terça-feira, 27 de março de 2012

Primeiro Sinal do SESC Consolação apresenta “Abrigo”, de Raphael Ramos

Peça dirigida por Darson Ribeiro tem forte estética inspirada no butoh com intenso trabalho corporal de Henrique Ponzi.

O espetáculo “Abrigo”, do jovem dramaturgo Raphael Ramos, estreia no dia 9 de abril, segunda-feira, às 21 horas, no Espaço Beta, do SESC Consolação, dentro do projeto Primeiro Sinal. Com direção de Darson Ribeiro, a montagem é um solo estrelado pelo premiado ator pernambucano Henrique Ponzi, convidado especialmente para atuar nesta montagem, que ainda tem participação da bailarina Janaina Brizola.

Primeiro Sinal é um projeto do SESC SP que abre espaço para primeiras produções de artistas em experiências que estimulem a reflexão, seja pela dramaturgia, performance, interpretação ou mescla de linguagens, buscando visibilidade para distintas e novas formas de pensar a poética teatral contemporânea.

“Abrigo”, primeiro texto encenado de Raphael Ramos, propõe um corte psicológico entre três personagens que têm como elo um mesmo lugar – “abrigo”, cuja história é permeada por uma figura feminina. Assim, impõe-se a subversão na ordem do dramático pela ousadia no uso da linguagem que, brincando com a lógica, resulta enigmática e fragmentada.

Abrigo é o espaço onde deflagra o embate das personagens (Velho, Moço e Ela) com suas memórias, emitidas por um único interlocutor. Este ator em cena emerge da sombra para a revelação de tensões numa busca incessante do humano – do ter alguém para “abrigar-se” ou do simples e eficaz dar “abrigo”. Henrique Ponzi explica que a dramaturgia de Raphael lhe envolveu pela diferente abordagem da contenção do tempo. “Ele nos apresenta 10 anos em dois segundos. Como representar isto fisicamente?” Por isso, aceitou o convite para protagonizar a trama, pela primeira vez fora de Pernambuco.

Perguntado sobre o que o seduziu a dirigir o texto de estreia de Raphael Ramos, Darson explicou que achou desafiador e estimulante a “não entrega” que sentiu na primeira leitura. “Elas vão até o limite, mas o desfecho não acontece. A solidão fica mais forte e a vida volta a ser buscada. O texto contempla essa intensa busca para suprir certo oco no peito. Emociona e provoca sensações. Além de uma dor lancinante. Depois do denso trabalho com Disney Killer, me senti novamente provocado e absorvido. Por esse motivo, busquei o butoh,” completa. 

O enredo

As personagens foram desenhadas, primeiramente, com um intenso trabalho corporal, intensificando as relações com o outro, e com o mundo, revelando “o quê” as mantém “interligadas”. A primeira personagem vivida por Henrique Ponzi é um “Velho” que “abriga” uma jovem mulher durante uma intensa chuva, até ela transformar essa ajuda em desprezo e asco. A segunda, “Moço”, vive uma conturbada relação de dominação com a dona do mesmo “abrigo” - intercalando o presente impiedoso sem o pai (Velho) com o passado feliz com a mãe, em análoga comparação de sentimentos. Esta mesma mulher, “Ela”, aparece no que Darson denominou III Ato, e vem pra mostrar sua real relação com os homens. Aqueles dois e os do mundo – cuja força simboliza a potencialização do feminino, seja no útero da mãe, na simples amizade e relações afetivas, e no sexo.

A encenação

Segundo o diretor Darson Ribeiro, “a linguagem proposta vem alinhada com o grande desafio da dramaturgia atual que é possibilitar conflitos que podem até não serem reais, mas que, de alguma forma, criem tensões – com desdobramentos e especificidades que proporcionem vivências a um público desacostumado a novas experimentações – principalmente no ‘ser e estar’. O butoh fala disso: é com a tensão do corpo que se tenta extirpar o sofrimento.”

O diretor conta que por isso reforçou ao aspecto psicológico do texto de Raphael Ramos com a densidade de filosofias orientais. “A tensão da alma é exteriorizada pelo estiramento do corpo, resultando também numa fala necessária e pujante. Essas partituras corporais traduzem a máxima leitura das personagens e traz a simbologia do texto para o físico”. Argumenta Darson.

A sutileza e a delicadeza dos movimentos possibilitam o embate entre oposição e tensão, redução e expansão dos movimentos. “O trabalho busca reduzir o movimento a um estado corporal preciso para a melhor percepção do público sobre a intenção da cena”, explica o preparador corporal Gustavo Torres.

O cenário – assinado pelo diretor – também contempla esta atmosfera psicológica e visceral do texto: uma caixa preta delineada por telas de PVC traduz o singelo do texto – como numa caixinha de música – onde, depois da corda, a pequena bailarina dança, dança e dança... Isto, somado à luz e sombra, e técnicas de ilusionismo, intensificam o realismo-fantástico, também apresentado em lampejos e silhuetas, apoiados no corpo da bailarina Janaina Brizola.

Darson explica que o espetáculo proporciona ao público a experiência de se manter em constante estado de busca – como as personagens da peça - na tentativa de desnudar o “Abrigo”, ou ainda de entender a relação existente entre elas (EU) e o próprio espectador (TU). Ator/personagem e espectador entram em um ambiente de crueldade psicológica que os levará a um estado de angústia reflexiva e de pensamento crítico sobre si.

