sexta-feira, 9 de março de 2018

Grupo 59 leva Histórias de Alexandre ao Teatro João Caetano em curta temporada


“Trata-se de uma verdadeira ‘aula’ de como contar histórias no palco. (...) Aula no sentido de que a técnica dos contadores está toda ali, esmiuçada, trabalhada e retrabalhada. Repetições, reiterações, dinâmicas de palco, respirações, pausas musicais, silêncios estratégicos, articulações vibrantes, timbres, olhares perfeitos, linguagens corporais.” (Dib Carneiro Neto)

O espetáculo infantojuvenil Histórias de Alexandre, do Grupo 59 de Teatro, reestreia no dia 24 de março no Teatro João Caetano para uma breve temporada que vai até o dia 15 de abril, sempre aos sábados e domingos, às 16 horas. Concebida a partir da obra de Graciliano Ramos, a montagem tem direção de Cristiane Paoli Quito.

A peça está indicada em cinco categorias ao Prêmio São Paulo de Incentivo ao Teatro Infantil e Jovem e sua diretora ganhou o Prêmio APCA como Personalidades Artísticas pela direção, em 2017.

Histórias e fanfarronices de um típico mentiroso do sertão estão nessa encenação, permeada por canções inéditas. Publicado em 1944 por Graciliano, o livro reúne contos coletados na cultura oral do folclore nordestino, resgatando crenças, costumes e mitos da região. Na transposição para o palco, foram selecionadas algumas histórias, mantendo na íntegra as palavras do autor.

Alexandre é um homem já velho, tem um olho torto e fala bonito: um típico contador de histórias. Está sempre acompanhado pelos moradores das redondezas e até por pessoas de consideração que vêm à sua modesta casa para ouvir suas narrativas “fanhosas”: Seu Libório, cantador de emboladas; o cego preto Firmino; mestre Gaudêncio Curandeiro, que reza contra mordedura de cobras; e Das Dores, benzedeira de quebranto. Cesária, mulher de Alexandre, está sempre por perto, e pronta para socorrer o marido quando ele se “engancha” ou é questionado em suas narrativas.

Apropriando-se do universo linguístico e das imagens sugeridas por Graciliano Ramos, Histórias de Alexandre dá corpo e voz à palavra escrita, tecendo uma “colcha de retalhos” onde os atos de contar, cantar e dramatizar se entrecruzam e criam uma poética propícia à invocação da memória afetiva.

A diretora fala da importância da apropriação das palavras pelos atores no processo criativo, já que o texto foi escrito há mais de 70 anos, com um vocabulário distinto do atual: “é fundamental que as histórias sejam compreendidas por todas as crianças e adolescentes, por isso as experimentações que fizemos com presença de público foram tão importantes para encontramos o caminho da encenação”, explica Cristiane Paoli Quito.

“A primeira coisa a se observar é o quanto o elenco está luminoso. (...). Você olha da plateia para cada um dos rostos em cena, em qualquer momento da duração do espetáculo, e é pura luz que se vê saindo de suas expressões, brotando de seus ‘jeitos de corpo’.” (D.C.N.)

A montagem reflete a atmosfera da obra literária para aconchegar os ouvintes das histórias de Alexandre, promovendo uma experiência de troca onde a simplicidade e o despojamento do ato cênico, em tom de conversa, convocam a imaginação de todos.

A musicalidade característica do Grupo 59 de Teatro tem lugar de destaque no espetáculo. As canções foram criadas coletivamente a partir de passagens do livro, tendo algumas citações ao cancioneiro popular brasileiro. O repertório traz embolada, repente, reza, canções populares e modas de viola. O coro de atores interpreta, acompanhados por violão, viola, acordeom, flautas, pífaro, berimbau e percussão, tocados ao vivo. A palavra cantada não só dá suporte à encenação como exerce função narrativa épica, lírica e dramática.

