segunda-feira, 16 de julho de 2018

O Julgamento Secreto de Joana D'Arc: Silmara Deon interpreta um dos mitos mais importantes da história


Montagem com 14 atores, músicos ao vivo e momentos de lutas coreografadas traz versão inspiradora da heroína francesa para discutir a mulher de todos os tempos, inserida no contexto de uma sociedade capitalista e seus interesses. O projeto baseado em documentos originais, de 1.431, arquivados na Biblioteca Nacional da França, tem texto inédito de Aimar Labaki, direção musical e trilha original de Miguel Briamonte e direção artística de Fernando Nitsch.

Fotos: Bob Sousa
O espetáculo O Julgamento Secreto de Joana D’Arc estreia no dia 26 de julho (quinta-feira, às 20h) no Teatro Oficina, em São Paulo, com direção artística de Fernando Nitsch e direção musical de Miguel Briamonte. 

O texto de Aimar Labaki foi escrito por uma encomenda de Silmara Deon, que vive a heroína francesa numa trajetória épica que inspira coragem, há mais de 500 anos, onde o verdadeiro embate está entre a ameaça que o feminino pode provocar nas instituições estruturadas a partir do poder masculino.

De forma lúdica, a peça reproduz o ambiente de seu julgamento inquisitório e apresenta a ‘virgem de Orleans’ como uma mulher de estética comum, derrubando padrões e estereótipos impostos pela Igreja, reforçados pela maioria dos filmes e documentários que contam sua história. A peça condensa os últimos quatro meses de vida da heroína, a partir de sua captura e do confronto com o inquisidor Pierre Cauchon, interpretado por Rubens Caribé. A cenografia é assinada por Marisa Bentivegna, a iluminação por Wagner Pinto e o figurino por Daniel Infantini.

Aimar Labaki explica que não é exatamente a história de Joana D'Arc que a peça apresenta, mas a forma como é espelhada por outros olhos, principalmente os de seu inquisidor. “Esse é um processo político, mas também um julgamento íntimo que deflagra uma crise íntima; a crise de fé de Cauchon. E se tornou metáfora do processo de mediação de cada um de nós para viver o cotidiano, acreditando em algo superior para resolver as questões”, comenta o autor.

A encenação não realista é carregada de força e sensações ao expor o medo do feminino deflagrado por Joana D’Arc. O enredo aborda desde o momento em que ela é capturada pelos borgonheses numa emboscada - quando ia para a batalha em Paris - até sua morte.  “Esta é uma história aberta. Existem muitas versões de um mesmo fato, portanto temos liberdade de apresentar ‘nossa Joana’ com reflexos nos dias de hoje, representando todas as mulheres, seja ela da época da inquisição ou do mundo atual. Para isso, temos um recurso épico, além do fato da condução deste julgamento ser, por natureza, um grande circo de horrores”, argumenta o diretor Fernando Nitsch.

As personagens de O Julgamento Secreto de Joana D’Arc mantêm seus nomes reais, mas ganharam personalidades inventadas, subjetivas, abrindo uma licença poética para o inquisidor que, na encenação, faz visitas à prisioneira na cela, cheio de dúvidas e curiosidades, demonstrando fascínio pela sua determinação. E, vislumbrando a possibilidade de projeção no seu primeiro julgamento importante, Cauchon não percebe que também é uma peça de manipulação no jogo, onde somente um veredito seria possível.

Joana reunia atributos que incomodavam. Era mulher, analfabeta e uma guerreira com um carisma arrebatador, cuja liderança ganhava fama. Carregava armadura, espada e estandarte (em cima de um cavalo), comandava soldados, lutava nas batalhas e conquistava propósitos absolutamente masculinos numa época em que para a mulher não era permitida nenhuma expressão. Segundo Fernando Nitsch, a peça revela essa mulher determinada, que buscava a verdade, acima de tudo, e acreditava ter a missão de libertar a França.

E o diretor argumenta: “Em nenhum momento deram à Joana a possibilidade de se defender. Um acordo entre França e Inglaterra entra em ação para tirar de cena aquela mulher que subvertia as regras, com tudo que ela representava; e a igreja também se aproveita daquele momento. Os dois grandes poderes – a política e a igreja - se unem para condená-la como bruxa e, posteriormente, transformá-la em santa francesa. O espetáculo busca ressignificar essa história pautada pelo capital, onde a condenação de Joana D’Arc serviu a ele, e sua redenção como padroeira, também”.