Espetáculo: “Abrigo”
Texto: Raphael Ramos
Direção: Darson Ribeiro
Interpretação: Henrique Ponzi
Bailarina convidada: Janaina Brizola
Assistente de direção e de produção: Ivo Leme
Cenografia e trilha sonora: Darson Ribeiro
Figurino: Cássio Brasil
Iluminação: Mirella Brandi
Preparação corporal: Gustavo Torres
Ilusionismo: Issao Yamamura
Fotografia: Eliana Souza
Programação visual: Gabriel Azevedo
Produção executiva e realização: DR - Darson Ribeiro Produções
Serviço
Estreia: dia 9 de abril - segunda-feira – às 21 horas
SESC Consolação - Espaço Beta (3º andar)
Rua Dr. Vila Nova, 245 – Tel: (11) 3234-3000
Temporada: segundas e terças-feiras – às 21 horas – Até 08/05
(Dia 1º de maio não haverá espetáculo)
Ingressos: R$ 10,00, R$ 5,00 e R$ 2,50 - 45 min – Class. etária: 14 anos
Gênero: Drama - Site. http://www.sescsp.org.br/

sexta-feira, 23 de março de 2012

Quarto 77: montagem ótima (crítica de Maria Lúcia Candeias)


Foto: Demian Golovat

Quarto 77 de Leonardo Alkmim é um texto interessante, na linha expressionista, enfocando um personagem recém separado da esposa e, talvez, em surto. Roberto Lage cria um espetáculo extremamente convincente com pouquíssimos recursos cênicos e acerta também no elenco.
Paulo Goulart Filho está arrasando, envolvendo a plateia o tempo todo. Um sério candidato a melhores do ano. Contracena com ele Maria Laura Nogueira que também convence o público. Em papel menos extenso há Gisa Guttervil.
A cenografia, simples e adequadíssima, é de Heron Medeiros, os figurinos bons e discretos são de Milton Fucci, a iluminação de Wagner Freire, assistido por Alessandra Marques, e a ótima trilha é assinada por Henrique Mello. Aline Meyer que costuma se encarregar da música está como assistente de direção.
Se você gosta de teatro bem feito, seja dramático ou não, não perca.
 Por Maria Lúcia Candeias

Espetáculo: Quarto 77
Texto: Leonardo Alkmim
Direção: Roberto Lage
Direção de produção: Erika Barbosa
Elenco: Paulo Goulart Filho, Maria Laura Nogueira e Gisa Guttervil
Cenografia: Heron Medeiros
Figurino: Milton Fucci
Assistência de direção: Aline Meyer
Trilha sonora: Henrique Mello
Iluminação: Wagner Freire
Direção de produção: Gisa Guttervil
Realização: FAZ Centro de Criação
Rua Augusta, 943 – Tel: (11) 3151-4141
Ingressos: R$ 40,00 (sexta e domingo) e R$ 50,00 (sábado)
Sexta (21h30), sábado (21h) e domingo (19h) – Até: 08/04
70 min – Drama - Classificação etária: 14 anos
http://www.ingressorapido.com.br/. Estacionamento no local

Páscoa na Casa Santa Luzia é um show de sabor com chocolates belga

A Linha de Páscoa 2012 da Casa Santa Luzia mistura cores, personalidade e o sabor e a qualidade do chocolate belga, diferencial que vem acompanhando seus presentes de chocolate nos últimos anos.

Para os adultos, uma grande variedade de Ovos Clássicos em vários sabores: chocolate ao leite; meio amargo; trufado meio amargo; crocante com pistache, castanha de caju ou amêndoas; ao leite com gianduia. As embalagens de tecido marrom, evidenciando a cor do chocolate, trazem seus diferentes sabores identificados por laços coloridos, dando elegância e descontração à coleção. Esta linha oferece também duas opções de Ovos Diet (250g e 350g, meio amargo).

A Linha Cerâmica vem em embalagens temáticas de design descontraído (potes, colher, xícaras). Recheada de ovos de chocolate de diversos sabores, a linha oferece o sabor do chocolate somado às belas peças decorativas. Na Linha Tubetes, ovinhos coloridos em embalagens de acetato dão graça à Páscoa da Casa e acompanham as cores e sabores dos ovos clássicos. A Páscoa da Santa Luzia tem ainda uma série de chocolates, assinados pela chef Renata Arassiro, que desenvolveu por mais um ano uma coleção exclusiva, que inclui ovos esculturais e outros itens deliciosos e criativos.

Para as crianças, além dos tradicionais Ovinhos em Patchwork, este ano a loja traz a Linha Fofinhos (embalagens de acetato com ovinhos, decoradas com mini coelhos e galinhas de tecido). As novidades infantis em destaque são as miniaturas de Carrinhos e Cestinhas de supermercado, verdadeiros mimos cheios de ovinhos de chocolates em variados sabores com mini coelhos em tecido e pelúcia.

As Colombas Pascais também são encontradas em grande variedade na Casa Santa Luzia. De sua própria importação, as colombas da marca italiana Balocco, por exemplo, são encontradas em caixas, embalagens para presente e em bonitas latas decoradas.
Linha de Páscoa completa no site www.santaluzia.com.br

CASA SANTA LUZIA

Al. Lorena, 1471 - SP/SP - Tel (11) 3897-5000

quarta-feira, 21 de março de 2012

SESC Santana apresenta “João Pacífico, o Poeta do Sertão”

Grupo de Teatro Pingo D’Água faz três únicas apresentações em São Paulo dias 13, 14 e 15 de abril, sob direção de Roberto Vignati que comemora 50 anos de carreira. O projeto tem apoio do Ministério da Cultura – PRONAC.

