Adaptação da obra homônima de Machado de Assis rendeu ao intérprete Marcos Damigo indicações aos prêmios APCA e Aplauso Brasil.
Adaptado pela
diretora, o texto destaca a trajetória do anti-herói Brás Cubas, símbolo do
homem burguês, sem escrúpulos e sem ética, que nos revela a continuidade de um
comportamento oportunista que persiste no Brasil, desde o século XIX.
Brás
Cubas, o "defunto autor", se assume como
tendo sido um aristocrata medíocre em vida, mas mesmo assim consegue, através
do riso e da sedução, conquistar a empatia do público. Ele pertence a uma elite
aventureira, dividida entre o desejo liberal e a prática escravocrata. A
montagem traz uma visão moderna do romance baseada na carnavalização, salientando seu aspecto cômico-fantástico. A encenação realiza uma
“conversa” entre quatro artes: o teatro, a literatura, a dança e a música.
Em um
solo vibrante, Marcos Damigo vive um
Brás Cubas bem-humorado, irreverente, egoísta e amoral. Com uma narrativa não
linear e fiel à obra original, o personagem dialoga com a plateia, canta,
dança, discorre sobre seus envolvimentos amorosos e episódios de sua vida
enquanto passeia pelas agruras da sociedade de seu tempo. “A recepção do
público sempre foi ótima: uma plateia muito jovem, evidentemente
interessada pela obra por causa do vestibular, misturou-se a espectadores
maduros, admiradores de Machado de Assis, e foi unânime o impacto causado pelo
trabalho de Damigo, ator que está na plenitude do uso de seus recursos vocais e
corporais para interpretar o imprevisível Brás Cubas, em cenas ora sérias, ora
cômicas, ora fantásticas, ora musicais. Tanto na adaptação quanto na direção,
minha concepção brechtiana - com destaque para os aspectos filosóficos da obra -
exige do ator experiência, inteligência, despojamento e versatilidade, e Marcos
Damigo está impressionante no papel do irônico defunto”, afirma Regina Galdino.
O
monólogo traz à tona toda a atualidade deste livro genial de Machado de Assis,
oferecendo ao público um olhar agudo sobre a sociedade brasileira do século
XIX. A equipe conta com profissionais já conhecidos da cena paulistana: além de Damigo, que tem mais de 30 anos de experiência nos
palcos, o diretor musical e arranjador Pedro Paulo
Bogossian, que trabalhou as músicas originais da peça criadas por Mário Manga, do antológico Premeditando o Breque, e Fábio Namatame no figurino. Regina Galdino assinou e dirigiu,
em 1998, uma montagem desta mesma adaptação, interpretada por Cássio Scapin, quando
o espetáculo recebeu vários prêmios e elogios da crítica.
FICHA TÉCNICA - Direção e
adaptação de texto: Regina Galdino. Elenco: Marcos Damigo. Música original: Mário
Manga. Direção musical, arranjos e
trilha sonora: Pedro Paulo
Bogossian. Figurino: Fábio Namatame. Coreografia: Marcos
Damigo. Consultoria de movimento: Roberto Alencar. Iluminação e cenografia: Regina
Galdino. Execução cenográfica: Luis Rossi. Fotos: Alex Silva Jr.. Assessoria
de imprensa: Verbena Comunicação. Realização: Oasis Empreendimentos Artísticos e
Damigo Produções Artísticas. Estreia
oficial: 20/07/2017 (Teatro Eva Herz, SP).
Críticas
Dirceu Alves Jr., jornalista e crítico de teatro da Veja São Paulo,
21/07/2017
“O espetáculo respeita e valoriza ao extremo as palavras
de Machado, e Marcos Damigo reafirma talento. Surpreende como um bom
interlocutor para a mensagem da obra-prima, publicada em 1881, e a confirma
como assustadoramente atual. (...) O desafio superado por Damigo só se
tornou ainda maior e, em uma composição que apresenta Brás Cubas como misto de
clown e fantasma, o intérprete valoriza o trabalho corporal em uma linha cínica
que conversa plenamente com os tipos da sociedade dos nossos tempos.”