“Como seria essa mulher?”, questiona Silmara. “O fato de ela ser uma santa da igreja católica, além de não haver nada que comprove sua aparência real, fez com que a sua imagem fosse sempre comparada à de uma jovem angelical, frágil e ingênua, cujos feitos seriam ordens divinas, desconsiderando sua determinação, inteligência e ações. Sua história é muito próxima dos clássicos da dramaturgia mundial. A personagem Joana D'Arc, de 19 anos, transcende todos os padrões de biótipo e idade, possibilitando uma grande liberdade de interpretação”, comenta.

Segundo a atriz, a proposta de seu projeto é estimular um diálogo sobre a condição da mulher nos dias de hoje, sem julgamentos ou críticas, para fortalecer nas pessoas o sentido de equidade. “Ao apresentar Joana quando as relações de poder serviam somente aos homens e suas instituições, a peça expõe a importância da aceitação e do entendimento das questões sobre gêneros e suas evolutivas sociais”, comenta. Para se proteger de possíveis retaliações inglesas, não sofrer abusos e pela praticidade na função de soldado, a heroína cortou os cabelos e se vestia com roupas masculinas, contrariando as regras estabelecidas e sua natureza feminina quando, pelas normas da Igreja (detentora do saber das “leis de Deus”), as mulheres serviam unicamente para casar, cuidar dos afazeres domésticos e ter filhos. “Olhando para esse passado distante, transportamos-nos para os dias de hoje ao ver os acontecimentos mundiais de intolerância e violência contra a mulher”, finaliza Silmara Deon.

A encenação

O elenco é formado por 17 integrantes, entre atores, coro de seis atrizes cantoras e três músicos. As músicas foram compostas especialmente para a peça, com exceção de uma canção de origem francesa. O maestro Briamonte criou arranjos e melodias para letras de Aimar Labaki, Bruna Alimonda, Ricardo Severo e Isabel Oliveira. “Seguindo a estética da montagem, a trilha é contemporânea, mas traz referências sonoras de séculos passados, contextualizando as cenas sem datá-las”, explica. Além do coro, as personagens Joana e Cauchon também cantam ao vivo (em conjunto ou solos) acompanhadas por piano, guitarra e violoncelo. Em alguns momentos, timbres percussivos tirados do próprio cenário completam a sonoridade explorada pelo maestro. As intervenções musicais propiciam leveza e trazem o respiro necessário à plateia, bem como potencializam a atmosfera lúdica do espetáculo. No coro de ‘joanas’, as atrizes representam todas as diferentes mulheres que foram para a fogueira. Enquanto a protagonista representa força, determinação e resistência, o coro traz uma camuflada e, ao mesmo tempo, evidente feminilidade em diferentes tipos e personalidades.

Sobre o palco da montagem, o diretor comenta: “É um desafio delicioso montar o espetáculo no Teatro Oficina, não só pelo espaço, mas também pelo atual momento político-social que está vivendo; e evocar Joana D’Arc dentro do Oficina faz todo o sentido”. Silmara Deon completa dizendo que “a estrutura inusitada do espaço é muito propícia ao contexto da peça e às batalhas coreografadas”.

Quanto à cenografia e figurinos, O Julgamento Secreto de Joana D’Arc parte da estética medieval e rústica para uma leitura contemporânea. A ambientação, em sintonia com o espaço, traz cenários sobre grandes objetos, possibilitando o jogo cênico, onde estão presentes também elementos naturais como terra, madeira e lama. Nas roupas, tecidos desgastados, couro e cores terrosas.

Origem do espetáculo

Silmara conta que, desde adolescência, quando leu a história de Joana D’Arc, carregou consigo o desejo de interpretar a personagem. Há quatro anos, deu início à concepção do espetáculo, pesquisou documentos originais dos processos de condenação e de reabilitação de Joana D’Arc e convidou Aimar Labaki para conceber o texto. Ela também foi à Orleans e visitou Donremy, local onde Joana nasceu, morou e foi batizada. “Li várias biografias e nenhuma história pode ser considerada crível em sua totalidade, pois não existem imagens, registros, objetos, relíquias... nada que comprove como ela era. Tudo foi queimado. Temos uma Joana apresentada por olhos alheios”, comenta.

O autor explica que o desafio proposto por Silmara era apresentar a mulher como afirmação do feminino dentro de um processo político mascarado pelo processo judicial. Para fazer uma leitura contemporânea dessa personagem arquetípica, Labaki revela que fez uma longa pesquisa, buscando inspiração em várias fontes. Ele conta que leu muitas biografias e livros, pesquisou peças teatrais com as mais variadas versões sobre a heroína e assistiu a filmes que contavam sua história.