O SESC Santana apresenta o musical em dois atos João Pacífico, o Poeta do Sertão – do Grupo de Teatro Pingo D’Água, de Cordeirópolis, SP - nos dias 13, 14 e 15 de abril, sexta e sábado (às 21 horas) e domingo (às 18 horas). O diretor Roberto Vignati, que também assina o texto da montagem, está comemorando 50 anos de vida artística.

Vignati, premiado diretor nas décadas de 70, 80 e 90, ganhou destaque por trabalhos memoráveis como Bent, de Martin Sherman, Bella Ciao, de Luiz Alberto de Abreu, e Brincando em Cima Daquilo, de Dario Fo e Franca Rame, com Marília Pêra no elenco. Sua biografia registra direção de mais de 150 peças, além de novelas e seriados e passagens por todas as emissoras de televisão brasileiras.

João Pacífico, o Poeta do Sertão apresenta a vida e a obra (poética e musical) de um dos mais importantes ícones sertanejos, uma das figuras mais populares do cancioneiro brasileiro dos anos 50, 60 e 70 do século XX. João Pacífico é homenageado e celebrado neste musical, tendo como protagonista Célio Nascimento, além de outros 22 intérpretes, três músicos e cinco atores mirins. O elenco se reveza no palco, interpretando vários papéis e revivendo, com emoção e humor, as histórias que permearam a vida do compositor.

Os números musicais, executados ao vivo, revivem 28 das principais músicas deste que é considerado por muitos como o “Noel Rosa da música caipira” ou “Tom Jobim da música sertaneja“. O roteiro traz suas canções mais conhecidas e outras inéditas, que acabaram ganhando arranjos especiais para o espetáculo.

Paulista, João Pacífico nasceu em 1910, em Cordeirópolis, e morreu em 1989, em Guararema, totalmente esquecido. Sem conhecer partitura ou tocar qualquer instrumento, o compositor escreveu e musicou mais de 500 canções; cerca de 1.450 gravações de obras suas foram registradas por vários artistas.

Em cartaz desde 2006, o espetáculo chega à Capital depois de percorrer várias cidades do interior e ter sido apresentado no Rio de Janeiro, em Campo Grande e no Paraná. A montagem já recebeu 25 prêmios, entre eles o Prêmio Mapa Cultural do Estado de São Paulo, em 2008, e Célio Nascimento foi eleito o melhor ator, por quatro vezes, em festivais nacionais de teatro.

O enredo

O musical João Pacífico, o Poeta do Sertão narra fatos engraçados e emocionantes da história desse quase perdedor, nascido embaixo de um pé de café, filho de ex-escrava e de pai desconhecido. O público vai se emocionar com a trajetória de luta e perseverança de Pacífico, até ele atingir o sucesso e se transformar em um dos mais reverenciados nomes da nossa música de raiz.

Segundo Roberto Vignati, a peça não se prende a uma ordem cronológica rigorosa, acontece em vários planos e se passa na memória do protagonista, durante um programa de televisão popular com o título de Isto é a Sua Vida. “O principal objetivo do texto é colocar no palco o rico universo do criador da toada histórica”, comenta o diretor/autor.

A montagem retrata momentos como o seu primeiro trabalho como lavador de pratos nos trens da Cia. Paulista, sua passagem pela casa da irmã de Carlos Gomes, onde a mãe trabalhou como empregada, sua ida para São Paulo nas primeiras décadas do século passado, seu casamento com Deolinda, que lhe deu o filho Juca, e sua carreira de sucesso ao lado do parceiro, também compositor e cantor, Raul Torres.

“Quero que sua obra cheia de poesia e simplicidade, perpetue em nossos corações a urgente necessidade de convivermos mais com o belo, nesses amargos tempos em que estamos vivendo”. Finaliza o diretor Roberto Vignati

Dias 13 e 14 e 15 de abril
SESC Santana (Teatro)
Av. Luiz Dumont Villares, 579 – Santana/SP - Tel: (11) 2971-8700
Horários: sexta e sábado (às 21 horas) e domingo (às 18 horas)
Classificação etária: 12 anos. Duração: 2h30 (c/ intervalo de 15 min).
Ingressos: Grátis (em todas as unidades SESC e CineSESC, a partir de 14h do dia 30/3)
Acesso universal. Ar condicionado. Estacionamento por período: R$ 7,00 (desconto de 50% para matriculados no SESC). Site: www.sescsp.org.br.

Espetáculo: João Pacífico, o Poeta do Sertão
Com: Grupo de Teatro Pingo d’Água
Texto e direção geral: Roberto Vignati
Direção musical, arranjos e partituras: Emanuel Massaro
Figurinos e adereços: Vladimir Corrêa, a direção e o grupo
Criação de luz, efeitos sonoros e seleção musical: Roberto Vignati
Criação de vídeo: Danilo Fernandes
Apoio cultural: MinC - Ministério da Cultura - PRONAC

Elenco: Célio Nascimento (Pacífico mais velho), Erick de Souza (Pacífico adulto), Vinícius Vilela (Pacífico menino), Ana Magalhães (Apresentadora), Angelo Ferreira (Guilherme de Almeida e Freddy), Denise Silva (Nhá Domingas, Fã Dengosa, Musa e Maria Antônia), Pamela Rodrigues (Deda mais velha), Emilly Cavalcanti (Deda mais nova e Neta), Camila Hespanhol (Marta e Fã Maluca), Pietra Tomazela e/ou Bianca Baroza (Menina da “Cabocla Tereza”), Emanuel Massaro (Boiadeiro de Barretos), Débora Vidoretti (Cantora), Tatiane Merelles (Lua e Empregada), Sílvia Hespanhol (Fã cantora), Gabriela Gomes (Fã conhecedora), Zé Carlos (Paraguassu e Provocador de Barretos), Marcos Barrocas (Raul Torres e Delegado Nogueira) e Lucas Vieira (Policial)
Participações: Amanda Rosa, Bianca Barboza, Gabriela Gomes, Grace Kelly, Lorayne Larissa, Natália Lemos, Pietra Tomazela, Lucas Vieira e Zé Carlos.
Músicos: Emanuel Massaro (violão e viola caipira), Débora Vidoretti (violão e flauta e percussão) e Rui Kleiner (bandolim, escaleta e percussão).