Com Histórias de Alexandre o grupo dá continuidade à investigação iniciada, em 2009, com O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá (também dirigido por Cristiane Paoli Quito), na qual busca uma forma de comunicar com a criança por meio de um jogo-brincadeira de contação de história, apoiado fundamentalmente na palavra e no trabalho corporal dos atores. A arte do grupo busca estimular nos pequenos espectadores a criatividade, a imaginação e a inventividade, características das tradicionais brincadeiras de rua e quintais.

Sinopse

Na pequena sala de Alexandre os amigos se reúnem para ouvir suas aventuras e façanhas, sempre narradas com exagero e entusiasmo. Sua mulher, Cesária, acompanha tudo de perto e nunca deixa o marido perder o fio da meada. São as histórias de Alexandre que o Grupo 59 “conta cantando” e “canta contando”: um convite para a deliciosa aventura de imaginar o possível e o impossível, pelas palavras de Graciliano Ramos.

Ficha técnica / Serviço

Texto: Graciliano Ramos. Roteiro: Cristiane Paoli Quito e Grupo 59 de Teatro. Direção geral: Cristiane Paoli Quito. Elenco: Grupo 59 de Teatro – Carol Faria, Felipe Alves, Felipe Gomes Moreira, Fernando Oliveira, Gabriel Bodstein, Gabriela Cerqueira, Jane Fernandes, Nathália Ernesto, Nilcéia Vicente, Ricardo Fialho e Thomas Huszar. Figurino: Claudia Schapira. Iluminação e ambientação: Cristina Souto. Preparação corporal: Letícia Sekito. Direção musical: Felipe Gomes Moreira e Thomas Huszar. Registro audiovisual: Vítor Meloni. Técnico de luz: Alexandre Souto e Gabriel Greghi. Técnico de Som: Nicholas Rabinovitch. Produção: Grupo 59 de Teatro. Assessoria de imprensa: Verbena Comunicação.

Espetáculo: Histórias de Alexandre
Temporada: 24 de março a 15 de abril
Dias e horários: Sábado, e domingos, às 16 horas
Duração: 60 minutos. Classificação: 6 anos. Gênero: infantojuvenil
Dia 8/4 não haverá espetáculo.

Local: Teatro João Caetano
Rua Borges Lagoa, 650 - Vila Clementina, SP/SP. Tel: 5573-3774
Ingressos: R$ 16,00 (meia entrada: R$ 8,00).
Bilheteria: 1h antes das sessões. Aceita dinheiro e cartão de débito.
Ingressos antecipados: www.sympla.com.br/historiasdealexandre  
Não possui estacionamento. Acessibilidade parcial. Capacidade: 100 lugares.

Assessoria de imprensa: VERBENA COMUNICAÇÃO
Eliane Verbena / João Pedro
(11) 2738-3209 / 99373-0181 - verbena@verbena.com.br

segunda-feira, 5 de março de 2018

Musical A Casa da Mariquinhas encerra temporada dia 11/3 no Espaço Cia da Revista

Teaser: https://1drv.ms/v/s!AlhegTgzFv17iyl2gtoJPV_3ZDZ8
Foto: divulgação

O espetáculo musical A Casa da Mariquinhas - Um cabaré português com poesia e fado encerra sua temporada dia 11 de março (domingo, às 18 horas), no Espaço Cia da Revista. Tradicional estilo musical de Portugal, o fado dá o tom ao espetáculo que tem roteiro e concepção de Helder Mariani e direção de Dagoberto feliz.

No palco, os atores-cantores - Helder Mariani, Katia Naiane, Ricardo Arantes, e Silmara Deon - costuram poesias de autores expressivos da literatura portuguesa como Fernando Pessoa, Florbela Espanca, José Régio e Bocage aos fados que marcaram a cultura lusitana. Entre as músicas, “É Loucura”, “Só Nós Dois é que Sabemos”, “Perseguição”, “Casa Portuguesa”, “Grândola Vila Morena”, “Esquina de Rua”, “Maldição” e “Estranha Forma de Vida”, além da canção-título “A Casa da Mariquinhas”. Segundo o idealizador do espetáculo Helder Mariani, “são todas obras instigantes, carregadas de nostalgia e com grande apelo dramático e teatral”.

