quarta-feira, 11 de julho de 2018

Secretário da Cultura do Estado Romildo Campello prestigia espetáculo da Cia de Teatro Heliópolis

MIguel Rocha, Evaristo Martins Azevedo, Romildo Campello,
 José Marcelo e Paulo César Marciano - foto de Donizete Bomfim

No último domingo, dia 8 de julho, o Secretário da Cultura do Estado de São Paulo, Romildo Campello, esteve na sede da Companhia de Teatro de Heliópolis prestigiando a última apresentação do espetáculo Sutil Violento, montagem mais recente do grupo que já trabalha no próximo espetáculo, previsto para estear no início de 2019.

A apresentação ocorreu na Casa de Teatro Maria José de Carvalho, cujo imóvel pertence ao estado de São Paulo, deixado em testamente pela proprietária, cujo nome batizou o espaço cedido à companhia. Desde 2010, o grupo desenvolve ali os processos de seus trabalhos de teatro junto às comunidades do Ipiranga e de Heliópolis, bem como apresenta as temporadas de suas montagens, realizam festivais de teatro e recebem peças teatrais de outras companhias.

Após a sessão, Romildo Campello conversou com o público que lotou o galpão de apresentações, expôs suas ideias sobre cultura e comunidade e falou sobre recursos e realidade cultural. Participaram da roda de conversa Miguel Rocha (diretor da Cia de Teatro Heliópolis), Evaristo Martins Azevedo (advogado e crítico teatral), José Marcelo (coordenador da Ação Comunitária Nova Heliópolis) e Paulo César Marciano (fundador da Editora Gráfica Heliópolis).

O secretário defendeu a necessidade de administrar melhor os recursos disponíveis e de unir forças entre Estado, comunidade e artistas para melhorar o panorama da política cultural. Segundo ele, nos últimos três anos não houve aumento de verba: “estamos trabalhando para isso, mas também não houve redução; a exceção é o fim da Banda Sinfônica do Estado, em 2017”, esclareceu.

Campello também debateu com os presentes, muitos deles artistas de teatro, sobre a formação de público para a cultura e das ações integradas para o consumo e acesso à cultura – em todo o estado e para todas as manifestações populares -, “desde o artesanato e a culinária local aos grandes eventos de projeção internacional”. E ressaltou a eficácia de políticas que respeitam as diferenças para uma necessária integração dessas políticas públicas com as ações conjuntas da sociedade.

Outro viés da conversa foi a aproximação do turismo com a cultura – Romildo já foi também Secretário de Turismo do Estado de São Paulo.  Comentou que a Secretaria de Cultura vem pesquisando um modo de fazer com que a programação cultural chegue de forma mais direta aos turistas que visitam a capital. E anunciou uma novidade: está sendo desenvolvido um aplicativo de celular que disponibilizará informações sobre a programação cultural da cidade e os eventos abertos ao público. Romildo Campello fez questão de frisar que “cultura é uma ação estratégica de desenvolvimento do estado”.

A Casa de Teatro Maria José de Carvalho fica na Rua Silva Bueno, nº 1533, no bairro Ipiranga. Telefone: (11) 2060-0318.

Samir Signeu fala sobre teatro épico no dia 15 de julho, após sessão de Cabeças Trocadas na SP escola de Teatro


O teatro épico é tema do bate-papo com Samir Signeu Porto Oliveira que acontece no dia 15 de julho (domingo), após apresentação do espetáculo Cabeças Trocadas, cuja sessão tem início às 19 horas, na SP Escola de Teatro. Samir Signeu é coordenador e professor da Escola de Teatro Recriarte e Doutor em Artes Cênicas pela USP.

Cabeças Trocadas é uma montagem do grupo Caixa de Fuxico da Cooperativa Paulista de Teatro, adaptada do romance do alemão Thomas Mann pela atriz Andrea Cavinato, com direção de Rosana Pimenta. A peça aborda sentimentos humanos intensos e a forma como as atitudes podem expressar nossos desejos mais secretos, além de expor questões ligadas ao patriarcado e ao feminino em uma trama carregada de metáforas e ironia.

Andrea Cavinato, que está em cena junto com a musicista Estela Carvalho, conduz a história e interpreta todos os personagens. O espetáculo tem sua estética no teatro épico. A encenação usa o recurso da narrativa e do ritual - somado ao teatro de sombras e à música ao vivo - para compor esse enredo filosófico e discutir as relações entre físico e espiritual, desejo e tabu, sagrado e profano.

O enredo se passa em uma aldeia na Índia. Dois amigos - bem diferentes tanto fisicamente como na condição social e na forma de pensar a vida - vivem uma estranha aventura com uma mulher, a bela Sita. Em um momento de desespero, Sita toma a decisão impensada, ajudada pela deusa Kali, de trocar a cabeça do marido com a do amigo. As consequências de suas escolhas são surpreendentes e acabam por custar a vida desse trio amoroso.

Segundo a diretora Rosana Pimenta, “a peça não aprofunda no conhecimento da cultura oriental, mas propõe questionar e refletir sobre a nossa própria cultura, flertando com os códigos do oriente, a partir da nossa perspectiva ocidental com suas amplitudes e amarras”. E Andrea Cavinato destaca como importante aspecto reflexivo da obra, o fato da deusa Kali conduzir a realização dos desejos de Sita, subvertendo as regras patriarcais, onde a mulher é propriedade do pai ou do marido não tendo direito a escolhas ou desejos.

