quinta-feira, 17 de maio de 2012

Leia crítica de Jair Alves para a peça "A Coleção, de Harold Pinter com direção de Esther Góes.
http://portalmacunaima.ning.com/forum/topics/sete-boas-razoes-para-condenar-pinter?xg_source=activity


Esther Góes responde...

Respondendo ao Jair Alves

Imensamente grata pela análise lúcida que você fez  do nosso  espetáculo “A Coleção”, de Harold Pinter, e pela avaliação, transformada em pergunta sutil, de por que montar Pinter e encarar a dificuldade de não montar alguma coisa bem mais “fácil”.

Você pergunta o que nos leva, no momento presente, a preferir mostrar a teia de mentiras e estranhos comportamentos “naturais” dos quatro personagens de “A Coleção” – para Pinter, talvez, um desenho da lógica do real convívio humano. Não seria melhor fingir que isso nem existe?

Respondendo, prefiro citar duas afirmações de Pinter sobre o Teatro e o que ele persegue. Como sempre, o conteúdo do trabalho e o contexto de sua realização se confundem.

Ele disse:
“O Teatro é essencialmente investigador. Nem mesmo o velho Sófocles sabia o que ia acontecer na próxima cena. Ele precisava encontrar o caminho num território desconhecido. Ao mesmo tempo, o teatro sempre foi um ato crítico, um amplo olhar para a sociedade em que vivemos, tentando refletir e dramatizar essas descobertas. Não estamos falando da lua. São escavações.”

E também:
“Não posso dizer que todo trabalho que escrevi é político. Mas eu sinto a questão de como o poder é usado, e de como a violência é usada, como se aterroriza alguém, como se subjuga alguém, isto sempre esteve vivo no meu trabalho”.

Por estas questões, da investigação humana em desconhecido território, e por uma posição permanentemente crítica diante da nossa realidade social, é que criamos  “A Coleção”, e que continuaremos a por em cena desafios e perguntas a qualquer plateia que tenha o desejo de  responde-las e queira permanecer viva.

Você faz parte dela.
Um grande abraço
Esther Góes

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