sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Ney Piacentini estreia solo com contos de Machado de Assis e Guimarães Rosa

Ney Piacentini (fotos de João Caldas)
Em O Espelho, obras homônimas, a abordagem de Machado conversa e, ao mesmo tempo, contrasta com texto humanamente genuíno de Guimarães.

O espetáculo Espelhos – estrelado por Ney Piacentini e dirigido por Vivien Buckupestreia no dia 20 de outubro (quinta-feira, às 20h) na Oficina Cultural Oswald de Andrade, com entrada franca. A encenação reúne os contos O Espelho, de Machado de Assis (integrante de Papéis Avulsos, publicado pela primeira vez em 1882) e O Espelho, de Guimarães Rosa (publicado em 1962, integrando seu livro Primeiras Estórias).

A montagem é o resultado de pesquisas e experimentações cênicas, realizadas ao longo do ano de 2015, para apresentar na íntegra os dois contos, compondo um único trabalho teatral que explora as relações entre literatura e teatro.

Espelhos é um solo de 50 minutos com cenografia e desenho de luz de Marisa Bentivegna, figurino de Fábio Namatame, assistência de direção de Aline Meyer, criação de som de Miguel Caldas e direção de produção de Maurício Inafre.

No primeiro ato, Piacentini investe-se de Jacobina, personagem de Machado de Assis que conta a amigos uma misteriosa passagem de sua juventude na qual precisou enfrentar a solidão. Em seguida, o ator assume a personagem criada por Guimarães Rosa que parte em busca de sua essência. O trabalho propõe o diálogo entre a aguda percepção de Machado acerca da formação do sujeito brasileiro e a poética descoberta que Rosa nos oferece com sua inquieta personagem. 
  
Espelhos é provocador: propõe uma reflexão sobre as relações entre imagem e subjetividade por meio do pensamento de dois escritores, referências fundamentais da literatura e da arte brasileira. Ney Piacentini afirma que a peça volta-se para o Brasil colocando em cena uma literatura de qualidade inquestionável. “Em minhas leituras da obra Machadiana, encontrei em O Espelho a forma literária com grandes possibilidades de encenação. Fui seduzido pela construção do texto, carregado de elementos da formação do caráter do sujeito brasileiro, vulnerável às influências externas”.

A diretora conta que o projeto nasceu com a obra de Machado de Assis, mas tanto ela quanto o Ney percebiam a necessidade de algo mais para compor a encenação. “Foi pesquisando críticas e estudos sobre o texto de Machado que chegamos ao conto homônimo de Guimarães Rosa, escrito 80 anos depois. Era o que faltava para completar o espetáculo: estávamos diante de dois momentos do Brasil, tão diferentes na forma quanto complementares para o que buscávamos”.

Vivien Buckup ainda explica que a justificativa para montar essas duas obras “é o desejo de trabalhar com autores nacionais e fazer da língua ‘brasileira’ o ponto de partida da encenação com tudo o que se configura como sua identidade - explorando origens, influências, formas, sonoridades e dizeres para narrar e registrar histórias e tradições”.

Por não se tratarem de textos dramatúrgicos propriamente ditos, o empenho maior foi em sublinhar o caráter narrativo dos contos e permitir que a força literária de cada um encontrasse seu equivalente em teatralidade. A encenação confere ao espectador a oportunidade de entrar em contato com a lucidez e a sutileza das palavras de dois grandes intérpretes da cultura brasileira, tanto do ponto de vista estético quanto histórico. “Da mesma forma com que as palavras de Machado de Assis e Guimarães Rosa nos transformaram ao longo do processo de montagem de Espelhos, esperamos que os espectadores sejam tocados pelo pensamento desses dois grandes autores e suas obras singulares”, finaliza Ney Piacentini.

Por Dante Moreira Leite e José Miguel Wisnik

Segundo o cientista social Dante Moreira Leite, em O Espelho de Guimarães Rosa, “ao contrário do que ocorre no conto de Machado de Assis, a exteriorização perde qualquer significado, e o herói-narrador procura devassar a sua intimidade, em busca de elementos fundamentais.”

Pela ótica do ensaísta e professor José Miguel Wisnik, que analisou as duas criações, “(...) Se em ambos os contos o imaginário, entendido como o jogo de imagens através do qual se constitui a função do eu, sofre o impacto de um real que o desarma, cada um deles leva a mesma síndrome a consequências distintas, senão opostas, no percurso simbólico da sua narratividade”.

Ficha técnica

Textos: Machado de Assis e Guimarães Rosa
Interpretação: Ney Piacentini
Direção: Vivien Buckup
Assistência de direção: Aline Meyer
Figurino: Fábio Namatame
Cenário e iluminação: Marisa Bentivegna.
Preparação vocal: Mônica Montenegro
Criação de som: Miguel Caldas
Direção de produção e administração: Maurício Inafre
Programação visual: Regilson Feliciano
Fotografia: João Caldas
Assessoria de imprensa: Eliane Verbena

Apoio: Prêmio Zé Renato de apoio à produção e desenvolvimento da atividade teatral para a cidade de São Paulo.

Serviço

Espetáculo: Espelhos
Estreia: 20 de outubro. Quinta-feira, às 20h
Oficina Cultural Oswald de Andrade (Sala 7)
Rua Três Rios, 363 ­ Bom Retiro/SP. Tel: (11) 3221­5558
Temporada: quintas e sextas (às 20h) e sábados (às 18h) – Até 19/11
Ingressos: Grátis (devem ser retirados 2h antes das sessões)
Duração: 50 min. Gênero: Drama. Classificação: 14 anos
Capacidade: 45 lugares. Não possui acessibilidade.