Edgar Olimpio de Souza, crítico da Revista Stravaganza e
membro do Prêmio APCA, 08/08/2017
“A potência e o viço
dessa releitura teatral residem justamente na sua capacidade de traduzir com
perspicácia o universo abordado pelo romancista. No caso, as entranhas da
sociedade carioca daqueles tempos, povoada por uma elite liberal na aparência e
predadora em suas atitudes, afeita ao acúmulo de riquezas e tenaz defensora de
seus privilégios de classe. O público acompanha uma representação bem humorada,
um afiado retrato do comportamento amoral da alta-roda, entrecortada por
canções sofisticadamente desabusadas, compostas pelo músico Mário Manga,
ex-Premeditando o Breque. Um repertório que passeia por gêneros musicais
diversos – a música Virgília,
por exemplo, é deliciosamente interpretada no estilo canto-falado da bossa
nova. (...) Envergando um figurino desenhado à base de retalhos, que simboliza
um corpo marcado por tripas expostas, Marcos Damigo desempenha com desembaraço,
descontração e meticulosa composição corporal. Na pele dessa criatura farsesca,
meio clownesca, que nunca se deixa retrair, ele conquista a audiência desde o
início da apresentação. É um ator mergulhado na criação, que canta, dança,
equilibra-se de cabeça para baixo. Capaz de, num olhar, mudar a expressão e
gerar nuances variadas, transitando da paixão descontrolada ao egoísmo, da
razão à sandice.”
Michel Fernandes, do blog Aplauso Brasil, 20/09/2017
“(...) o ator, ao dar
vida ao narrador-defunto, utiliza-se de poucos objetos de cena e muito de seu
domínio corporal e vocal para narrar a obra. (...) Regina
Galdino assina a direção da montagem que celebra 20 anos da encenação anterior,
a qual também dirigiu, e não faz concessões para o riso fácil e “truques”
facilitadores que dariam efeito certeiro, antes trilha o caminho de “montadora”
dos recursos que o ator oferece. A bossa nova escolhida como tema em um
determinado momento, além de um inteligente recurso cômico ao momento, também o
é uma ironia ao próprio gênero musical. Por essas e outras, recomendo que os
amantes do bom teatro não percam o espetáculo.”
Depoimento - Amir Labaki, diretor
de cinema, jornalista e escritor, fundador e diretor do É Tudo Verdade,
Festival Internacional de Documentários, 21/7/2017
“Machado
+ Tim Burton + Assis Valente. Dá vontade de voltar a cada performance com
amigos diferentes.”
Serviço
Espetáculo: Memórias
Póstumas de Brás Cubas
Temporada: 5 de março a 10 de abril de 2025
Dias/horário: quartas
e quintas, às 20h
Ingressos:
R$ 100,00 (meia-entrada R$ 50,00).
Estudantes e pessoas com 60 anos ou mais têm os descontos
legais / Clube UOL, Clube Folha e Vivo Valoriza - 50% desconto.
Lotes promocionais:
R$ 20,00 e R$ 30,00 (limite de 30 ingressos por sessão).
Duração: 85 min.
Gênero: Comédia musical. Classificação: 14 anos.
Teasers: https://youtu.be/HTS5IhrPN1Q | https://youtu.be/Ky6ZmQZlenA
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PERFIS
Marcos Damigo (ator) - Estudou na Escola de Arte Dramática
(ECA/USP), protagonizou clássicos como Hamlet
(Francisco Medeiros) e O Retrato de
Dorian Gray (Débora Dubois), onde também assinou a adaptação do romance de
Oscar Wilde, ambos no Teatro Popular do SESI SP. Escreveu e dirigiu Leopoldina, Independência e Morte e Babilônia Tropical, que circularam pelos CCBBs, recentemente. Idealizou e protagonizou o espetáculo Deus é um DJ (Marcelo Rubens Paiva), do alemão Falk Richter, e
atuou em outras obras como Dueto Para Um (Mika
Lins) e Lampião e Lancelote (Débora
Dubois) - prêmio Bibi Ferreira de Melhor Musical Brasileiro. Na televisão,
estreou no SBT como protagonista da novela Fascinação
(Walcyr Carrasco). Na Rede Globo, atuou em Joia Rara (Thelma Guedes e Duca Rachid), ganhadora do prêmio Emmy
Internacional de melhor novela, e Insensato
Coração (Gilberto Braga e Ricardo Linhares). Recentemente, atuou nos
espetáculos O Pai, de
Strindberg, direção de Regina Galdino, Os
Um e Os Outros, adaptação de Horácios
e Curiácios de Brecht, e Dostoiévski
Trip, do russo Vladimir Sorókin, ambos com direção de Cibele Forjaz, Caros Ouvintes (Otávio
Martins) e atuou no elogiado monólogo As
Sombras de Dom Casmurro, baseado no romance de Machado de Assis (Débora
Dubois), onde iniciou sua pesquisa com o universo deste autor.