Músicas

1º Ato: Mourão da Porteira, Seu João Nogueira, Chico Mulato, Pingo D’Água, Cobra Venenosa e Ranchinho Abandonado (todas parcerias de João Pacífico e Raul Torres), Pirangi (de J. Pacífico e Freddy Mogentale), Doce de Coco (J. P. e Jacob do Bandolim), Gostinho de Saudade (J. P. e Piraci), Tomando Quentão (J. P. e Arnaldo Meirelles), Goteira, Vai se Chamar Saudade, Doce de Cidra, No Banquinho, Distante, Belezas do Sertão, Minha Rua e Tapera Caída.
 
2º Ato: Viola Cor de Vinho (J. P. e Emanuel Massaro), Cabocla Tereza (J. P. e Raul Torres), Aiá, Cadê o Lírio?, Três Nascentes, História de um Prego, No Fim da Estrada, Vai se Chamar Saudade e Um Tal João.

João Pacífico

João Batista da Silva ficou conhecido como João Pacífico graças ao seu temperamento apaziguador, seu caráter íntegro e por compor músicas sobre as coisas simples da vida. Segundo Inezita Barroso, que conviveu musicalmente com ele durante várias décadas, “de tudo ele fazia música”. Muitos o chamavam de o “Noel Rosa da música caipira” ou “Tom Jobim da música sertaneja.” Ele representa a autêntica música sertaneja. Pacífico faleceu em 1998, aos 89 anos, em Guararema onde recebia ajuda de um casal de amigos.

Ele foi um homem simples, que nasceu de uma ex-escrava, embaixo de um pé de café numa fazenda em Cascalho, bairro de Cordeirópolis. Trabalhou lavando pratos nos trens da antiga Cia. Paulista, morou na casa da irmã de Carlos Gomes, em Campinas, onde sua mãe era empregada doméstica. Foi para São Paulo, casou-se com Deolinda e teve um filho, Juca.   

Passou por dificuldades e perseverou até ingressar nas rádios paulistas e gravar disco pela RCA, única gravadora da época. Viveu quase 90 anos, atravessou com sucesso os mais importantes movimentos musicais brasileiros, só perdendo força e caindo no esquecimento da mídia com a ascensão das duplas “sertanejas” atuais, trajadas de caipira americano.

João Pacífico compôs mais de 500 obras que receberam 1.450 gravações. Poeta de primeira qualidade foi elogiado por Guilherme de Almeida (o príncipe dos poetas brasileiros), Raul Torres (cantor e compositor), Paulo Vanzolini (compositor paulista), José Ramos Tinhorão (historiador), Samuel Kerr (maestro) e Renato Teixeira (cantor e compositor). Ainda continua sendo reverenciado por meio de “Cabocla Tereza”, música considerada como “o hino do cancioneiro sertanejo.”

Roberto Vignati – autor e diretor

Em 50 anos de carreira, o autor e diretor de João Pacífico, o Poeta do Sertão tem seu nome ligado a grandes sucessos no teatro e na televisão (novela Pai Herói, vários episódios do Sítio do Pica-pau Amarelo, na TV Globo, e Mundo da Lua, há 20 anos no ar na TV Cultura de São Paulo).

No teatro, acumula sucessos como Bent, de Martin Sherman (12 prêmios em 1981); Bella Ciao, de Luiz Alberto de Abreu (18 prêmios e único espetáculo brasileiro até hoje a ganhar da crítica especializada o Prêmio de Melhor Ator do Ano para todos os atores do elenco); Brincando em cima Daquilo, de Dario Fo e Franca Rame (que deu todos prêmios de melhor atriz de 1984 para Marília Pêra): Uma Rosa Para Hitler, em co-autoria com Greghi Filho, em 1994 (pelo qual Osmar Prado recebeu o prêmio de melhor ator e  Vignati de melhor diretor do ano); Rose, Rose, de Martin Sherman, indicação ao Prêmio Shell de melhor atriz de 2001, para Ana Lúcia Torre); João Pacífico, o Poeta do Sertão, de sua autoria que, desde 2006, recebeu 25 prêmios, incluindo o Mapa Cultural do Estado em 2008, e Célio Nascimento como melhor ator em vários festivais nacionais de teatro.

Das 150 peças que já dirigiu, lembra com carinho de A Casa de Bernarda Alba, de Garcia Lorca, que também traduziu e fez ótima carreira no Rio de Janeiro, tendo Maria Fernanda e Nicete Bruno à frente de um grande elenco; A Hora da Estrela, que adaptou da obra de Clarice Lispector e representou São Paulo no 5º Porto Alegre em Cena, onde obteve sucesso ao lado de 40 representantes de outros países.