Perfis

Ney Piacentini (ator) - Iniciou sua carreira, em 1979, na Universidade Federal de Santa Catarina e, em Florianópolis, fundou o Grupo A de Teatro com o qual ganhou o Prêmio Bastidores (1982) de Melhor Espetáculo e Melhor Ator Infantojuvenil, pela criação coletiva Vira e Mexe, também encenada em São Paulo, em 1986. Foi ator e apresentador do programa Revistinha, da TV Cultura (Prêmio APCA de Melhor Programa Infantojuvenil de 1989 e 1990); participou de diversos filmes de curta e longas-metragens como Trabalhar Cansa, de Marco Dutra e Juliana Rojas, e Quanto Vale É por Quilo, de Sérgio Bianchi, mas se dedicou principalmente ao teatro ao longo de sua trajetória de mais de 35 anos de ofício. Dos mais de 50 espetáculos teatrais em que atuou, estão Crepúsculo de Uma Tarde de Outono (1991), de Friedrich Dürrenmattt, O Legítimo Inspetor Perdigueiro (1992), de Tom Stoppard, O Catálogo, de Jean-Claude Carrière, Budro (1994), de Bosco Brasil, e Um Céu de Estrelas (1996), de Fernando Bonassi. Em 1997, a convite de Sérgio de Carvalho, ingressou na Companhia do Latão, tendo feito todas as peças do grupo até 2014, entre as quais se destacam: Ensaio Sobre o Latão (indicado para o Prêmio Mambembe de 1997 de Melhor Ator Coadjuvante), O Nome do Sujeito (indicado para o Prêmio Mambembe de 1998 de Melhor Ator), O Círculo de Giz Caucasiano (Prêmio Villanueva de 2007 de Melhor Espetáculo Estrangeiro, em Cuba) e O Patrão Cordial (Prêmio Questão de Crítica de 2013 de Melhor Dramaturgia e Melhor Elenco). Ney possui mestrado e é doutorando em Pedagogia Teatral pela Escola de Comunicação e Artes (ECA/USP) e publicou os livros Eugênio Kusnet: do Ator ao Professor e STANISLAVSKI Revivido (Org. com Paulo Fávari). Foi presidente da Cooperativa Paulista de Teatro, entre 2005 e 2013, onde idealizou e realizou diversos projetos como a Mostra Latino-Americana de Teatro de Grupo, na qual esteve à frente, junto com Alexandre Roit, até a sua oitava edição.  Em 2014, Piacentini ganhou o Prêmio Cooperativa Paulista de Teatro - Categoria Especial - pela sua contribuição ao teatro paulista.

Vivien Buckup (diretora) - Iniciou a carreira em Artes Cênicas como bailarina e coreógrafa, passando à preparação corporal de atores e direção teatral. Trabalhou em parceria com profissionais como Paulo Autran, Roberto Lage, William Pereira, Gabriel Villela, Fauzi Arap, Marcio Aurélio, José Possi Neto, Renata Melo, Márcia Abujamra e Fernando Bonassi, entre outros. Dentre seus trabalhos mais importantes destacam-se O Evangelho Segundo Jesus Cristo (2001), de José Saramago, Sonho de um Homem Ridículo (2005), de Dostoievski, Ricardo III (2006), de W. Shakespeare, e O Incrível Menino na Fotografia (2007), de Fernando Bonassi.  Desde 1996, dedica-se a ministrar cursos, oficinas e workshops para atores, bailarinos e cantores em diversas cidades do país. Foi professora de Corpo no curso de formação de atores do Teatro Escola Célia Helena, de 2005 a 2011, e fez parte do corpo de pedagogos da Pós-graduação na mesma instituição. Como coreógrafa, participou da realização de importantes óperas nos teatros municipais de São Paulo e Rio de Janeiro. Realizou seu primeiro trabalho de direção com a encenação de Aguadeira (1994), de Patrícia Gaspar. A partir de então dirigiu Cenas de Um Casamento (1996), de Ingmar Bergman, Para Sempre (1997), de Maria Adelaide Amaral, Oscar Wilde (1997), de Elias Andreato, O Barril (1999), de Angela Dip, Clarices (2006), da obra de Clarice Lispector, Não Uma Pessoa (2010), de Daniela Schittini, e Pessoas ao Sol (2011), a partir da obra do pintor norte-americano Edward Hopper. Por seus trabalhos já recebeu os prêmios APETESP, Shell e Cultura Inglesa de Teatro.

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Teatro do Incêndio comemora 20 anos com nova temporada de O Santo Dialético

Montagem debate a morte da alma brasileira e explora a sobrevivência de uma mitologia da miscigenação.

Para comemorar os 20 anos da companhia, o Teatro do Incêndio reestreia o espetáculo O Santo Dialético, no dia 15 de outubro (sábado, às 20h), que fica em cartaz até 4 de dezembro. Com texto e direção de Marcelo Marcus Fonseca, a montagem - resultante do processo de pesquisa do projeto A Teoria do Brasil - investiga os vestígios da essência ancestral do brasileiro por meio de pessoas que, vivendo em São Paulo, perderam o contato com suas origens, habitando um mundo determinado por valores urbanos.

Dividido em dois atos, o espetáculo parte do ponto de vista de pessoas comuns inquietas por questões perdidas de sua própria história que vão à busca de uma mitologia que possa explicá-la. Propõe o entendimento da descaracterização do negro, do índio e do próprio europeu (transformados em outra raça), indo à procura desse “novo povo”, o brasileiro, levando cada personagem numa espécie de voo interior rumo à própria raiz.