Ficha técnica

Texto: Aimar Labaki
Direção: Fernando Nitsch
Direção musical: Miguel Briamonte
Elenco: Silmara Deon, Rubens Caribé, Ricardo Arantes, Rafael Costa, Yorran Furtado, Jerônimo Martins, Decio Pinto Medeiros e Mario Luiz.
Coro: Bruna Alimonda, Carol Cavesso, Giovana Cirne, Jamile Godoy, Maísa Lacerda e Priscila Esteves.
Músicos: Bruno Monteiro (piano) e Leandro Goulart (guitarra)
Assistente de direção: Isabel Oliveira
Assistente de direção musical: Carol Weingrill
Cenografia: Marisa Bentivegna
Iluminação: Wagner Pinto
Figurinos: Daniel Infantini
Coreografia de lutas e preparação corporal: Mario Luiz
Preparação e coreografias do coro: Katia Naiane
Fotos: Bob Sousa
Identidade gráfica visual: Rosane Andrade / Inquieto Art Studio
Assessoria de imprensa: Verbena Comunicação
Produção executiva: Paloma Rocha e Regilson Feliciano
Direção de produção: Silmara Deon
Realização: Nossa Senhora da Produção

Serviço

Espetáculo: O Julgamento Secreto de Joana D’Arc
Estreia: 26 de julho – quinta, às 20h
Temporada: 26/7 a 20/9 - quartas e quintas, às 20h
Ingressos: R$ 50,00 e R$ 25,00 (meia). Moradores da Bela Vista (c/ comprov. de residência): R$ 20,00.
Bilheteria: 1h antes das sessões. Aceita cartões de débito e dinheiro.
Vendas antecipadas: www.compreingressos.com.br (tel: 2122-4070).
Duração: 100 min. Classificação: 16 anos. Gênero: Drama musical.

Teatro Oficina (350 lugares)
Rua Jaceguai, 520 - Bela Vista, SP/SP.
Tel: (11) 3106-2818. http://teatroficina.com.br/

Assessoria de imprensa: VERBENA Comunicação
Eliane Verbena / João Pedro
Tel: (11) 2738-3209 / 99373-0181 - verbena@verbena.com.br

quarta-feira, 11 de julho de 2018

Secretário da Cultura do Estado Romildo Campello prestigia espetáculo da Cia de Teatro Heliópolis

MIguel Rocha, Evaristo Martins Azevedo, Romildo Campello,
 José Marcelo e Paulo César Marciano - foto de Donizete Bomfim

No último domingo, dia 8 de julho, o Secretário da Cultura do Estado de São Paulo, Romildo Campello, esteve na sede da Companhia de Teatro de Heliópolis prestigiando a última apresentação do espetáculo Sutil Violento, montagem mais recente do grupo que já trabalha no próximo espetáculo, previsto para estear no início de 2019.

A apresentação ocorreu na Casa de Teatro Maria José de Carvalho, cujo imóvel pertence ao estado de São Paulo, deixado em testamente pela proprietária, cujo nome batizou o espaço cedido à companhia. Desde 2010, o grupo desenvolve ali os processos de seus trabalhos de teatro junto às comunidades do Ipiranga e de Heliópolis, bem como apresenta as temporadas de suas montagens, realizam festivais de teatro e recebem peças teatrais de outras companhias.

Após a sessão, Romildo Campello conversou com o público que lotou o galpão de apresentações, expôs suas ideias sobre cultura e comunidade e falou sobre recursos e realidade cultural. Participaram da roda de conversa Miguel Rocha (diretor da Cia de Teatro Heliópolis), Evaristo Martins Azevedo (advogado e crítico teatral), José Marcelo (coordenador da Ação Comunitária Nova Heliópolis) e Paulo César Marciano (fundador da Editora Gráfica Heliópolis).

O secretário defendeu a necessidade de administrar melhor os recursos disponíveis e de unir forças entre Estado, comunidade e artistas para melhorar o panorama da política cultural. Segundo ele, nos últimos três anos não houve aumento de verba: “estamos trabalhando para isso, mas também não houve redução; a exceção é o fim da Banda Sinfônica do Estado, em 2017”, esclareceu.