Fora do eixo Rio-São Paulo, dirigiu em Curitiba, Porto Alegre, João Pessoa e Belo Horizonte. Nesta última cidade trabalhou, na sua opinião, com a ”maior atriz brasileira: Andréia Garavello, que dança, canta, é atriz cômica e trágica”. Com ela, dirigiu Um Casal Aberto (1988), de Dario Fo e Franca Rame, que ganhou vários prêmios e ficou mais de cinco anos em cartaz na capital mineira, além de fazer temporada em Portugal.  Há sete anos é o diretor do Grupo de Teatro Pingo D’Água, da cidade paulista de Cordeirópolis.

Secretaria Municipal de Cultura faz homenagem ao Dia do Circo


Cia La Mínima

A Secretaria Municipal de Cultura realiza no dia 27 de março, terça-feira, evento para comemorar o Dia do Circo e os 90 anos da Semana de Arte Moderna.  Esta data foi criada, em 1972, em homenagem ao dia do nascimento de Abelardo Pinto, o palhaço Piolin.

O evento - que acontece na Praça Ramos de Azevedo e nas escadarias e interior do Theatro Municipal de São Paulo, das 10h às 18h30 - é formado por apresentações circenses durante todo o dia, esquetes com palhaços, Banquete Antropofágico com participação de 100 palhaços, Palhasseata e inauguração de Placa de Bronze no Beco do Piolin.

Piolin, o palhaço modernista e engajado em movimentos artísticos e culturais, admirado pelos principais artífices da Semana de Arte Moderna, foi homenageado por eles como o maior artista popular brasileiro em um jantar, na ocasião do lançamento do Manifesto Antropofágico, em 27 de março de 1929. O “melhor palhaço do mundo” foi, simbolicamente, devorado no dia do seu aniversário, no Restaurante da Casa Mappin em São Paulo, com Piolin interpretando sua própria morte.

A programação

O Banquete Antropofágico é agora reinventado para homenagear os principais palhaços da cidade de São Paulo, convidados para “comer” o Piolin, novamente, em uma “performance-instalação”, no Café do Teatro Municipal, onde o prato principal é, novamente, Abelardo Pinto, o Piolin. No cardápio, pratos que representam, simbolicamente, “partes do corpo” do palhaço.

Uma Palhasseata pelo Centro da cidade vai até o Beco do Piolin (Rua Abelardo Pinto), no largo do Paissandu, para descerrar uma placa de bronze com dizeres sobre o notável palhaço. A passeata retorna à Praça Ramos de Azevedo, até um pequeno picadeiro montado para receber os números com grupos circenses. Entre eles, Solas de Vento, Tropa Trupe, Cia. Folias de Picadeiro, Pia Fraus (Gigantes de Ar) e Cia. La Mínima (Reprise)

A mesa do banquete acomodará até 100 palhaços, escolhidos pelo critério de idade (aqueles com mais tempo de história no circo) e de militância artística na cidade. Entre os palhaços que estarão presentes na festa, destaque para Picolino, Xuxu, Romiseta, Mingau, Reco Reco e Bacalhau.

Outros palhaços participantes do banquete: Agenor, Banzé, Banzé Filho, Cacareco, Canjica, Canjica, Cara-de-Pau, Cascarita, Chicharron, Chispita, Chumbinho, Chuvisco, Condorito, Corchito, Du Porto, Espigão, Fafá, Florcita, Gachola, Gelatina, Geleinha, Gola, Huguito, João Grandão, Joinha, Jurubeba, Macarrão, Madureira, Magal, Maluquinho, Maria Eugênia, Maskarito, Miguelito, Mingal, Montanha, Moranguinho, Nina Rosa, Padoca, Palito, Pepin, Pichuruca, Pimpolho, Piroleta, Pururuca, Putch, Ramalho, Raul, Reco-Reco, Rogério Oswaldo, Romiseta, Rubra, Tagarela, Teco-Teco, Tetéu, Tililingo, Vai-Vai etc.

Programação
Evento: Dia do Circo
Dia 27 de março – terça-feira – das 10h às 18h30
10h – Apresentações circenses (Praça Ramos de Azevedo)
12h – Concentração de palhaços nas escadarias do Theatro Municipal de São Paulo.
12h30 – Palhasseata (passeata dos palhaços pelos calçadões do Centro)
13h – Cerimonial com os palhaços para inauguração da placa de bronze no Beco do Piolin (Rua Abelardo Pinto).
14h00 – Banquete Antropofágico (Café do Theatro Municipal de São Paulo).
15h30 – Apresentações circenses (Praça Ramos de Azevedo).
18h30 – Encerramento.
Local: Praça Ramos de Azevedo e Theatro Municipal de São Paulo
Centro de São Paulo/SP
Grátis (ao ar livre) - Classificação etária: Livre
Realização: Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo
Informações: (11) 3397-0160

quinta-feira, 15 de março de 2012

Pessoas Absurdas, de Ayckbourn, estreia no Jaraguá com direção de Otávio Martins

A comédia Pessoas Absurdas, de Alan Ayckbourn, estreia no dia 31 de março, sábado, às 21 horas, no Teatro Jaraguá, com direção de Otávio Martins. A peça é dividida em três atos e a história se passa em três diferentes noites de Natal, em três cozinhas diferentes, tendo como protagonistas três casais vividos pelos atores Marcello Airoldi, Ester Laccava, Eduardo Semerjian, Fernanda Couto, Kiko Vianello e Fabiana Gugli.

O dramaturgo inglês Alan Ayckbourn - um dos autores mais montados do mundo - transpõe a nacionalidade ao abordar, de forma crítica, o lado patético do ser humano. O diretor Otávio Martins explica que a comédia inglesa tem forte característica textual. “Somos latinos, estamos trazendo um humor mais físico ao grande texto de Ayckbourn, mas a montagem é uma comédia inteligente e popular”, comenta.