Itinerante, a peça percorre os dois andares do Teatro do Incêndio, levando o público por diversos cenários e instalações. No intervalo, pratos da culinária brasileira como baião de dois, galinhada, acarajé etc, preparados durante o primeiro ato pelo próprio diretor do espetáculo, são oferecidos ao público, por um valor à parte, em grandes mesas comunitárias. “A ideia é que o teatro seja, além de um lugar de apresentações, um espaço de agradável permanência, mesmo depois da sessão”, diz Marcelo Marcus Fonseca, autor e diretor de O Santo Dialético.

O enredo traz seis histórias paralelas, entrecortadas, que criam um mosaico da mistura racial brasileira: um índio, tirado aos oito anos de sua tribo por padres, retorna do seminário para encontrar sua aldeia; uma moradora de rua entende ser chamada para uma missão e encontra o sincretismo pelo caminho; um casal negro, evangélicos, vive o drama de não conseguir ter filhos, enquanto o marido é atormentado por sons antigos que ele não conhece; um publicitário não se encontra no próprio corpo, enquanto sua mulher sofre de uma doença terminal.

Com música ao vivo e trilha original, O Santo Dialético cumpriu temporada de quatro meses no primeiro semestre de 2016 e agora se despede de São Paulo com essas 16 apresentações.

Sinopse

O Santo Dialético explora a perda da ancestralidade e da identidade da formação étnica do brasileiro na cidade de São Paulo, por meio de pessoas comuns que buscam respostas para o chamado da própria raiz. Misturando teatro, dança e música ao vivo, a temporada inicia as comemorações de 20 anos do grupo.

Ficha técnica


Texto e direção geral: Marcelo Marcus Fonseca
Direção musical, composições originais e música ao vivo: Bisdré Santos
Figurino: Gabriela Morato
Iluminação: Helder Parra e Marcelo Marcus Fonseca
Preparação vocal: Alessandra Krauss Zalaf
Assistência de direção: Sérgio Ricardo
Assistência de produção: Victor Castro
Adereços: Fabrízio Casanova
Trilha sonora mecânica: Marcelo Marcus Fonseca e Bisdré Santos
Coreografia: Gabriela Morato
Operação de luz: Helder Parra
Operação de som: Victor Castro
Responsável técnico: Antonio Rodrigues
Fotos: Giulia Martins e João Caldas
Assessoria de imprensa: Eliane Verbena
Realização e produção: Cia. Teatro do Incêndio

Atores: Gabriela Morato, Francisco Silva, Elena Vago, Valcrez Siqueira, André Souza, Victor Dallmann, Pamella Carmo, Juan Velasquez, Anderson Negreiro, Thiago Molfi e Lígia Souto.

Links


Serviço

Espetáculo: “O Santo Dialético”
Reestreia: 15 de outubro. Sábado, às 20h
Endereço: Teatro do Incêndio
Rua 13 de Maio, 53. Bela Vista/SP. Tel: (11) 2609 3730 / 2609 8561
Temporada: sábados (às 20h) e domingos (às 19h) – Até 4/12
Ingresso: Pague quanto puder (dinheiro ou cartão de débito)
Duração: 150 min (com intervalo de 20 min e jantar opcional)
Gênero: Drama musical. Classificação: 14 anos. Capacidade: 80 lugares.
Ar Condicionado. Local para comer. Wifi. Estacionamento ao lado do teatro

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Língua de Gato: nasce um grupo que canta histórias e encanta as crianças

Ruthe, Ricardo e Virgínia (foto de Gal Oppido)
Grupo formado por Ricardo Côrte Real, Ruthe London e Virgínia Rietmann estreia o espetáculo musical infantil Língua de Gato - Miau por Aí no dia 1º de outubro (sábado, às 12h), no Espaço Promon. Com direção artística de Leonardo Cortez, o show tem ainda participação dos músicos Caito Marcondes (percussão) e Sergio Bello (violão).

Produzir espetáculos para crianças é trabalho de grande responsabilidade, considerando que os pequenos estão cada vez mais exigentes e bem informados. O desafio é ainda maior quando esses fatores estão somados à inocência e ao encanto da pouca idade. Partindo desta premissa, três aristas blueseiros criaram o grupo musical Língua de Gato: Ricardo Côrte Real (ator, cantor, músico e compositor), Ruthe London (cantora, violonista e compositora) e Virgínia Rietmann (cantora e educadora).

De forma lúdica e bem humorada, o trio encarna personagens – Gato de Gravata (Ricardo), Gata Cor de Rosa (Virgínia) e Gata Esperta (Ruthe) – e interage com as crianças. As músicas são intercaladas por esquetes de textos breves e informais que despertam a curiosidade das crianças sobre o enredo das canções.

O Língua de Gato faz música de gente grande para gente pequena. “Nosso trabalho é fazer um show que provoque encantamento, principalmente, nas crianças”, comenta Ruthe, que é também compositora e ao lado de Fran Papaterra (autor convidado) compôs as canções para o grupo.

As músicas são criativas e elaboradas. O Língua de Gato brinca com as letras, com os vocais e com os estilos variados do repertório (reggae, marcha, balada, rock). A marchinha “Tema dos Gatos” apresenta o grupo e diz que os gatos se divertem porque gostam de cantar. A balada “Eu Não Tenho Medo Não” é uma lúdica brincadeira com os medos comuns na infância como bruxa, palhaço e fantasma. “O Sapo” fala de transformação: explica que o sapo era girino quando “criança”. “Lobo Mau” questiona em clima de rock se o lobo é realmente um bicho malvado, e o reggae “Miau por Aí” canta a delicadeza dos felinos: artistas, equilibristas, dorminhocos. Muitas outras canções compõem o repertório do trio.