Campello também debateu com os presentes, muitos deles artistas de teatro, sobre a formação de público para a cultura e das ações integradas para o consumo e acesso à cultura – em todo o estado e para todas as manifestações populares -, “desde o artesanato e a culinária local aos grandes eventos de projeção internacional”. E ressaltou a eficácia de políticas que respeitam as diferenças para uma necessária integração dessas políticas públicas com as ações conjuntas da sociedade.

Outro viés da conversa foi a aproximação do turismo com a cultura – Romildo já foi também Secretário de Turismo do Estado de São Paulo.  Comentou que a Secretaria de Cultura vem pesquisando um modo de fazer com que a programação cultural chegue de forma mais direta aos turistas que visitam a capital. E anunciou uma novidade: está sendo desenvolvido um aplicativo de celular que disponibilizará informações sobre a programação cultural da cidade e os eventos abertos ao público. Romildo Campello fez questão de frisar que “cultura é uma ação estratégica de desenvolvimento do estado”.

A Casa de Teatro Maria José de Carvalho fica na Rua Silva Bueno, nº 1533, no bairro Ipiranga. Telefone: (11) 2060-0318.

Samir Signeu fala sobre teatro épico no dia 15 de julho, após sessão de Cabeças Trocadas na SP escola de Teatro


O teatro épico é tema do bate-papo com Samir Signeu Porto Oliveira que acontece no dia 15 de julho (domingo), após apresentação do espetáculo Cabeças Trocadas, cuja sessão tem início às 19 horas, na SP Escola de Teatro. Samir Signeu é coordenador e professor da Escola de Teatro Recriarte e Doutor em Artes Cênicas pela USP.

Cabeças Trocadas é uma montagem do grupo Caixa de Fuxico da Cooperativa Paulista de Teatro, adaptada do romance do alemão Thomas Mann pela atriz Andrea Cavinato, com direção de Rosana Pimenta. A peça aborda sentimentos humanos intensos e a forma como as atitudes podem expressar nossos desejos mais secretos, além de expor questões ligadas ao patriarcado e ao feminino em uma trama carregada de metáforas e ironia.

Andrea Cavinato, que está em cena junto com a musicista Estela Carvalho, conduz a história e interpreta todos os personagens. O espetáculo tem sua estética no teatro épico. A encenação usa o recurso da narrativa e do ritual - somado ao teatro de sombras e à música ao vivo - para compor esse enredo filosófico e discutir as relações entre físico e espiritual, desejo e tabu, sagrado e profano.

O enredo se passa em uma aldeia na Índia. Dois amigos - bem diferentes tanto fisicamente como na condição social e na forma de pensar a vida - vivem uma estranha aventura com uma mulher, a bela Sita. Em um momento de desespero, Sita toma a decisão impensada, ajudada pela deusa Kali, de trocar a cabeça do marido com a do amigo. As consequências de suas escolhas são surpreendentes e acabam por custar a vida desse trio amoroso.

Segundo a diretora Rosana Pimenta, “a peça não aprofunda no conhecimento da cultura oriental, mas propõe questionar e refletir sobre a nossa própria cultura, flertando com os códigos do oriente, a partir da nossa perspectiva ocidental com suas amplitudes e amarras”. E Andrea Cavinato destaca como importante aspecto reflexivo da obra, o fato da deusa Kali conduzir a realização dos desejos de Sita, subvertendo as regras patriarcais, onde a mulher é propriedade do pai ou do marido não tendo direito a escolhas ou desejos.

A música executada ao vivo é propícia aos climas da narrativa, tanto no âmbito mítico dos mantras como no universo pop que já se instala Índia. Estela toca violão, flauta, escaleta, acordeon e percussão, criando uma paisagem sonora paralela, mas que também compõe a cena junto com gestos, imagens e palavras. E o teatro de sombras propõe um jogo metafórico sobre a vida, fazendo a ponte com o universo dos sonhos e da imaginação.

Ficha técnica / Serviço

Texto e concepção: Andrea Cavinato – adaptação de As Cabeças Trocadas, de Thomas Mann. Direção: Rosana Pimenta. Interpretação: Andrea Cavinato. Música ao vivo: Estela Carvalho. Direção de arte: Juliana Bertolini. Pesquisa musical: Helena Rosenthal, Juliana Bertolini e Estela Carvalho. Orientação sobre teatro de sombras: Andi Rubinstein. Iluminação: Zhé Gomes. Apoio em produção: Dani Caielli. Fotos: Priscila Reis e Vanderlei Yui. Costureira: Benê Calistro. Assessoria de imprensa: Verbena Comunicação. Produção: Carlitos Tostes.