A história se passa, originalmente, na década de 70, mas o diretor optou por ambientá-la nos anos 80, facilitando aos atores a busca por elementos reais de identificação, referências próximas, para compor as complexas personagens. Inclusive o figurino (assinado por Theodoro Cochrane) tem como forte referência a alta costura dos anos 80. A trilha sonora original também segue a mesma referência e consolida a parceria entre o diretor e Ricardo Severo com quem Otavio Martins trabalhou, recentemente, em Vamos? E Circuito Ordinário. “Fazemos uma homenagem aos clichês e costumes da época. O público vai rir do patético. As pessoas são, sim, absurdas e totalmente reais. E as situações a que estão expostas também são absurdas”, finaliza Otavio Martins.

Pessoas Absurdas mostra de forma hilária e sarcástica como o dinheiro e o status social são determinantes até mesmo nas relações, sejam elas amorosas ou de amizade. A encenação lança um divertido olhar sobre como nossas ações e opções cotidianas podem nos tornar pessoas absurdas aos olhos alheios.

O enredo de Pessoas Absurdas transcorre no espaço de três anos. O espectador testemunha a decadência e ascensão financeira das personagens (três casais) e o reflexo dessas mudanças em suas relações conjugais e pessoais e nos seus comportamentos sociais.

O primeiro ato acontece no Natal passado, na cozinha da casa de Jane e Sidney (Fernanda Couto e Marcel Airoldi). Desejosos em ascender socialmente, convidam dois casais abastados para a confraternização. No segundo ato, a peça se passa no Natal presente, na cozinha de Eva e Geofrey (Ester Laccava e Kiko Vianello), que estão em plena crise conjugal e com problemas financeiros. Eles recebem os dois outros casais da história, sendo que o primeiro já ascendeu socialmente. E no último ato, a peça se desenrola no ano próximo, na cozinha dos anfitriões Marion e Ronald (Fabiana Gugli e Eduardo Semerjian), que também enfrentam a terrível queda das finanças. Neste Natal, os casais se encontram em situações financeiras e sociais inversas àquelas apresentadas no primeiro ato, sofrendo as conseqüências da ascensão e queda social.

Peça: Pessoas Absurdas
Texto: Alan Ayckbourn
Direção: Otavio Martins  
Elenco: Marcello Airoldi, Kiko Vianello, Eduardo Semerjian, Fernanda Couto, Ester Laccava e Fabiana Gugli
Iluminação: Hugo Peake
Trilha sonora: Ricardo Severo
Cenografia: Mira Andrade
Figurino: Theodoro Cochrane
Fotografia: Luciana Serra
Direção de produção: Carlos Mamberti
Produção executiva: Daniel Palmeira
Produção geral: Mamberti Produções
Teatro Jaraguá (Novotel Jaraguá São Paulo Conventions) - http://www.teatrojaragua.com.br/
Rua Martins Fontes, 71 - Bela Vista/SP – Telefone: (11) 3255-4380
Temporada: 31 de março a 27 de maio - sexta (21h30), sábado (21h) e domingo (19h)
Ingressos: R$ 50,00 - Bilheteria: 3ª, 5ª e dom. (14h-19h), 6ª (14h-21h30) e sab. (14h-21h)
Aceita cartões – Gênero: 80 min - Gênero: Comédia - Class. etária: 12 anos
Antecipados: http://www.ingressorapido.com.br/ (4003-1212) - Estacionamento: R$ 18,00.

Alan Ayckbourn (autor) - O premiado dramaturgo e diretor inglês Alan Ayckbourn (1939) é considerado um dos autores vivos mais encenados em todo o mundo. Escreveu 75 peças, dirigiu mais de 300 espetáculos; suas peças receberam inúmeros prêmios e foram traduzidas para mais de 35 países. No Brasil, ganhou fama com o filme de Alan Resnais, Medos Privados em Lugares Públicos, adaptado de sua obra teatral e avaliado como um dos melhores filmes dos últimos anos. Pessoas Absurdas (Absurd  Person Singular), texto de 1972, é considerado um dos seus sucessos no teatro. No Brasil teve sua primeira montagem, em 1975, tendo no elenco Tony Ramos, Ester Goés e Miriam Mehler, com direção de Renato Borghi. Durante algumas décadas, o autor ficou ausente dos nossos palcos. Nos últimos anos suas peças  vêm retornando  à cena brasileira  e despertando interesse tanto pela diversidade dos argumentos, quanto por apresentarem excelente carpintaria teatral  e diálogos preciosos. Em 2011, comemorou 50 anos como diretor  e 52 como dramaturgo. Atuante junto à sua companhia de teatro, ele continua escrevendo, dirigindo e produzindo páginas do teatro contemporâneo que, certamente, ficarão para a história.