Ruthe teve a ideia de montar o grupo quando morava em Nova York e ministrava oficinas musicais para crianças. De volta ao Brasil convidou os amigos Ricardo e Virgínia para se juntarem a ela. Apaixonaram-se pelo projeto que ganhou forma em meio a encontros regados a jazz e blues. O nome nasceu da paixão dos três músicos pelos felinos que, segundo eles, encantam pela doçura, leveza e mistério. O visual estilizado do trio, assinado pela figurinista Telumi Hellen, sugere que os gatos cantores estão vestidos de gente. Nada de fantasia de gato no palco.

Os gatos

Ricardo Côrte Real, filho do humorista Renato Côrte Real, começou a carreira artística aos nove anos no programa Papai Sabe Nada, na TV Record. Participou de vários programas como Família Trapo, Faça Humor Não Faça Guerra, TV MIX, Rá-Tim-Bum, SuperMarket, Via Satélite, Rádio FX e Escolinha Muito Louca. Produziu e apresentou o programa House of Blues na Kiss FM por quatro anos. No ramo da música, integra o quarteto Blues 4 Fun, o grupo vocal Juke, ambos há mais de 18 anos, e o trio infantil Língua de Gato, além de fazer dupla com Virgínia Rietmann com repertório eclético de MPB, jazz, blues, rock e jingles. Conduz jam sessions há 10 anos, apresenta e faz curadoria de eventos de jazz e blues, produz e apresenta o Jazz Caravan na Rádio USP FM, há oito anos, ganhador do Prêmio APCA 2013 de melhor programa musical.

Ruthe London, influenciada pela jovem guarda, mais especificamente por Roberto Carlos, e pela irreverência musical de Rita Lee, a cantora e compositora compôs sua primeira música aos 15. Nascida em Avaré, SP, Ruthe participou de vários festivais de música e apresentou-se em diversos espaços culturais e SESCs da capital e interior. Estudou violão com Mozart Mello e canto com Nancy Miranda. Tem dois CDs lançados: Bossa in Blues (2003) e Nosso Blues (2007) que registram clássicos do blues e composições próprias. Em 2010, mudou-se pra Nova York, onde se apresentou em eventos e casas de jazz, e, desde então, vem se dedicando também ao publico infantil, ministrando oficinas musicais para crianças. Em 2016, de volta ao Brasil, fundou o Língua de Gato com Ricardo Côrte Real e Virgínia Rietmann.

Virgínia Rietmann estudou canto com Nancy Miranda, Fernanda Gianesella, Irajá Menezes, Regina Machado e Mônica Thiele Waghabi, participou de oficinas com Madalena Bernardes e Clarisse Abujamra. Começou a carreira cantando em um grupo de contadores de histórias da tradição oral. Fez parte do grupo vocal Sophisticated Ladies, participando de shows com a orquestra Shining Brass Band de Luís Torres. Como cantora gravou o coro da trilha sonora de Cacilda, de José Celso Martinez Corrêa; participou do CD do cantor Noite Ilustrada (gravadora Trama) e do disco Um Jeito de Fazer Samba, de Eduardo Gudin, no vocal da música “Sempre se Pode Sonhar“ (E. Gudin e P. da Viola). É cantora do grupo vocal Juke, que trabalha com jingles e seriados de televisão no seu repertório; faz dupla com Ricardo Côrte Real e integra o grupo vocal Arirê, desde o lançamento do primeiro CD.  É educadora de musicalização infantil no Espaço Musical.

Fran Papaterra é autor de cerca de 500 composições (letras e músicas). Suas músicas já foram gravadas por intérpretes do naipe de Eles Regina e Tom Zé. Entres seus trabalhos, destaque para criação de músicas para a coleção Taba (Abril Cultural), com histórias infantis, e trilhas para campanhas publicitárias de televisão e rádio. Fran participou como compositor do Festival MPB Shell e Festival dos Festivais (este também como intérprete), ambos realizados pela Rede Globo. Gravou três CDs de operetas: O Príncipe Sapo, sobre a metamorfose; Ambíguo, ambientado em Gotham City; e Só Pode Ser Coisa do Coisa Ruim, baseada em Grande Sertão Veredas de Guimarães Rosa. 

Serviço

Show: Língua de Gato – Miau por Aí
Integrantes: Ricardo Côrte Real (voz e violão), Ruthe London (voz e violão) e Virgínia Rietmann (voz).
Direção artística: Leonardo Cortez
Músicos convidados: Caito Marcondes (percussão) e Sergio Bello (violão).
Composições: Fran Papaterra e Ruthe London
Figurino: Telumi Hellen
Animação gráfica: Fernando Rietmann
Fotos: Gal Oppido

Estreia/grupo: 1º de outubro. Sábado, às 12h (única apresentação)
Local: Espaço Promon
Av. Presidente Juscelino Kubitschek, 1830. Itaim Bibi. Tel: (11) 3071-4236
Ingressos: R$ 40,00 (meia: R$ 20,00). Bilheteria 2h antes do show.
Aceita todos os cartões. Ar condicionado. Acesso universal. 349 lugares.
Censura: Livre. Duração: 60 min. Estacionamento: R$ 20,00
Internet: www.ingressorapido.com.br (tel: 4003-1212).

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Lendias d’Encantar, grupo de Portugal, faz leitura dramática no Memorial da América Latina

No dia 24 de setembro (sábado, às 11h) acontece a leitura dramática do texto da peça No Limite da Dor com a companhia portuguesa Lendias d’Encantar, na Biblioteca do Memorial da América Latina. A leitura – que tem entrada franca – integra a turnê que o grupo vem fazendo pelo Brasil, contemplando várias cidades.