Regina Galdino (direção e
adaptação do texto) - Formada pela EAD, dirigiu: Intimidade Indecente, com Irene Ravache e Marcos Caruso; As Pontes de Madison, com Denise Del
Vecchio e Marcos Caruso; As Turca,
com Cláudia Melo e Andréa Bassitt. Em 1998, dirigiu e adaptou o premiado
musical Memórias Póstumas de Brás Cubas
(Machado de Assis), com Cássio Scapin. Dirigiu e é co-autora de As Favoritas do Rádio, premiado na
Jornada SESC/1994 - O Teatro Musical. É diretora dos musicais infantis: Operilda na Orquestra Amazônica, de
Andréa Bassitt, ganhador dos prêmios APCA de Melhor Musical para Crianças e
FEMSA na categoria Especial pela divulgação da música erudita e folclórica; Operilda Cai no Choro (2023); e O Jovem Príncipe e a Verdade, de
Jean-Claude Carrière. É uma das criadoras, junto com o Maestro João Maurício
Galindo, da série Aprendiz de Maestro,
dirigindo espetáculos de autoria de Andréa Bassitt para a série erudita
infantil TUCCA, na Sala São Paulo.
Pedro Paulo Bogossian (arranjos
e direção musical) - Formado em piano erudito pelo Instituto Musical Isaías
Sávio (São Paulo), é compositor, arranjador e pianista. Reconhecido diretor
musical do teatro paulista, é um dos fundadores do Grupo Circo Grafitti: Alô, Alô, Terezinha; Você Vai Ver o Que Você Vai Ver; Almanaque Brasil; e Ifigônia. Recebeu os prêmios: APCA 2013 - Melhor Espetáculo de Rua
para Crianças, por Mário e as Marias;
Prêmio Contigo 2010 – Melhor Musical, por Nara;
SHELL/SP 2000 - Melhor Música, por Filhos
do Brasil; APCA 1993 - Direção Musical por Almanaque Brasil; APETESP 1993 – Composição, por Ifigônia e Almanaque Brasil; APETESP 1989 - Composição, por Você Vai Ver o Que Você Vai Ver.
Fábio Namatame (figurino)
- Formado em Comunicação e Artes pela FAAP (São Paulo), é figurinista,
cenógrafo, visagista e diretor teatral. Criou, entre outros, os figurinos para
os espetáculos, como Priscila - O musical, dirigido por Mariano Detry, My Fair Lady e Evita,
dirigidos por Jorge Takla; Cabaret, Evangelho Segundo Jesus Cristo e Romeu e Julieta, dirigidos por José
Possi Neto; Trilogia O Paraíso Perdido e
Apocalipse 1.11, dirigidos por
Antonio Araújo; Além da Linha d’Água
e Mãe Gentil, dirigidos por Ivaldo
Bertazzo, entre outros. Recebeu diversos prêmios Shell, APETESP, APCA, SESC de
Teatro SP, Cultura Inglesa de Teatro, Carlos Gomes de Ópera, Festival de Cinema
de Paulínia e SESC de Dança de Belo Horizonte.
Mário Manga (música
original) - Guitarrista de grupos como Música
Ligeira e Premeditando o Breque.
Este último, mais conhecido como Premê,
destacou-se tanto pelas letras irreverentes e divertidas quanto pela qualidade
musical, baseada em arranjos sofisticados, fundindo MPB, choro, rock e até
mesmo música erudita. Mário Manga é produtor musical paulistano com mais de 25
anos de carreira, além de estudioso da célebre banda de rock britânica The Beatles.
Informações à imprensa: VERBENA ASSESSORIA
Eliane
Verbena
(11) 99373-0181 - verbena@verbena.com.br
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