Os espectadores, sentados em mesas espalhadas pelo Botequim Contra Regra da Cia da Revista, são envolvidos pela atmosfera dos antigos cabarés, como nos ambientes chamados “fado vadio”, em que as pessoas cantavam e bebiam junto com os fadistas. No passado, Casa da Mariquinhas foi uma animada casa de raparigas. Leiloada, se tornou uma respeitável e discreta casa de penhor. Do antigo estabelecimento nada sobrou, nem mesmo as tabuinhas nas janelas para evitar os fuxicos.

O musical se desenvolve com base em canções interpretadas pelo fadista português Alfredo Marceneiro, criadas para retratar a história da Casa da Mariquinhas, então apresentada em três momentos: o apogeu com todo o glamour peculiar ao bordel, o duro momento em que a casa é leiloada e sua transformação em casa de penhor, tendo janelas de vidro no lugar das tábuas.

Dagoberto Feliz explica que na ditadura portuguesa, enquanto alguns fadistas adaptavam letras, fazendo com que o governo de Salazar se apropriasse politicamente do fado, outros resistiram ao regime e mantiveram seu caráter contestatório e revolucionário. “Fato bastante semelhante ao que ocorreu na ditadura brasileira”, explica o diretor. Helder completa: “É inegável que o fado, ao registrar a história contemporânea de Portugal, passa também por nossa própria história”.

Ficha técnica / Serviço

Idealização e roteiro: Helder Mariani
Direção geral: Dagoberto Feliz
Elenco: Helder Mariani, Katia Naiane, Ricardo Arantes e Silmara Deon.
Ator stand in: Artur Volpi
Direção musical: Marco França
Desenho de luz: Matheus Macedo
Direção de arte: André Medeiros Martins
Identidade visual: Murilo Thaveira
Fotos: Rafael Sampaio
Realização: Cia. Da Palavra e Nossa Senhora da Produção

Espetáculo: A CASA DA MARIQUINHAS - Um cabaré português com Poesia e Fado
Temporada: 20 de janeiro a 11 de março
Horários: sábados e domingos, às 18h
Local: Espaço Cia da Revista – Botequim Contra Regra
Endereço: Alameda Nothmann, nº 1135. Campos Elíseos. SP. Tel: (11) 3791-5200
Ingressos: R$ 50,00 (inteira) e R$ 25,00 (meia).
Bilheteria: 1h antes das sessões. Aceita cartões.
Gênero: Cabaré de fado. Classificação: 12 anos. Duração: 70 min.
Capacidade: 30 lugares. Acessibilidade. Ar condicionado.
Vendas online: www.compreingressos.com - (11) 2122-4070


Assessoria de imprensa: VERBENA COMUNICAÇÃO
Eliane Verbena e João Pedro
Tel (11) 2738-3209 / 9373-0181- verbena@verbena.com.br


sexta-feira, 2 de março de 2018

Filme com Ruth Escobar, Ana Paula Arósio, Marília Gabriela e Werner Schunneman estreia em festival português


Primavera, um filme feito ao longo de mais de 20 anos, finalmente vai estrear. A exibição acontece em Lisboa, no dia 3 de março, no FESTin - Festival Itinerante da Língua Portuguesa, o mais importante de Portugal.

A história conta a saga de uma família de origem portuguesa e traz elenco estelar de mais de 40 atores em trajes de época. O filme acabou adquirindo importância histórica, sendo o último trabalho de Ruth Escobar, falecida em outubro de 2017, e de Emílio di Biasi que teve aposentadoria precoce. Entre os demais atores estão Ana Paula Arósio (único trabalho ainda inédito da atriz), Ruth de Souza (ainda na ativa aos 94 anos), Marília Gabriela, Werner Schunneman, Débora Duboc, Carlos Casagrande, Jairo Mattos e Nelson Baskerville, entre outros importantes nomes da cena paulistana e carioca.

A estreia marca tanto a volta do multipremiado cineasta Carlos Porto de Andrade Júnior, que já foi considerado o “papa do super-8”, tendo representado o Brasil em diversos festivais de curta e média metragem, inclusive em Cannes, por duas vezes, quanto sua estreia em longa-metragem.