No Limite da Dor é baseado em livro homônimo de Ana Aranha e Carlos Ademar e foi montado pela companhia. Os atores do espetáculo, Ana Ademar e Antonio Revez, participam da leitura.

A montagem já passou por Teresina​ (PI), Nova Lima​ e Belo Horizonte (MG), ​S​ao José dos ​Campos (SP), ​Paulo ​A​fonso (BA) e Itu (SP). Após sessão em na capital paulistana (23/9, no Espaço dos Satyros Um), segue para Santa Maria (RS) e Rio de Janeiro (RJ).

O texto traz quatro histórias que se entrelaçam e é baseado em testemunhos reais de torturas vividas por ex-presos políticos nas mãos da PIDE (Polícia Internacional e de Defesa do Estado), durante os anos da ditadura portuguesa, na primeira metade do Século XX.  A obra reflete sobre a resistência, o medo, a humilhação, a dor e a dignidade humana, cuja dimensão, provavelmente, as novas gerações têm dificuldade de compreender.

No Limite da Dor apresenta duas mulheres e dois homens que não são personagens teatrais, mas pessoas reais que testemunham experiências vividas e que chamam a atenção para a importância dos ideais, das convicções e da família. A partir do conhecimento histórico, No Limite da Dor suscita o debate sobre as situações expostas no texto que, segundo a companhia, são dados importantes para a preservação da memória coletiva sobre acontecimentos tão dramáticos vividos pelo povo português.

A cia Lendias d’Encantar foi fundada em Beja, em 1998, e desde então tem trabalhado na criação e produção teatrais, na formação, dinamização e programação cultural da região. A companhia vem se apresentando seu trabalho por todo o seu país, além de algumas apresentações internacionais em países como Cuba, Nicarágua e Venezuela. Desde 2014, a Lendias d’Encantar organiza o FITA - Festival Internacional de Teatro do Alentejo que lhe rendou parcerias internacionais e lhe permite circular com seus espetáculos por festivais de outros vários países.


Serviço

Leitura dramática: No Limite da Dor
Texto: Lendias d’Encantar, baseado em livro de Ana Aranha e Carlos Ademar
Atores: Ana Ademar e Antonio Revez
Duração: 60 min. Gênero: Drama. Classificação: 14 anos.

24 de setembro. Sábado, às 11h
Memorial da América Latina (Biblioteca)
Av. Auro Soares de Moura Andrade, 664. São Paulo/SP
Grátis. Ingressos: 1h antes da leitura

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Cineclube Araucária realiza mostra grátis de documentários brasileiros

O Cineclube Araucária, em Campos do Jordão, segue com a proposta de reverenciar as boas produções da sétima arte. Entre os dias 22 e 25 de setembro, apresenta importantes documentários brasileiros com exibições gratuitas no Espaço Cultural Dr. Além, de quinta a sábado, às 19h30, e aos domingos, às 15h e às 18h.

O Panorama do Documentário Brasileiro – que integra o projeto Cineclube Araucária - O Cinema de Volta a Campos do Jordão – exibe os respectivos filmes: Nós Que Aqui Estamos Por Vós Esperamos, de Marcelo Masagão, Os Últimos Cangaceiros, de Wolney Oliveira, Últimas Conversas, de Eduardo Coutinho, e O Começo da Vida, de Estela Renner. A sessão infantil (25/9) também segue o perfil da mostra com Território do Brincar, de David Reeks e Renata Meirelles.

Realizado com o apoio do ProAC, o projeto Cineclube Araucária – O Cinema de Volta a Campos do Jordão teve início em fevereiro e segue até novembro, promovendo um total 20 mostras de cinema. A cada mês, além das tradicionais mostras temáticas, um país diferente tem a sua filmografia exibida para o público jordanense, entre eles: Brasil, França, Finlândia, Turquia e, os já contemplados, Polônia, Irã, Índia, Argentina, China, Continente Africano e França. Na programação de 2016 constam ainda palestras, oficinas e seminários, visando à formação profissional de novos cineastas, com produção de curtas-metragens que estarão na segunda edição do Festival Curta Campos do Jordão, previsto para dezembro no Espaço Cultural Dr. Além.

Documentários Brasileiros

Na cinematografia brasileira o documentário sempre teve um papel de destaque, seja nas primeiras produções realizadas pelo Instituto Nacional do Cinema Educativo, seja pelo surgimento, com o Cinema Novo a partir da década de 1960, do documentário de cunho social, quando o povo passa a ser o protagonista de filmes focados em temáticas voltadas para os problemas dos brasileiros anônimos. Nomes importantes como o de Eduardo Coutinho, o maior documentarista brasileiro de todos os tempos, surgiram nesse período. Mas, foi a partir da retomada do cinema nacional em meados da década de 1990, que ocorreu no Brasil uma verdadeira reinvenção do filme documentário, com um volume de produção que cresce ano a ano e que desperta cada vez mais o interesse tanto de cineastas quanto do público. Segundo o curador Cervantes Souto Sobrinho, “para compor a Mostra Panorama de Documentário Brasileiro, dentro da programação do Cineclube Araucária, a pesquisa girou em torno do que consensualmente se admite serem os títulos mais significativos realizados no Brasil, a partir dessa fase de retomada do gênero, com destaque para a produção do Instituto Alana dirigida ao público infantil, Território do Brincar, de Renata Meirelles e David Reeks”.