Otávio Martins (diretor) - Otávio Martins é ator, diretor e dramaturgo. Atuou em espetáculos como A Noite Antes da Floresta (2006), de Bernard-Marie Koltès com direção de Francisco Medeiros, Uma Pilha de Pratos na Cozinha (2008), de Mário Bortolotto, e Sideman (2010), de Warren Leigh e direção de Zé Henrique de Paula. Indicado oito vezes a prêmios de melhor ator, dentre os quais duas vezes ao Shell (2006 e 2010), ganhou o Prêmio Contigo! de Teatro 2010 por sua performance em Sideman. Como diretor, fez vários espetáculos, entre eles a comédia Vamos?, de Mário Viana, e Circuito Ordinário, de Jean-Claude Carrière, entre outros. Em cinema, atuou em filmes como Salve Geral, de Sergio Rezende, e Malu de Bicicleta, entre outros. Na TV, atuou na premiada série Mothern, no canal GNT, e atualmente faz sua primeira novela, Amor Eterno Amor, próxima produção das 18h na TV Globo.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Zeppola de São José: a partir de 15 de março na Casa Santa Luzia

Para comemorar o Dia de São José (celebrado pelos católicos em 19 de março) a Casa Santa Luzia preparou a zeppola, um doce típico napolitano preparado com massa leve, decorada e recheado com creme aromatizado com fava baunilha. 

A zeppola de São José é uma tradição na Casa Santa Luzia, que oferece o produto para seus clientes, desde 2004. Diante da variedade de receitas (de acordo com cada região da Itália), o diferencial da zeppola da Santa Luzia está no modo de preparo da massa, que é assada (e não frita). Além disso, o doce é decorado com amarenas italianas ao invés de cerejas ou ameixas secas, como é mais comum.

A zeppola pode ser encontrada na Confeitaria Santa Luzia somente entre os dias 15 e 20 de março, ao preço de R$ 4,60 a unidade. A Casa faz uma ressalva para o dia 19, quando o doce só estará à disposição somente a partir das 9 horas (nos demais dias, a partir das 8 horas quando a loja é aberta ao público).


Na Itália, não há quem não conheça a zeppola e, atualmente, no Brasil, muitos católicos vêm assimilando esse costume como forma de comemorar o Dia de São José. De meados de fevereiro em diante, as doceiras italianas aumentam a produção de zeppolas, quando as pessoas compram não só para a sobremesa, mas também para presentear os pais e aqueles que se chamam José. A Casa Santa Luzia produz, em média, quatro mil unidades a cada ano.

“São José casou-se com Maria e foi o pai adotivo do Menino Jesus. Sua imagem representa, para todos os fiéis, honestidade, amor ao trabalho, fé e obediência”.

sexta-feira, 9 de março de 2012

Poeta Claudio Willer faz participação especial em São Paulo Surrealista com poemas ineditos

Nas sessões deste final de semama (sexta e sábado, 21h) do espetáculo São Paulo Surrealista, da Cia. Teatro do Incêndio, o poeta e ensaista Claudio Willer fará participação especial lendo poemas inéditos, que escreveu para este ritual teatral dirigido por Marcelo Marcus Fonseca. A montagem, que entrou em cartaz dia 2 de março, inaugurou a programação teatral da casa noturna Madame (antiga Madame Satã).

Claudio Willer – cujos vínculos literários são com a criação mais rebelde e transgressiva, como aquela representada pelo surrealismo e geração beat – foi consultor da companhia para esse projeto.

Este novo projeto da companhia é uma ode à cidade e seus personagens, confrontando - em um jogo de imagens sobrepostas - as contradições e fantasias da metrópole. Para revelar a cidade real, nada é realista. Os textos são colagens emolduradas por imagens e figuras da metrópole, sejam elas reais ou distorcidas, tendo na música ao vivo um elemento essencial para traduzir sua pulsação. 

Mário de Andrade, Roberto Piva, Pagu, nativos, cidadãos comuns, ninfas e animais recebem o surrealista André Breton, observado por Antonin Artaud (dramaturgo francês, surrealista), para um mergulho na capital paulista, percorrendo Os Nove Círculos do Inferno de Dante Alighieri.

Em cena, 25 atores em uma celebração musical da cidade com alusões ao cinema de Pier Paolo Pasolini e Frederico Fellini e textos escritos durante o processo pelo próprio grupo, com base na escrita automática característica do Surrealismo. Todas as canções foram compostas por Marcelo Fonseca e Wanderley Martins especialmente para o espetáculo, algumas delas “em parceria” com Arthur Rimbaud e Charles Baudelaire.

Ficha técnica
Espetáculo: São Paulo Surrealista
Com: Cia. Teatro do Incêndio
Roteiro e direção geral: Marcelo Marcus Fonseca
Co-direção e figurinos: Liz Reis
Elenco: Liz Reis, Marcelo Marcus Fonseca, João Sant'Ana, Wanderley Martins, Sérgio Ricardo, David Guimarães, Giulia Lancellotti, Talita Righini, Sonia Molfi e outros.
Direção musical: Wanderley Martins
Iluminação: Rodrigo Alves
Consultoria teoria e voz em off: Claudio Willer
Fotografia: Bob Sousa
Composições originais: Marcelo Marcus Fonseca e Wanderley Martins
Produção e realização: Cia. Teatro do Incêndio
Apoio: Lei de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo
Serviço
Local: Madame – www.madameclub.com.br
Endereço: Rua Conselheiro Ramalho, 873 - Bela Vista/SP - Tel: (11) 2592-4474
Temporada: de 2 de março a 15 de maio
Horários: sextas e sábados (às 21 horas)
Ingressos: R$ 30,00 (meia: R$ 15,00), o ingresso dá direito à balada.
Bilheteria: 1h antes da sessão - Aceita cartões de crédito/débito.
Reserva: 2347 1055 / 9628 1772 - Gênero: Surrealismo - 70 min - Classificação: 18 anos
200 lugares - Estacionamento c/ manobrista (R. Cons. Ramaalho, 853): R$ 20,00.

quarta-feira, 7 de março de 2012

A Coleção, de Harold Pinter, estreia com direção de Esther Góes

O espetáculo teatral A Coleção, texto de Harold Pinter com tradução de Flávio Rangel, ganha primeira montagem paulistana e estreia dia 16 de março, sexta-feira, no Teatro Grande Otelo, às 21 horas, com direção de Esther Góes. A peça explora a relação entre dois casais, cujas histórias se cruzam de forma conflituosa, tendo como cenário o mundo da alta costura e como tempero um misto de humor e crueldade que não deixa impune o espectador.