A música executada ao vivo é propícia aos climas da narrativa, tanto no âmbito mítico dos mantras como no universo pop que já se instala Índia. Estela toca violão, flauta, escaleta, acordeon e percussão, criando uma paisagem sonora paralela, mas que também compõe a cena junto com gestos, imagens e palavras. E o teatro de sombras propõe um jogo metafórico sobre a vida, fazendo a ponte com o universo dos sonhos e da imaginação.

Ficha técnica / Serviço

Texto e concepção: Andrea Cavinato – adaptação de As Cabeças Trocadas, de Thomas Mann. Direção: Rosana Pimenta. Interpretação: Andrea Cavinato. Música ao vivo: Estela Carvalho. Direção de arte: Juliana Bertolini. Pesquisa musical: Helena Rosenthal, Juliana Bertolini e Estela Carvalho. Orientação sobre teatro de sombras: Andi Rubinstein. Iluminação: Zhé Gomes. Apoio em produção: Dani Caielli. Fotos: Priscila Reis e Vanderlei Yui. Costureira: Benê Calistro. Assessoria de imprensa: Verbena Comunicação. Produção: Carlitos Tostes.

Espetáculo: Cabeças Trocadas
Temporada: 6 de julho a 6 de agosto
Dias e horários: sexta, sábado e segunda (às 21h) e domingo (às 19h)
Ingressos: R$ 30,00 (meia entrada: R$ 15,00)
Bilheteria: 1h antes das sessões. Aceita cartão de débito e dinheiro.
Duração: 75 min. Classificação: 16 anos. Gênero: Drama.

Bate-papo após sessão
15/7 – Samir Signeu Porto Oliveira: Teatro épico
5/8 – Rosana Pimenta e Andrea Cavinato: Processo criativo

Local: SP Escola de Teatro (Sala R1)
Praça Franklin Roosevelt, 210 - Consolação. São Paulo/SP
Tel: (11) 3775-8600 - http://www.spescoladeteatro.org.br/
Acesso universal. Ar condicionado. Capacidade: 60 lugares.

Caixa de Fuxico

terça-feira, 3 de julho de 2018

Encontro com o cineasta Cristiano Burlan discute justiça na Cia. de Teatro Heliópolis


No dia 20 de julho (sexta-feira, às 16 horas) a Companhia de Teatro Heliópolis promove palestra sobre justiça com o cineasta Cristiano Burlan, autor do documentário Mataram Meu Irmão.

O evento, aberto ao público e com entrada franca, acontece na Casa de Teatro Maria José de Carvalho - sede da companhia - com mediação da jornalista e crítica teatral Maria Fernanda Vomero.

No encontro, o cineasta faz reflexões sobre os sentidos e sentimentos de justiça durante o processo de realização do filme Mataram Meu Irmão. Na pauta estão ainda os temas: Sensação de impunidade e desejo de justiçamento (ou vingança) e Repensar a justiça como exercício de imaginação política (e afetiva).

Esta atividade integra as ações do projeto Justiça - O que os Vereditos Não Revelam, contemplado pela 31ª edição do Programa Municipal de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo, que resultará no próximo espetáculo do grupo.

Cristiano Burlan - É diretor de cinema e teatro. Na década de 90 morou em Barcelona, onde dirigiu o grupo de cinema experimental Super-8. Em São Paulo, esteve à frente do grupo de teatro A Fúria. Sua filmografia soma mais de 15 títulos, entre ficções e documentários. É professor na Academia Internacional de Cinema, na Escola Superior de Artes Célia Helena e na Universidade do Estado do Amazonas. Entre seus filmes, destaque para: Mataram Meu Irmão (documentário vencedor do festival É Tudo Verdade 2013, do 40º Festival SESC de Melhores Filmes e do Prêmio do Governador do Estado de São Paulo), Hamlet (adaptação livre da peça de W. Shakespeare), Fome (premiado em diversos festivais, entre eles o Festival de Brasília, de Melhor Som e Prêmio Especial do Júri para o ator Jean-Claude Bernardet), Em Busca de Borges (ficção inspirada na obra de Jorge Luis Borges), Antes do Fim (longa com Helena Ignez e Jean-Claude Bernardet) e Elegia de um Crime (documentário que encerra sua Trilogia do Luto).

O projeto - O projeto Justiça – O que os Vereditos Não Revelam tem como objetivo investigar, ao longo de 15 meses, os sentidos e as representações de justiça, tendo por base a realidade dos integrantes da Companhia de Teatro Heliópolis como moradores da comunidade. Para tanto, buscam traçar paralelos e confrontações entre a justiça ditada pelo crime organizado local e a justiça tida como oficial, aquela praticada pelo sistema legal brasileiro. O processo de investigação e criação aborda também o estudo dos aspectos teatrais e performativos do exercício concreto da justiça, que são os elementos e as funções que compõem os rituais de julgamento: tribunal, júri, juiz, advogados, testemunhas, a própria lei etc.

Serviço

Palestra/tema: Justiça
Com: Cristiano Burlan
Data: 20 de julho. Sexta, às 16h
Mediação: Maria Fernanda Vomero
Entrada franca - não há necessidade de retirar ingresso
Duração: 120 minutos. Capacidade: 50 lugares
Realização: Companhia de Teatro Heliópolis

Casa de Teatro Maria José de Carvalho
Rua Silva Bueno, 1533, Ipiranga – SP/SP (próximo ao metrô Sacomã).
Tel.: (11) 2060-0318.
Não possui acessibilidade. Não possui estacionamento.