Panorama do Documentário Brasileiro

22/09 (Quinta, às 19h30)
Nós Que Aqui Estamos Por Vós Esperamos
De Marcelo Masagão. Brasil. 1999. 73’. 12 anos.
Sinopse - Um filme-memória sobre o século XX, a partir de uma poética e criativa linguagem de montagem de recortes biográficos reais e ficcionais (fotografias, filmes clássicos e outros registros audiovisuais) de pequenos e grandes personagens que viveram nesse século, de forma a resumir e definir o espírito dessa época.

23/09 (Sexta, às 19h30)
Os Últimos Cangaceiros
De Wolney Oliveira. Brasil. 2011. 79’. 14 anos.
Sinopse - Jovina Maria da Conceição e José Antonio Souto são dois senhores que levam uma vida bem comum pelos últimos 50 anos. O que ninguém sabe, incluindo seus filhos, é que estes nomes são falsos. A dupla, na verdade, foi conhecida como Durvinha e Moreno. Eles integraram o bando de Lampião, o mais controverso e famoso líder do cangaço.

24/09 (Sábado, às 19h30)
Últimas Conversas
De Eduardo Coutinho. Brasil. 2015. 85’. 12 anos.
Sinopse - Documentário realizado a partir de entrevistas feitas por Eduardo Coutinho com jovens que estavam cursando o terceiro ano do ensino médio em escolas públicas. O documentário Últimas Conversas busca entender como esses jovens pensam, sonham e vivem a adolescência.

25/09 – MATINÊ - (Domingo, às 15h)
Território do Brincar
De David Reeks e Renata Meirelles. Brasil. 2015. 90’. Livre
Sinopse - Entre 2012 e 2013, a educadora Renata Meirelles e o documentarista David Reeks percorreram diversas regiões brasileiras, revelando o país através dos olhos das crianças e realizando um trabalho de escuta, intercâmbio de saberes, registro e difusão da cultura infantil. São mostrados os brinquedos e brincadeiras das regiões brasileiras, além das manifestações populares em que a criança tem participação efetiva.

25/09 (Domingo, às 18h)
O Começo da Vida
De Estela Renner. Brasil. 2016. 97’. Livre
Sinopse – O documentário é uma análise aprofundada e um retrato apaixonado sobre os primeiros mil dias de um recém-nascido. Registra o verdadeiro começo da vida de um ser humano, no tempo considerado crucial pós-nascimento para o desenvolvimento saudável da criança, tanto na infância quanto na vida adulta.

Serviço

Projeto Cineclube Araucária – O Cinema de Volta a Campos do Jordão
22 a 25/9 - Panorama do Documentário Brasileiro
Quinta a sábado (às 19h30) e domingo (às 15h e às 18h)
Local: Espaço Cultural Dr. Além
Av. Dr. Januário Miráglia, 1582, na Vila Abernéssia. Campos do Jordão/SP
Grátis. Informações: (12) 3664-2300

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Lendias d’Encantar, grupo português, apresenta-se em São Paulo no dia 23/9

Turnê da companhia já passou por Teresina​ (PI), Nova Lima​ e Belo Horizonte (MG), ​S​ao José dos ​Campos (SP) e ​Paulo ​A​fonso (BA). Após apresentações em Itu e São Paulo (SP), segue para Santa Maria (RS) e Rio de Janeiro (RJ).

A companhia portuguesa Lendias d’Encantar faz sessão única em São Paulo do espetáculo No Limite da Dor, no dia 23 de setembro, sexta-feira, no Espaço dos Satyros Um, às 21 horas. A apresentação integra a turnê que o grupo vem fazendo pelo Brasil, contemplando várias cidades - as próximas, além de São Paulo, são Itu (22/9), Santa Maria/RS (1 e 2/10) e Rio de Janeiro (5 e 6/10).
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Quatro histórias se entrelaçam em No Limite da Dor. A peça traz testemunhos reais de torturas vividas por ex-presos políticos nas mãos da PIDE (Polícia Internacional e de Defesa do Estado), durante os anos da ditadura portuguesa, na primeira metade do Século XX. A montagem faz uma profunda reflexão sobre a resistência, o medo, a humilhação, a dor e a dignidade humana, cuja dimensão, provavelmente, as novas gerações têm dificuldade de compreender.

No enredo, duas mulheres e dois homens - Georgina, Luís Moita, Conceição e Domingos - transitam diante dos olhos do espectador, mas não são personagens teatrais, são pessoas reais que testemunham, pela emoção e técnica de um grupo de atores, experiências vividas que chamam a atenção para a importância dos ideais, das convicções e da família.

No Limite da Dor propõe, a partir do conhecimento histórico, suscitar o debate sobre as situações expostas pelas personagens que, segundo a companhia, são dados importantes para a preservação da memória coletiva sobre acontecimentos tão dramáticos vividos pelo povo português.

Lendias d’Encantar foi fundada em Beja, em 1998, e desde então tem trabalhado na criação e produção teatrais, na formação, dinamização e programação cultural da região. A companhia vem se apresentando seu trabalho por todo o seu país, além de algumas apresentações internacionais em países como Cuba, Nicarágua e Venezuela. Desde 2014, a Lendias d’Encantar organiza o FITA - Festival Internacional de Teatro do Alentejo que lhe rendou parcerias internacionais e lhe permite circular com seus espetáculos por festivais de outros vários países.



Espetáculo: No Limite da Dor
Com: Lendias d’Encantar
Texto: baseado em livro de Ana Aranha e Carlos Ademar
Encenação e cenário: Júlio César Ramirez.
Elenco: Ana Ademar e Antonio Revez.
Figurino: Ana Rodrigues.
Luz: Ivan Castro.
Trilha: João Nunes.
Duração: 60 min. Gênero: Drama. Classificação: 14 anos.