Espetáculo: Cabeças Trocadas
Temporada: 6 de julho a 6 de agosto
Dias e horários: sexta, sábado e segunda (às 21h) e domingo (às 19h)
Ingressos: R$ 30,00 (meia entrada: R$ 15,00)
Bilheteria: 1h antes das sessões. Aceita cartão de débito e dinheiro.
Duração: 75 min. Classificação: 16 anos. Gênero: Drama.

Bate-papo após sessão
15/7 – Samir Signeu Porto Oliveira: Teatro épico
5/8 – Rosana Pimenta e Andrea Cavinato: Processo criativo

Local: SP Escola de Teatro (Sala R1)
Praça Franklin Roosevelt, 210 - Consolação. São Paulo/SP
Tel: (11) 3775-8600 - http://www.spescoladeteatro.org.br/
Acesso universal. Ar condicionado. Capacidade: 60 lugares.

Caixa de Fuxico

terça-feira, 3 de julho de 2018

Encontro com o cineasta Cristiano Burlan discute justiça na Cia. de Teatro Heliópolis


No dia 20 de julho (sexta-feira, às 16 horas) a Companhia de Teatro Heliópolis promove palestra sobre justiça com o cineasta Cristiano Burlan, autor do documentário Mataram Meu Irmão.

O evento, aberto ao público e com entrada franca, acontece na Casa de Teatro Maria José de Carvalho - sede da companhia - com mediação da jornalista e crítica teatral Maria Fernanda Vomero.

No encontro, o cineasta faz reflexões sobre os sentidos e sentimentos de justiça durante o processo de realização do filme Mataram Meu Irmão. Na pauta estão ainda os temas: Sensação de impunidade e desejo de justiçamento (ou vingança) e Repensar a justiça como exercício de imaginação política (e afetiva).

Esta atividade integra as ações do projeto Justiça - O que os Vereditos Não Revelam, contemplado pela 31ª edição do Programa Municipal de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo, que resultará no próximo espetáculo do grupo.

Cristiano Burlan - É diretor de cinema e teatro. Na década de 90 morou em Barcelona, onde dirigiu o grupo de cinema experimental Super-8. Em São Paulo, esteve à frente do grupo de teatro A Fúria. Sua filmografia soma mais de 15 títulos, entre ficções e documentários. É professor na Academia Internacional de Cinema, na Escola Superior de Artes Célia Helena e na Universidade do Estado do Amazonas. Entre seus filmes, destaque para: Mataram Meu Irmão (documentário vencedor do festival É Tudo Verdade 2013, do 40º Festival SESC de Melhores Filmes e do Prêmio do Governador do Estado de São Paulo), Hamlet (adaptação livre da peça de W. Shakespeare), Fome (premiado em diversos festivais, entre eles o Festival de Brasília, de Melhor Som e Prêmio Especial do Júri para o ator Jean-Claude Bernardet), Em Busca de Borges (ficção inspirada na obra de Jorge Luis Borges), Antes do Fim (longa com Helena Ignez e Jean-Claude Bernardet) e Elegia de um Crime (documentário que encerra sua Trilogia do Luto).

O projeto - O projeto Justiça – O que os Vereditos Não Revelam tem como objetivo investigar, ao longo de 15 meses, os sentidos e as representações de justiça, tendo por base a realidade dos integrantes da Companhia de Teatro Heliópolis como moradores da comunidade. Para tanto, buscam traçar paralelos e confrontações entre a justiça ditada pelo crime organizado local e a justiça tida como oficial, aquela praticada pelo sistema legal brasileiro. O processo de investigação e criação aborda também o estudo dos aspectos teatrais e performativos do exercício concreto da justiça, que são os elementos e as funções que compõem os rituais de julgamento: tribunal, júri, juiz, advogados, testemunhas, a própria lei etc.

Serviço

Palestra/tema: Justiça
Com: Cristiano Burlan
Data: 20 de julho. Sexta, às 16h
Mediação: Maria Fernanda Vomero
Entrada franca - não há necessidade de retirar ingresso
Duração: 120 minutos. Capacidade: 50 lugares
Realização: Companhia de Teatro Heliópolis

Casa de Teatro Maria José de Carvalho
Rua Silva Bueno, 1533, Ipiranga – SP/SP (próximo ao metrô Sacomã).
Tel.: (11) 2060-0318.
Não possui acessibilidade. Não possui estacionamento.