Filme de baixo orçamento (até um milhão de reais), Primavera foi concebido no ano de 1997 e rodado em 2005, ainda em película, contando com captação de recursos apenas parcial e só agora foi viabilizado pela Notábile Filmes, produtora do ator Ricardo Ripa, por meio de coproduções e recursos próprios.

Outro atrativo é a música original, composta por Eduardo Queiroz, também autor da trilha sonora, além da interpretação da cantora portuguesa Eugenia Melo e Castro na canção de encerramento. A montagem, de Emerson Brandt, utiliza também imagens de arquivo, em diversos formatos o que, curiosamente, fez com que os organizadores do FESTin escalassem “Primavera” para concorrer entre os documentários. No início os produtores estranharam, mas o Festival confirmou a escolha. “Pensando bem, nada é normal em um filme como esse”, comenta o produtor Ricardo Ripa..

Site do filme (com trailer): www.primaveraofilme.com
Contato: Ricardo Ripa – (11) 99109-0603 / notabile@uol.com.br


terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Teatro do Incêndio realiza oficina de teatro e artes para jovens e crianças na Bela Vista


Entre as ações formativas da Cia. Teatro do Incêndio está o SOL-TE – Oficina Livre de Teatro para crianças e adolescentes. Um projeto a serviço da comunidade na qual se insere: o bairro Bixiga, na região da Bela Vista.

As inscrições - gratuitas - estão abertas entre os dias 27 de fevereiro e 9 de março. Os interessados, acompanhados por um responsável, devem se dirigir à na sede do Teatro do Incêndio (à Rua 13 de Maio, 48), apresentar foto 3 x 4 e cópias de RG e comprovante de residência.

O SOL-TE é dividido em duas turmas de 20 participantes cada: Pe.que.nos (6 a 11 anos) e E.vo.lu.ir (12 a 18 anos). As aulas serão ministradas sempre aos sábados, simultaneamente, das 13h às 14h30, a partir do dia 10 de março.

Esta iniciativa visa estimular a criatividade e o aprendizado, além de ampliar referências por meio das artes cênicas e da conscientização social. Busca por um espaço aberto, vivo, derrubando padrões de aprendizagem para erguer um lugar inquieto e inventivo, onde crianças e adolescentes possam expandir suas experiências, valorizar a cultura e os saberes populares para construir sua própria visão de mundo. O projeto promove acolhimento e mergulho em diversas áreas culturais e artísticas, a partir das artes cênicas - envolvendo teatro, música, dança, circo e cultura popular brasileira.

O objetivo é abrir as portas para a experimentação, estimular a expressão da liberdade e dos direitos e compartilhar o conhecimento, as artes e as emoções. Todas as atividades buscam o contato afetivo com a criança e o adolescente pelo desenvolvimento da linguagem, da lógica e da estética e, principalmente, pelo estímulo à criatividade e à imaginação.

Segundo a idealizadora e coordenadora do projeto, Gabriela Morato, “os encontros do SOL-TE incentivam o diálogo e a pesquisa sobre temas e questões sociais, estimula o ato de aprender não somente para futuros artistas locais, mas também para a formação de cidadãos comprometidos com a importância da cultura, do encontro, da troca entre as pessoas”.

SOL-TE é uma ação permanente da Cia. Teatro do Incêndio que teve início no ano de 2014, sendo oferecida gratuitamente em edições semestrais na sede do grupo.

Serviço

SOL-TE – Oficina Livre de Teatro
Inscrições grátis: até 09/03/18
Local: Teatro do Incêndio
Rua Treze de Maio, 48 – Bela Vista/SP. Tel: (11) 2609 3730.
Segunda e terça (13h às 20h). Quarta a sábado (13h às 15h)
Apresentar cópias de RG, comprovante de residência e foto 3x4
Público-alvo: jovens e adolescentes da região da Bela Vista.

Início das aulas: 10 de março
Turma Pe.que.nos (6 a 11 anos): sábados, das 13h às 14h30. 20 vagas.
Turma E.vo.lu.ir (12 a 18 anos): sábados, das 13h às 14h30. 20 vagas.