Serviço

22 de setembro. Quinta, às 20h
Teatro Nósmesmos - Unicenter 
Av. Prudente de Moraes, 210. Itu/SP
Ingressos: R$ 10,00 (preço único)
Telefone: (11) 4024 0852. Capacidade: 118 lugares
23 de setembro. Sexta, às 21h
Espaço Satyros Um
Praça Franklin Roosevelt, 214. São Paulo/SP.
​Ingressos: R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia) – Bilheteria 1h antes da sessão.
Telefone: (11) 3258-6345. Capacidade: 70 lugares.
Ar condicionado e acesso universal. Site: http://www.satyros.com.br/

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

2ª Mostra de Teatro de Heliópolis promove encontro de artistas periféricos de São Paulo

O Perrengue da Lona Preta (crédito: Guto Hilst)
Ruas, vielas e teatro são palcos para as oito atrações gratuitas do evento, que acontecem de 30 setembro a 2 de outubro na Comunidade de Heliópolis e arredores.

Idealizada pela Cia. de Teatro Heliópolis e pela produtora MUK, a 2a Mostra de Teatro de Heliópolis tem como objetivo difundir e discutir o teatro produzido por grupos e artistas que desenvolvem seus trabalhos em regiões periféricas de São Paulo. A curadoria é de Alexandre Mate, professor do Instituto de Artes da Unesp e pesquisador do Núcleo Paulistano de Teatro de Grupo.

A Mostra – que tem entrada franca em todas as sessões – ocorre entre os dias 30 de setembro e 2 de outubro - e em diversos pontos da Comunidade de Heliópolis e do bairro do Ipiranga. A programação é formada por três peças teatrais (adulto), quatro espetáculos de rua, uma intervenção de rua e rodas de conversa com os grupos participantes.

Participam desta edição grupos Ciclistas Bonequeiros (Uma Saga Macunaímica), Trupe Lona Preta (O Perrengue da Lona Preta), Bando Trapos (Foi o que Ficou... Do Bagaço), CompanhiaDaNãoFicção (Procura-se Ninguém), Coletivo Quizumba (Oju Orum), Família Fodaccio (O Espetaculoso Espetáculo da Família Fodaccio), Companhia do Miolo (Taiô) e Coletivo Negro (Revolver).

O evento - que, na primeira edição, atraiu mais de 2.500 espetadores, reuniu mais de 120 artistas e teve 20 atrações, somando mais de 35 horas de atividades culturais gratuitas -, neste ano tem versão mais enxuta. Sem verbas de editais ou patrocinadores, a 2a Mostra de Teatro de Heliópolis é uma realização independente, por meio de recursos dos próprios idealizadores, além de uma campanha de crowdfunding que arrecadou R$ 950,00.

A direção artística é assinada por Miguel Rocha, fundador da Cia. de Teatro Heliópolis. Daniel Gaggini, responsável por projetos como Vira-Latas de Aluguel e Cine Inclusão, está à frente da direção produção do evento, realizado pela Cia. de Teatro Heliópolis e MUK.

Programação completa da Mostra: http://www.ciadeteatroheliopolis.com.br/mostra.

30 de setembro (sexta-feira)

16hUma Saga Macunaímica (teatro de rua)
Grupo: Ciclistas Bonequeiros
Texto e Direção: Gustavo Guimarães Gonçalves. Elenco: Gustavo Guimarães Gonçalves e Gabriela Fiorentino. Duração: 60 min.
Local: Rua Coronel Silva Castro, S/N (em frente à Ação Comunitária Nova Heliópolis)

Sinopse: O público (um de cada vez) espia um miniteatro de bonecos, instalado sobre a garupa de uma bicicleta, que conta a história de Macunaíma, personagem do escritor Mário de Andrade sobre o “herói preguiçoso de nossa gente”. Macunaíma  se cansa de “dançar pra ganhar vintém”, se cansa da terra e resolve ir pro céu. Assim, pode tornar-se estrela e brilhar no céu.

20h*O Perrengue da Lona Preta (teatro adulto)
Grupo: Trupe Lona Preta
Direção: Sergio Carozzi. Elenco: Joel Carozzi, Sergio Carozzi. Duração: 60 min.
Local: Casa de Teatro Maria José de Carvalho (Rua Silva Bueno, 1.533, Ipiranga. 80 lugares)
* Após o espetáculo haverá roda de conversa.

Sinopse: O “sagrado” direito à propriedade privada, símbolo da cultura oficial, é reinterpretado em O Perrengue da Lona Preta, um espetáculo inspirado na tradição circense. No enredo,os palhaços Rabiola e Chico Remela reconstroem, de forma divertida, os símbolos pretensamente eternos da ordem vigente.   

1º outubro (sábado)

14hFoi o que Ficou... Do Bagaço (teatro de rua)
Grupo: Bando Trapos
Texto e direção: O grupo. Elenco: Deco Morais, Joka Andrade e Daniel Trevo. Duração: 75 min.
Local: Rua do Pacificador, 34 (Heliópolis. Em frente ao Cine Favela)

Sinopse: Três palhaços andarilhos encontram um circo abandonado. Cada um, ao seu tempo e à sua maneira, descobre esse universo mágico. Ocupam o espaço e se apropriam das ferramentas que ele oferece. Porém, isso acontece da maneira mais picareta possível: um dos palhaços já se intitula dono do circo. O tempo todo, um tenta puxar o tapete do outro e, mesmo com os conflitos, o circo se põe em andamento. Cada um vai assumindo uma função e, ao longo do espetáculo, eles propõem ao público o encantamento e a reflexão, mas sem abrir mão do riso.