O pano de fundo de A Coleção é a criação de coleções de moda, mas a narrativa é focada nas relações de imprevista intimidade estabelecida entre os casais, por meio de interpretações de grande densidade dramática e de refinado humor. Pinter propõe uma deliciosa e cruel cumplicidade com o espectador ao desvendar a complexa relação dos personagens em um suposto caso amoroso. A história se passa na década de 60, época marcada por questões inovadoras, um momento de forte transgressão relacionada à sexualidade e ao desejo de viver, intensamente, a liberdade.

Esther Góes, que foi dirigida por Ariel Borghi em seu mais recente espetáculo, Determinadas Pessoas – Weigel, agora inverte com ele o papel e assume a direção. Ao lado de Ariel, estão os atores Amazyles de Almeida, Marcos Suchara e Marcelo Szpektor. A diretora conta que buscou atores envolvidos com a dramaturgia investigativa, comprometidos com um trabalho de interpretação como se fossem coautores do texto.

O enredo

Dois casais entram num jogo de final imprevisível. O primeiro (James e Stella) é bem sucedido, trabalha com moda e tem sua loja elegante. Stella é criadora de coleções, um nome em ascensão na alta costura. No mesmo bairro, num apartamento classe A, o segundo casal: Harry - de nível quase aristocrático - vive com Bill, 10 anos mais jovem, que também se dedica ao mundo da alta costura. Bill e Stella se conhecem em outra cidade, quando mostram suas coleções numa feira, e, possivelmente, vivem ardente noite de amor. No retorno, por motivos inexplicáveis, Stella conta ao marido James o sucedido “affair”.

James, no início do espetáculo, movimenta a ação, procurando e indo ao encontro de Bill para, talvez, averiguar os danos? Conferir o rival? Possivelmente decidido a extravasar os sentimentos de maneira nada civilizada? A ação de James desencadeia outras. Enquanto ele intercala encontros com Bill e seu quotidiano com Stella, Harry procura Stella, e finalmente James, Bill e Harry interagem. A sucessão de encontros é ao mesmo tempo lógica e desnorteante. Possibilidades, das mais corriqueiras às mais bizarras, jogam com os nervos do espectador enquanto ele investiga as personalidades, reações e atitudes dos personagens.

Estão todos condenados a viver a atmosfera de um pesadelo. O discurso de Harry, o silêncio de Stella, a fragmentação de Bill, são armadilhas e alçapões. Stella e James, Harry e Bill, são personagens contemporâneos, reconhecíveis e ao mesmo tempo misteriosos. Eles espelham, resumem, e ao mesmo tempo tornam ainda menos compreensível a real situação humana e os mecanismos que a reproduzem. Com o necessário misto de humor e crueldade, compartilhados com o espectador.

Harold Pinter

Considerado um dos mestres do absurdo, Harold Pinter se descreve como naturalista. O tratamento dado ao texto é de uma perfeita esgrima entre o “natural” e o percebido pelo observador crítico e arguto, captando e descrevendo fenômenos surpreendentes em comportamento habituais. Sua linguagem é rigorosa, rítmica, e conduz o foco da atenção direto aos detalhes e vestígios de tais fenômenos, num quadro sutil de pausas e diagramas quase imperceptíveis.

A obra de Pinter é considerada de expressiva contribuição social ao ponto dele ser laureado, entre outros, com o Prêmio Nobel da Literatura. Ele é tido como um dos mais inquietantes dramaturgos da atualidade, um “questionador das verdades aceitas, na vida e na arte”, segundo escreveu sobre ele Michael Billington. Pinter persegue a realidade que permanece oculta pela linguagem e percepção comuns. A diretora afirma que o “autor encoraja seu espectador a ir além, para encontrar a realidade que inclui o lado desconhecido da nossa natureza e nos surpreende com outra imagem, de nós mesmos e dos outros, inesperadamente”.

Espetáculo: A Coleção
Texto: Harold Pinter
Tradução: Flávio Rangel
Direção: Esther Góes
Elenco: Ariel Borghi, Amazyles de Almeida, Marcos Suchara e Marcelo Szpektor
Figurino: Beth Filipecki
Cenário: Cristina Novaes
Iluminação: Mauro Martorelli
Trilha sonora: Aline Meyer
Web designer: André Corradini
Coreografia de lutas cênicas: Dani Hu
Confecção de gato: Helô Cardoso
Designer gráfico: Cláudio Ferlauto
Fotografia: Arnaldo Torres
Realização: Ensaio Geral Produções
Estreia: Dia 16 de março – sexta-feira – 21 horas
Local: Teatro Grande Otelo
Alameda Nothmann, 233 – Campo Elíseos/SP – Tel: (11) 3221-9878
Temporada: Sexta e sábado (21 horas) e domingo (20 horas) – Até 17/06
Ingressos: R$ 60,00 – Classificação: 14 anos - Duração: 75 min
Gênero: Drama - Lotação: 214 lugares
Ingressos antecipados: http://www.ingressorapido.com.br/ (4003-1212)
Estacionamento no local (interno): R$ 15,00.