Assessoria de imprensa – Verbena Comunicação
Eliane verbena e João Pedro
Tel.: (11) 2738-3209 / 99373-0181 – verbena@verbena.com.br

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

Teatro do Incêndio abre inscrições para oficina cênica grátis com Kleber Montanheiro


Estão abertas, até o dia 12 de março, as inscrições para a oficina criativa Iluminar - de cenografia, figurino e iluminação cênica com o diretor Kleber Montanheiro.

Esta é a terceira edição da atividade, promovida pelo Teatro do Incêndio com parte das atividades do projeto A Gente Submersa.

Os interessados devem enviar breve currículo, carta de interesse e contatos para o e-mail produção.teatrodoincendio@hotmail.com. A oficina será realizada no período de 13 de março a 26 de junho, sempre às terças-feiras, às 19h30, na sede do teatro.

Os alunos participam de aulas teóricas e práticas, tendo a oportunidade de conhecer os fundamentos de criação das três áreas abordadas, exercitando-se e debatendo conceitos ao longo dos encontros.

O projeto A Gente Submersa, iniciado em 2017, contemplado pela 29ª edição da Lei de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo.

Serviço

Oficina: Iluminar
Ministrante: Kleber Montanheiro
Local: Teatro do Incêndio
Rua Treze de Maio, 48 – Bela Vista. SP/SP
Inscrições grátis até 12/03/18 - 20 vagas
Enviar carta de interesse e breve currículo: producao.teatrodoincendio@hotmail.com
Aulas: de 13/03 a 26/06 - Terças-feiras, das 19h30 às 22h30
Público-alvo: artistas de teatro em geral.
Os contemplados serão comunicados por e-mail.
 
Kleber Montanheiro, por Bob Sousa

Assessoria de imprensa – Verbena Comunicação
Eliane verbena e João Pedro
Tel.: (11) 2738-3209 / 99373-0181 – verbena@verbena.com.br

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

João da Cruz encerra temporada na Casa das Rosas



Foto de Danilo Batista
O espetáculo João da Cruz - inspirado nos escritos de São João da Cruz, poeta e místico espanhol do século XVI - encerra sua temporada no dia 23 de fevereiro (sexta), na Casa das Rosas – Espaço Haroldo de Campos, às 20 horas.

A montagem é um solo de Conrado Caputo com dramaturgia e encenação de Helder Mariani. A ação se passa durante nove meses em que o Frei João da Cruz - canonizado São João da Cruz pela Igreja Católica, em 1726 - foi prisioneiro dos Carmelitas Calçados, seus próprios confrades, numa cela minúscula do Convento de Toledo.

Com uma poesia e uma mística que ultrapassaram os limites do discurso religioso, a obra escrita do Frei João Cruz faz parte da literatura clássica espanhola. O monólogo retrata sua obra literária do santo com suas ideias radicais, expressas pela palavra escrita e pela sua prática de vida. Ele também carrega as contradições existenciais da humanidade que, depois da Idade Moderna, se tornam cada vez maiores. Consumido por uma sede de infinito, de Deus, vivendo numa “noite escura” espiritual, o poeta carmelita se recusa a abrir mão da luta para renovar a sua ordem religiosa e a própria Igreja do seu tempo.

O texto teatral João da Cruz parte de uma colagem de textos traduzidos de várias obras do santo. A proposta do encenador Helder Mariani é discutir sobre o homem, o poeta e o místico; sobre a vivência radical de suas ideias, sentimentos e paixões. “Nosso propósito não é apresentar uma narrativa biográfica de cunho didático”, afirma. A dramaturgia traz um João da Cruz consumido pela sede de infinito nos tempos de prisão, solitário e humilhado, sofrendo altos e baixos emocionais. “Ele reencontra sua pacificação na criação de poemas, num abandono contemplativo e na recusa a uma resposta meramente racional às questões existenciais e, principalmente, foca nos seus planos de fuga – a imaginação artística de um homem que ultrapassa a limitação da realidade e se lança numa contemplação do divino, invisível, silencioso e misterioso”.