16hProcura-se Ninguém (intervenção de rua)
Grupo: CompanhiaDaNãoFicção
Direção geral: Fabiana Monsalú. Concepção: Vanessa Silva Hoschett e Fabiana Monsalú. Duração: 90 min.
Local: CEU Heliópolis - início do trajeto (Estrada das Lágrimas, 2385)

Sinopse: A intervenção trata a cidade enquanto fronteira, construída por contornos incertos que só podem ser vistos ao percorrê-la. Procura-se Ninguém gera uma dinâmica que mobiliza o corpo social e torna visível o invisível na cidade, por meio das memórias e do próprio ato de caminhar como prática estética. Durante a trajetória poética, o indivíduo se transforma em um “navegante” e é conduzido pelas ruas por disparos sinestésicos e por um “áudio tour” que utiliza a Odisseia, de Homero, como inspiração literária, para o diálogo com a cidade. A trajetória poetiza a relação com a cidade e a relação entre as pessoas, perdida no abismo do cotidiano do mundo moderno, muitas vezes automatizado e veloz.

20h *Oju Orum (teatro adulto)
Grupo: Coletivo Quizumba
Texto: Tadeu Renato. Direção: Johana Albuquerque. Elenco: Camila Andrade, Jefferson Matias, Kenan Bernardes, Thais Dias e Valéria Rocha. Duração: 90 min.
Local: Casa de Teatro Maria José de Carvalho (Rua Silva Bueno, 1.533, Ipiranga. 80 lugares)
* Após o espetáculo haverá roda de conversa.

Sinopse: De Oju Orum um grande rio se fez, dando origem a outras três corredeiras. Alice, menina do sertão nordestino: água presa na cabeça sonhadora; Alzira, mineira fluída que não se prende por palavras nem braços; e Anita, adolescente da periferia paulistana: riacho que corre sob os pés, desestabilizando certezas e provocando redemoinhos. São quatro narrativas que se cruzam, se tocam e se misturam na correnteza do tempo.

2 de outubro (domingo)

15h O Espetaculoso Espetáculo da Família Fodaccio (teatro de rua)
Grupo: Família Fodaccio
Elenco: Leandro Cenci, Mariana Taques e Patrick Castilho. Orientação: Ronaldo Aguiar. Duração: 40 min.
Local: Viela 1º de Maio, S/N (Heliópolis)

Sinopse: A Família Fodaccio é uma trupe mambembe formada por três personagens “sonsos” que fazem números charlatões com a intenção de deixar o nome da família vivo junto à tradição do circo. Mixinga, Provisório e Elmira apresentam comandam O Espetaculoso Espetáculo da Família Fodaccio.

16hTaiô (teatro de rua)
Grupo: Companhia do Miolo
Texto: Jé Oliveira. Direção: Renata Lemes. Elenco: Alexandre Krug, Edi Cardoso, Jé Oliveira, Izabela Pimentel, Leonardo Costa, Fabrício Cardeal. Duração: 50 min.
Local: Rua Paraíba, S/N (Heliópolis. Rua do Copa Rio)

Sinopse: Nesta montagem, a Cia. do Miolo investiga a possibilidade da construção de asas, enquanto metáfora da potencialidade humana. Música e poesia se encontram para ressoar a voz de um povo-pombo, cansado das migalhas do chão, que descobre asas para tentar alçar longos voos. O espetáculo se inicia com cenas quânticas em que as figuras/atores se dirigem a uma pessoa ou a pequenos grupos para dialogar: apresentam suas questões e convidam o espectador a voar como pipas, que bailam ao sabor do vento e, mesmo “taiadas”, ressurgem novas e coloridas no imenso lençol azul do céu.

20hRevolver (teatro adulto)
Grupo: Coletivo Negro
Dramaturgia: processo colaborativo com Coletivo Negro e Rudnei Borges. Direção: Aysha Nascimento. Elenco: Flavio Rodrigues e Rafhael Garcia. Duração: 60 min.
Local: Casa de Teatro Maria José de Carvalho (Rua Silva Bueno, 1.533, Ipiranga. 80 lugares)
* Após o espetáculo haverá roda de conversa.

Sinopse: Em volta da última árvore que restou no mundo, um Baobá, os dois andejos - Kizúa e Izô - se encontram. Esquecidos nos estirões do tempo futuro, eles reinventam o passado e retornam às memórias não tão distantes.

Ficha técnica – 2ª Mostra de Teatro de Heliópolis

Idealização: Cia de Teatro Heliópolis e MUK
Direção: Miguel Rocha
Direção de produção: Daniel Gaggini
Curadoria: Alexandre Mate
Olhares críticos: Alexandre Mate, Maria Fernanda Vomero, Beatriz Callo e Leticia Monteiro.
Diretor técnico: Toninho Rodrigues (Ton Light)
Produção: Dalma Régia
Produtora assistente: Luh Moreira
Assessoria de imprensa: Eliane Verbena
Designer gráfico: Camila Teixeira
Fotos e vídeos: Geovanna Gelan
Revisão ortográfica: Luciana Rossi
Assistente de produção: Klaviany Costa, David Guimarães, Alex Mendes, Donizete Bomfim, Hanna Costa e Léo Gonzaga.
Realização: Companhia de Teatro Heliópolis e MUK

Serviço

2a Mostra de Teatro de Heliópolis
De 30 de setembro a 2 de outubro
Sexta, sábado e domingo
Locais: Casa de Teatro Maria José de Carvalho (Rua Silva Bueno, 1.533) e ruas da Comunidade de Heliópolis
Ingressos: Grátis. Classificação: livre
Informações: mostradeteatrodehelioplis@gmail.com ou (11) 2060-0318