Rocha e Toninho Rodrigues. Figurino: Samara Costa. Assistência de figurino: Clara Njambela. Costureira: Yaisa Bispo. Operação de som: Lucas Bressanin. Operação de luz: Nicholas Matheus. Cenotecnia: Wanderley Silva. Provocação vocal, arranjo e composição da música do ‘manifesto das mulheres’: Bel Borges. Provocação vocal, orientação em atuação-musicalidade e arranjo - percussão ‘chamado de Iansã’: Luciano Mendes de Jesus. Estudo da prática corporal e direção de movimento: Érika Moura. Provocação cênica: Bernadeth Alves, Carminda Mendes André e Maria Fernanda Vomero. Comentadores: Bruno Paes Manso e Salloma Salomão. Mesas de debates: Juliana Borges, Preta Ferreira, Roberto da Silva e Salloma Salomão - mediação de Maria Fernanda Vomero. Orientação de dança afro: Janete Santiago. Direção de produção: Dalma Régia. Fotos: Rick Barneschi, Tiggaz e Weslei Barba. Assessoria de imprensa: Eliane Verbena. Idealização e produção: Companhia de Teatro Heliópolis. Estreia oficial: 12/03/2022.
Serviço
Espetáculo:
CÁRCERE
ou Porque as Mulheres Viram Búfalos
Com:
Companhia de Teatro Heliópolis
Temporada: 02 a 17 de março de 2024
Horários:
Sábados, às 20h, e domingos, às 19h
Duração:
120 min. Classificação: 12 anos. Gênero: Experimental.
Ingressos:
Gratuitos. Reservas online: www.sympla.com.br
Bilheteria:
1h antes das sessões.
Casa de Teatro Mariajosé de Carvalho
Rua Silva Bueno,
1.533 – Ipiranga. São Paulo/SP.
Telefone: (11)
2060-0318 (WhatsApp). Capacidade: 50 lugares.
Transporte público - Metro Sacomã / Terminal de Ônibus Sacomã
Facebook - @companhiadeteatro.heliopolis | Instagram - @ciadeteatroheliopolis
Informações à
imprensa: VERBENA ASSESSORIA
Eliane
Verbena
(11) 99373-0181 - verbena@verbena.com.br
Nenhum comentário:
Postar um comentário