João da Cruz ficou preso no Convento Carmelita de Toledo, de meados de dezembro de 1576 a agosto de 1577. Boa parte desse tempo ele ficou numa cela, que era uma cavidade na parede que servia de latrina para hóspedes do convento. Sem condições de higiene, com parca comida, recebendo torturas físicas e psicológicas (inclusive diante da comunidade religiosa do Carmelo), a única ideia que lhe vinha à cabeça, obsessivamente como uma inspiração divina, era a de fugir. Nos interrogatórios, o santo permaneceu firme nas suas convicções de “carmelita descalço”, termo que bem sintetiza as questões éticas e de poder que estavam em jogo, não só os pés no chão, mas o desprendimento e a real pobreza evangélica, preconizada pelo cristianismo. “Consta que João da Cruz, o poeta da noite escura, tinha um temperamento dócil, mas bem intenso, o que o torna um personagem cenicamente interessante. Suas buscas espirituais apaixonadas e suas dúvidas martirizantes tão humanas são vividas numa situação limite: a prisão e a ideia fixa de fuga”. Finaliza o encenador Helder Mariani.

Ficha técnica / serviço

Dramaturgia e encenação: Helder Mariani. Interpretação: Conrado Caputo. Direção de arte: Pedro Faraldo. Trilha sonora: Dagoberto Feliz. Fotos: Danilo Batista. Vídeo: Orion Produtora / Nidowilliam Spadotto. Produção executiva: Paloma Rocha. Realização: Cia. da Palavra

Espetáculo: João da Cruz
Local: Casa das Rosas
Av. Paulista, 37 - Paraíso, São Paulo/SP. Telefone: (11) 3285-6986
Temporada: 19 de janeiro a 23 de fevereiro de 2018. Sextas, às 20h
Ingressos: R$ 40,00 (meia: R$ 20,00). Bilheteria: 1h antes da sessão.
Aceita dinheiro e cartão de débito. Antecipados: www.compreingressos.com
Duração: 60 min. Gênero: Drama. Classificação: 14 anos.
Capacidade: 25 lugares. Acessibilidade. Site: http://www.casadasrosas.org.br/

Foto de Danilo Batista

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Teatro do Incêndio é indicado ao Prêmio Governador do Estado

Fachada do Teatro do Incêndio,
por Giulia Martins

O Teatro do Incêndio está indicado ao Prêmio Governador do Estado de São Paulo para a Cultura 2018 na categoria Territórios Culturais. Os vencedores em todas as categorias serão conhecidos na noite do dia 26 de março.

A companhia entra em cartaz no próximo dia 24 de fevereiro com o espetáculo Rebelião – o Coro de Todos os Santos, segunda peça inédita do projeto A Gente Submersa, trabalho de pesquisa sobre heranças e descaracterização da cultura e da sabedoria popular pelo esquecimento das raízes que moldaram o brasileiro.

O primeiro espetáculo, com mesmo nome do projeto, fez temporada de sucesso em 2017. E a atual montagem segue no caminho de valorizar a cultura brasileira. Trata da manifestação popular como revide contra seu apagamento, como arma de guerra no combate à intolerância religiosa, à infantilização cultural e às ingenuidades que aceitam lutas separadas e compartimentadas na sociedade moderna.

Sediado no Bixiga, o Teatro do Incêndio é tombado como Bem Imaterial e Patrimônio Cultural da cidade de São Paulo. Foi fundado, em 1996, pelo diretor, dramaturgo e ator por Marcelo Marcus Fonseca. Ao longo de sua trajetória construiu uma identidade própria que caracteriza seus espetáculos. Mantém uma oficina livre de teatro para crianças e adolescentes e uma criativa de cenário, figurino e iluminação. Recebe outros coletivos em seu espaço para a realização de residência artística e oferece vagas para jovens artistas acompanharem seus processos, no intuito de dar oportunidade de vazão a vocação e criatividade.



Assessoria de imprensa: VERBENA COMUNICAÇÃO
Eliane Verbena e João Pedro
Tel (11) 2738-3209 / 99373-0181- verbena@verbena.com.br